terça-feira, novembro 23, 2010

A rota mora na noite vazia, encharcada de silêncio teu




ô seu moço, um cadinho de amor, um tantinho de atenção - Pra que eu não me aprume, não me encaderne, não vire bibelô -
Nesses tempos de relógio e pagamento, o amor é preciso, viu?


Senão endoida
Senão engessa
Senão
Se e não

Coração precisa de compasso
Precisa do teu passo
Não caminha só

Só, até caminha
Passeia na esquina
Dobra na contramão
Arrodeia mundo
Bate ponto e solidão

Mas ele não quer, seu moço
Quer não

Porque coisou
Entendeu bem?
Coisou e pimba!
Por que, senhor?
Porque, senhor
Não acerto os porques ortográficos
Mas entendo dos porques sentídotos
E eu também invento palavras, ouviu?
sen-tí-do-tos
Invento os dias
Crio as horas
Estou contigo
Estou agora
Em um parque
Na praia
No quarto
No queixo
Nu
Eixo
No
On
Lábios

Tou com você
Mas se quer saber
Não é festa

Precisa de carinho
Precisa de denguinho
E de uma voz pra amansar
Mas é uma voz bem de mansinho
Pra chegar devagarinho
E eu toda me deitar

E não essa, esbravejada
Toda séria e alternada
Tão danada de danar

Senão tudo cansa, tudo cala
Eu calo
Tu calas
e ele fala
Um calo na voz
Um calo no peito
Calinho que colher quente não dá jeito

Coisa besta, seu moço
O amor é feito de coisa besta, nunca te disseram isso?

Uma letra, um sorriso
Um sinal, um aviso
Qualquer coisa
Que não isso
e ninguém vai derramar

Porque se o amor não é on line
e muito menos off line
É, seu moço, é preciso cuidar

Que o meu querer é feito de doce
É feito de oxe
É feito de hoje

E não do se, do não e talvez

Entende isso, seu moço, entende isso de uma vez

Por que senão fica tudo triste, um borocoxô só
E eu caminho, caminho, caminho nó




sexta-feira, novembro 19, 2010

Por um triz

Tudo e nada é sempre por um triz
Para sempre é sempre por um triz
Por um isso, um aquilo...
Tudo, tudo por um triz

(Eu vivo no centro do triz)
E se triscar muito eu caio,
Só não me pergunte para que lado!

quarta-feira, novembro 17, 2010

Descanso na loucura


Minha boca quer teu beijo. Meu corpo, teu peso. Fogo fátuo, fato, fato... Que se repete, que se renova. Adentra pedaços de pele, de gosto, de cheiro. Me engole por trás, chega na frente, me encontra no meio, corre caminho cruzado, ventila por todos os lados. Corpo invadindo sem permissão. Pensamento vazando, escorrendo, passeando esquinas e lugares do teu corpo, do teu rosto, do teu gesto. Do meu corpo, do meu rosto, do meu gesto. E a gente dança. Dança ao som do acaso. Que nos guia, que nos segue, que nos une.

O que é o tempo? Onde mora o tempo? Quem controla o tempo? Como se chama o tempo? Quanto tempo aproximadamente tem o tempo? Quanto tempo dura o tempo?

O peso de um querer muito. A leveza de um querer mutuo.

Isso me satisfaz.


sábado, novembro 13, 2010

Distraídos venceremos?


Eu tava distraída quando você passou
Eu tava distraída quando você voltou
Eu tava distraída, inclusive, quando você falou
Tava tão distraída que nem ouvi

Alguns cutucões me alertaram
Alguns cutucões me tiraram da distração
distorção

Voltei para o mundo real,
cortando no meio o trecho da música que mais gosto

Olhei

Não deu dois segundos
E Voltei a distrair
Tava tão bom o meu sorriso sozinha...

Você falou que eu tava bonita daquele jeito
E precisei voltar da distração - n o v a m e n t e - pra prestar atenção

'Oi?'
'Eu falei que você está tão bonita desse jeito...'
'Que jeito?'
'Assim, tão nem ai, tão sorrindo, tão distraída...'
'Distraídos venceremos, ja dizia Leminsk'

'Já que a noite é literária, preciso entender a frase de Pessoa que sempre achei massa na teoria, mas tá me confundindo todo: 'Sentir é estar distraído' - Por que eu, sem nenhuma distração, tou sentindo? E tu tão distraída...'

'Pois essa frase que eu nem conhecia, nunca fez tanto sentido...'


E assim, voltei pra minha distração contente da vida, ciente da aprovação do poeta...

.

quinta-feira, novembro 11, 2010

Morenindoidando meu carnaval




A fantasia desbotada
De vermelho e de cetim
Saiu na madrugada
Meio proza, junto à mim
Procurando a safada
Derradeira do amor
Aquela maldita dama
Que um dia me deixou

Essa morena
Que clareia e faz bordado
Que me deixa amassado
E o calor que ela me traz

Ela remexe e se amostra feito um samba
Sai de pileque e fica bamba
Com cachos soltos pelo ar

Eu fico doido, fico môco e avexado
Desviando o passado
Desviando o olhar

Saio de perto, meio torto e embaçado
Pego e deixo ela de lado
Mas não deixo de amar


Texto de 2008

quarta-feira, novembro 10, 2010

Intregação


Poeminha em prosa feito na fila para pegar o verdinho Camaragibe/Macaxeira, na integração da Macaxeira, 2007



O povo é que tem razão
Integração não: Intregação

Uma fila que não tem tamanho
Menino chorando no colo de mãe
Casal se beijando na quina
e na esquina, o ônibus sanfona dando a volta

Começa a avexação do povo que tá na fila
Versus o povo que tá na máfia

Pipocão é 'cequenticentavo'
Pipocão 'é cequenticentavo!'
Mochila nas costas
Gente por todos os lados

Senhor indo pro hospital
meninada pro colegial
E o jornal de um real

Gente apertada, atrasada, apressada
Gente que perde o ponto
pensando na morte da bezerra

Gente


Do calor eu nem comento
a gota de suor escorrendo por dentro
Junto com o ouvido aperriado
da pregação da biblia ao lado

Dentro do ônibus é uma feira só:


É neguinho que pega os bestas
"jujuba é 25 e quatro é um tostão"


Tem ameduim saguado dicascado na mantêga
Sabonete pra rachadura
Gengibre pra garganta
Pomada pra zica também tem

Chá emagrecedor
Caneta multicolor
Cartão brega de amor

Boa taaaarde, pessoal
Vocês estão muito fraquinhos
Boa taaaaaaaarde, pessoal

A animação não é geral
Até que uma voz surge:

40 nego bom é um real
q-u-a-r-e-n-t-a nego bom é um real...


Hora de descer.
..

Obs: Fui caminhando até o trabalho pensando que vivencio algumas horas disso por semana e questionando como funciona com quem vivencia isso todas as horas da semana inteira, nessa intregação. Depois acabei fazendo uma série de reportagens especiais sobre os vendedores ambulantes da integração da Macaxeira.

terça-feira, novembro 09, 2010

Nega


Autoria: Vitor Alencar (meu pai)
Data: 1993

Letra feita provavelmente em situação de cerveja, violão, pandeiro e chucalho durante algum churrasco de todo final de semana que tinha na minha casa. Letras com trocadilho ou putaria reinavam e eu nem me dava conta! Ah, meus 5 anos...

Nega

Deixa de tolice
Quem foi que te disse
Que alguém te libertou?

Nega
Não se ilude não
Queres tirar proveito
Do meu coração

Mas não vai
Ah, não vai não

Eu bem tou vendo esses amigos
Todos cheios de abrigo
Querendo te conquistar

Mas vou logo adiantando
que não vai ter concorrência
Corto três em uma sequência
e ninguém vai nem saber

ô, nega...
Quase me acabo
Só de ver esse teu rabo
Nesse louco balancê... ê ê ê

Nega
Larga do meu pé
Me faz um cafuné
E não dê mole não

Senão eu desconsidero
e te exonero
da minha relação

segunda-feira, novembro 08, 2010

NãoSim

(Não) me olha assim:

Você descobre coisas
Que eu nem sei de mim...

sábado, novembro 06, 2010

Esvaziar é preciso

Sinto de longe o peso no peito, a expressão do rosto, os olhos sem jeito. Queria poder te levar, te elevar, te trazer pra junto do teu mundo, dos teus...

renovar.

Pensei em chegar feito borboleta, voandinha na janela de trás, por entre o cheiro de lençol lavado e te deixar um recado que fala assim:

'Menino, esvazia todo o significado das coisas tão concretas da vida, tá tudo concreto demais, tas virando concreto. Esvazia por um instante, esvazia e preenche. Baixa a guarda, respira fundo, pensa no bem, acredita, confia, faz prece, faz feijão, se alimenta direito, toma bastante água, canta baixinho, se estica no sofá, pensa na vida, pensa em todo o bem que tu alcançou até hoje. Quando escurecer, olha o viaduto pela varanda e as luzes dos carros que não param de passar. Deixa a luz entrar junto com o ventinho. Sente o vento. Acende o incenso, dá dez minutinhos na correria e te procura por dentro. Vais encontrar todo o amor que você conquistou no mundo. E o sorriso vai brotar.'

Com carinho.

domingo, outubro 31, 2010

Como no princípio, o feto: em busca do sim, do não, do gesto.


Morenamente leve o coração abre e fecha, abre e fecha... Em um eterno estado de porta, em um eterno estado de mulher. A busca tranquila por alguma coisa que preencha, que esvazie, que busque junto. Que junto. Em uma sequência de vida que leva a não busca mas ao encontro. De dois. As vezes de mais. Que passa, ora que segue, ora que fica, que finca. Que parte. Que parte no meio, em dois pedaços esfarelados. Em dois pedaços baleados. Em dois pedaços sadios. Em dois pedaços pensativos. Em dois pedaços adultos. Em dois pedaços incansavelmente prontos para serem costurados novamente por dentro do peito, por dentro do meio, por um meio, um meio de. que. hein. como. onde. cadê. o que.
Como no princípio, o feto: em busca do sim. do não. do gesto,

explicou Maria para a psicanalista.

terça-feira, outubro 26, 2010

Insônia é o mal do tempo, para a cura: poesia!


Primavera aqui dentro
Chove lá fora
Cato o vento

Verniz nos teus olhos
Pintado e insano
Desejo contido
Contigo eu chamo

O dia que passa
A hora que chega
O sono perdido
No livro da mesa

Vida que segue
Vida que breve
Leve,
leve,
leve...

Meu santo é forte
Meu santo é forte
Me livre da dor
Me risque do corte


S O R T E

Saravá!


sábado, outubro 23, 2010

Eu tenho fome

Hoje acordei com flashes do meu sonho: a calçada da Boa Vista repleta de gente pedindo dinheiro, pedindo arrego, pedindo esmola, pedindo atenção, pedindo... Acho que foi um pouco do reflexo de ontem, que passei por aquelas ruas... com mormaço, chuva,calor, agonia,gritaria e gente com fome.

Hoje quando levantei, percebi que existia um trecho na minha cabeça. Não é poesia e nem nada, mas ela amanheceu de forma direta, como se já existisse antes. Chegou direitinho,sem insegurança, sem forçar a lembrança, sem palavra faltando e um pouco desconexa, sim. Mas na ponta da língua, como seu eu já tivesse escrito antes:

É tanta gente com fome
Que meus lábios prendem entre os dentes

É tanta gente com fome
Que meus laços pendem

Que meus lábios prendem entre os dentes
Que meus lábios pedem

e soltam

cheios de um sangue qualquer

E isso me fez lembrar um texto que fiz há muito tempo sobre o Centro do Recife com a visão de um menino de rua, já publiquei ele aqui, mas tá valendo rever:


No Centro do Recife

Acordei antes que o sol saisse e queimasse meus olhos quase sem sonhos. Percorri ruas e avenidas cobertas pela neblina de um dia que tava para chegar. Logo as padarias fariam cheiro de pão fresco e meu cheiro não era dos melhores. Já nem sei se meu desejo é comer esse pão ou o galeto que não para de rodar na "televisão de cachorro" (e minha).

Ando pelas ruas e ninguém me vê. Será que sou feio? Acordei mas ninguém me vê. Acordei e o mundo não acordou pra mim...


Já é dia feito, dia claro. Por entre sinais e avenidas meu dia vai correndo, a televisão para cachorro vai rodando, o pão vai saindo e aquela mulher vai chegando. Aquela mulher... Todos os dias ela vem nesse mesmo horário comprar o jornal.
Nunca entendi pra que comprar jornal, um bolo de papel sujo que mais parece jogo de repetição: bala perdida no Rio de janeiro, briga entre gangs, polícia matando gente inocente, homicídio em Casa Amarela, gente morrendo de fome no Coque,o náutico perdendo, show de nação zumbi no Marco zero e o horóscopo que é a mesma coisa todos os dias. Mas eu nem digo, ninguém me ouve mesmo. Aliás, ninguém me vê,né?

É hora do almoço e no Centro da cidade fica uma danação de gente gritando fora dos restaurantes o prato do dia, o pf que custa 5 reais. Eu nem sei se pra esse povo isso é caro ou barato.

Na ponte fica gente vendendo peixe nos saquinhos com água. Tem um menino galeguinho que sempre vai comprar, ele gosta de ver a briga das betas brabas. Tem outro que tira a hora do almoço pra ver o sol e acaba comprando um doce ou um pedaço de queijo manteiga.

Na padaria da Imperatriz sempre parece uma festa, meu sonho é comer aquela pizza de queijo que transborda. Já comi queijo uma vez, no natal passado ganhei uma bola de queijo do reino da senhora do jornal. Fui mordendo e mordendo até chegar na parte de ferro, rasguei minha boca e o gosto azedo do queijo misturou com o amargo do sangue. Nunca levei um corte com tanta felicidade no mundo!! Eu gosto de queijo, acho que gosto. Queijo é uma palavra engraçada,né? Queijo, queijo, queijo, queijo. O bom é que eu posso falar coisa besta que ninguém me escuta mesmo, aliás, ninguém me vê, né?

O sol começa a cair e eu gosto de ver a movimentação da turma saindo do trabalho. É tanta gente que fica ali na parada dos correios. É mulher com menino e sacola, é menina pedindo informação, todo mundo querendo chegar em casa pra comer... Queijo? (acho que diferente de feijão, arroz e macarrão eu só tou lembrando de queijo mesmo... assim.. de coisa diferente, né?)

Ai quando o sol vai simbora, as luzes do Recife começam a acender. Essa é a hora do dia que eu mais gosto. Como são bonitas as lâmpadas amarelas. É diferente daquela que eu vejo naquele prédio bem grande que tem do outro lado da ponte. Ah, falando nas pontes, essa é minha maior diversão. Atravessar todas as pontes contando quantos peixes a turma conseguiu pescar. Tem uns meninos que ficam contando quantos carros preto passam, mas eles só sabem contar até dez... Ai ficam repetindo a sequência dos números e nunca descobrem quem ganhou. Eu prefiro contar quantos patos (nem sei se são patos), aquele bicho branco que voa que nao é pato, ali do outro lado da Aurora fica um bucado, parado, dormindo.

Depois eu me canso. No final do dia minha canela não consegue ser mais fina e minha barriga nem tem graça. Mas eu vou dizer a quem? Ninguém me ouve mesmo, quer dizer... ninguém me vê,né?

O que me resta é dormir

Antes que o sol saia e queime meus olhos quase sem sonhos.

Carla Alencar.

segunda-feira, outubro 18, 2010

Software livre do vírus, do custo, do peso... (do Windows)!


Fazia um tempo que eu ouvia falar sobre o software livre, mas admito que não dava muito cartaz. Achava que era papo de gente cultural/tecnológica/sustentável e que funcionava apenas na teoria. Afinal, se o negócio fosse bom mesmo, a grande maioria já teria aderido e o nosso querido Windows teria ido para o espaço, como foi o caso do meu.


E sim, esse questionamento a respeito da difusão do software livre ainda tá na minha cabeça, vou procurar saber mais sobre isso.


Ontem fui facilmente convencida a fazer um backup e instalá-lo no meu notebook, por várias razões: Livre do vírus, livre de ter que baixar tantos programas (ele contém, pelo menos até agora, tudo o que preciso e não estou tendo dificuldade em mexer em editores de texto e imagem, por exemplo). Os programas possuem nomes diferentes, mas funcionam iguais aos do Windows, a diferença é que você não precisa correr riscos e ficar baixando nada, ele já tá lá. O computador ganhou em velocidade, e, agora, contém um sistema de segurança bacana, onde só é possível navegar passando por alguns testes e senhas, sem contar com o design moderno e limpo, parecido com o do MAC.


Ainda é cedo pra afirmar que sou total adepta ou pagar o maior pau pela liberdade, mas já é notável, mesmo que prematuramente, as mudanças positivas.


Windows, bye bye!

Bruno, thanks!




sábado, outubro 09, 2010

Bota fogo


O que guardei de você
foi aquela coisinha doce que durou tão pouco
como gosto de sete belo depois que já foi engolido junto com água

Não sou movida a mágoas

A lembrança que tenho não dói e nem faz rir
Não faz nada
Ela não é lembrada feito aquelas que acendem
Com um motivo qualquer, tantas vezes inventado,
só para ser lembrado

Não, esse não

Fica dentro de um pedaço nem feio e nem bonito
No cotovelo, talvez nas têmporas

Preciso de uma razão concreta para lembrar
Um motivo bem forte
Como o te ver,do nada, sentado do outro lado da calçada em um buteco de Botafogo
Fumando um cigarro, rindo por entre a fumaça e a áurea da boêmia


Passos tranquilos, seguindo em frente
Sem titubiar, tremer, sem estremecer ou pestanejar
Passar, passou

Como eu queria ter tido vontade de atravessar, te sorrir
e perguntar como anda você

Passar, passou
Tão rápido

Essas palavras foram me guiando até a entrada do supermercado
Precisou de tanto assim para lembrar

E sigo meu caminho até a próxima, quem sabe, forçosa lembrança
Que não faz dor e nem faz rir


Nesse instante em que transcrevo essas palavras de um papel
De um papel escrito entre geléias e copos descartáveis de um supermercado em Botafogo
No dia de ontem
Sinto uma emoção diferente
Sobre uma outra coisa
de olhos firmes
que faz gosto
gosto de filete de vinho no canto da boca

E percebo a falta de luz em todas essas palavras acima

Diante do meu de dentro, agora, transcrito, quem sabe, em outrora.

domingo, setembro 26, 2010

Carlaval astral

Pitombeira, Ribeira, Quatro Cantos... Te vi.
Te vi em quantos rostos diferentes eu pudesse imaginar
Parecia flerte
Cheguei a te quase falar
a te
a ti

Parecia a doida das lantejoulas em seu carlaval astral
astral
astral

prévia

essa prévia
prévia
prévia

não foi erro

de coração,

quinta-feira, setembro 23, 2010

Rio doce

Estranheza? Não

Voz. Respiração. Tum tum. Coração.

Abraço. Imaginário. Aqui. Lá

O bater forte das horas. No peito. Renascer


O sentir por uma invenção

De nome. De dentro. Lá fora

Tou chegando. Vambora

Sim ou não?

sábado, setembro 18, 2010

Quinteira




Ontem eu participei de um brainstorm onde o grupo teria que sugerir nomes para um mega pólo de tecnologia e cultura que vai ser construído aqui em Pernambuco. Como não se trata apenas de tecnologia ou apenas de cultura,o grande desafio era um nome que envolvesse tudo isso, remetendo ao Estado de Pernambuco, sem ser brega ou óbvio. Qualquer idéia era válida para esse primeiro momento, qualquer palavra, pensamento, desenho, qualquer coisa, inclusive as toscas, que, posteriormente, poderiam se unir a outras idéias.

Surgiu de tudo, de palavra que mais parecia pousada de praia até nomes precisos, se o brainstorm tivesse como objetivo decidir o nome de uma produtora. Guisado produções, Cacimba produções...(essas foram algumas de minhas idéias malucas).

Percebi que forçando é difícil e sabia que quando saísse daquele momento,daquela sala branca com cadeiras brancas, computadores brancos, iluminação branca e voltasse pra casa, iria acabar pensando espontaneamente em alguma coisa. Eu tinha a palavra quintal e semente na cabeça. Elas grudaram em mim. Ao contrário do que eu pensava, a idéia não veio, nem em conversa de mesa de bar e nem na mente.

Dormi.

No meio do meu sonho, estava em um quintal,dentro de uma sementeira linda... Era um lugar em que eu nunca estive antes, parecia com a minha Aldeia, mas era menor, o vento era mais seco e empoeirado de dia e parecia ser mais frio a noite, não sei, o sonho foi de dia. Tinha mais chão e menos povoado. Dentro do meu sonho, comecei a escrever um texto sobre o lugar e eu nomeei o texto de quinteira.

Acordei e lembrei disso, fui lembrando aos poucos do sonho... Fiquei tão feliz com esse nome, agora ele grudou em mim. Queria poder nomear alguma coisa com ele.

Por enquanto, nomeio esse texto e a empresa continua sem nome!



Obs: a foto não tem relação com o texto, ela foi tirada na minha Aldeia há duas semanas. Mas achei tão bonita e como não tenho imagem do lugar-astral-imaginário que eu fui...

terça-feira, setembro 14, 2010

Doc_ Eu tenho pressa_ Parte I




Tudo despertou com a história de Neilton, um jovem nascido e criado em uma das comunidades mais pobres do Recife: O Alto José do Pinho. Já tinha ouvido falar que ele era pintor, construía amplificadores de alta potência e que montou sua própria guitarra a partir de sucatas e materiais recicláveis. O mais incrível é que ele é autodidata em tudo o que faz. "Nunca vi impedimento em ter um bom instrumento, se alguém fez a primeira guitarra, por que eu também não poderia fazer? A galera da revista Trip veio aqui e ficou perguntando sobre a guitarra, já não agüento mais falar da guitarra... eu não fiz pra chamar atenção, fiz porque eu queria um instrumento e não tinha dinheiro", disse Neilton.

"Esse cara tem muito o que falar", pensamos. E realmente tem, o depoimento dele daria pra fazer tranquilamente um longa,cheio de detalhes, cuidado e cores. Neilton é de pura sensibilidade. Segundo Hugo Montarroyos, repórter e critico de música do site Recife Rock "Neilton é o Da Vinci da guitarra". E o camarada destrói mesmo, no bom sentido, claro!

Acontece que outras coisas foram chamando atenção e costurando em um lance mais amplo e instigante. Neilton toca na banda Devotos, que coincidentemente está em meio as comemorações de 20 anos de carreira juntamente com Cannibal e Celo.

Cannibal é uma figura conhecida em Recife, e, mesmo os que possivelmente não conheçam sua história, já devem ter ouvido falar alguma coisa a respeito daquele cara de dreads enormes e que, juntamente com Celo, idealizou a ONG e rádio comunitária Alto Falante.

Celo é o batera, e faz com suas baquetas um som pesado, um hardcore de raiz, verdadeiro.

O que nem todo mundo sabe é que eles são mais que meninos que passaram por dificuldades e hoje estão ai, é mais que uma história bonita, eles vão além de uma banda, são agentes sociais dentro de uma comunidade que conseguiu levantar seu nome a partir da música.

Hoje em dia as pessoas têm orgulho de dizer que moram no Alto, coisa que há 15 anos não era possível "Antigamente quando o pessoal tomava um taxi pro Alto, dizia que estava indo pra Casa Amarela, só quando chegavam na entrada do Alto é que avisavam, porque tinham vergonha... hoje em dia todo mundo tem orgulho de dizer que mora lá", fala Hugo Montarroyos.

O Alto saiu das páginas policiais diretamente para o caderno de cultura.

É claro que a marginalização ainda existe e que ninguém vive em contos de fada. Todo trabalho social e toda mudança só é possível a partir de um envolvimento coletivo, mas foram eles a raiz disso tudo, há muitos e muitos anos... Duas décadas para ser mais precisa.

E se os três juntos compõem a banda, por que não um documentário sobre a Devotos?

Então vamo nessa!

Te doy mis ojos





Queria que existisse a palavra inlingue, para que eu pudesse escrever esse texto só de olhos e coração, sem ser com letras, sem ser com a mão, sem ser em português, sem ser itálico ou em negrito. Queria um texto inlingue. Queria esvaziar todo o sentido de tudo que foi aprendido até agora e usar os olhos, apenas os olhos...


Os olhos não falam português, aramaico, japonês ou alemão
Fala só e somente a língua do coração

Seja daqui, acolá, do mato ou asfalto, azul, marrom,verde, amarelo, puxado, apertado, gordo,índio,remelado...Brilhoso, opaco, vermelho, borrado, desconfiado,perdido e achado, inchado,murcho,cheio,intenso,olheira, bonitos,feios...

Todos os olhos são bonitos, até os feios. Há beleza neles, principalmente os que curiosamente parecem tristes por apenas serem feios

Tem beleza ali. A beleza principal que é a de existir

O estrelado de Sofia, a malandragem no de neto, o brilhoso de Victor, o tenso de Marina, o intenso de Luis, o vermelho de Yan, o noturno de Eduardo e até mesmo o canadense de Samantha que pode ate pensar em inglês, Francês ou o escambau

Os olhos da cara, da sala, de Miguel e de Carla

Mussolini, Gandhi, Alá,Jah, Dostoievski, Tolstoi, Huxley, Sheakspeare, o Rosa Guimarães, chicos, Science, Noel, Caetano, Saramago, Tom, Vinicius, Powell,Ella,Louis, Dali, da Vinci, Adão, Eva, Aristóteles, Platão...

Plutão...

Não

Os olhos falam a língua só e somente do coração

Tudo tem olho, tudo teme. Treme. Geme. Volta. Tudo olha.
Atrás, na frente, o ambulante, a serpente, repente de repente, o refrão, a mente, mente, a lente (...)


Indecifrável poesia inacabada...
..
..


.

..

sábado, setembro 11, 2010

Menino...


Aquele primeiro olhar é o que agora me nomeia
E o segundo e o terceiro
E todos aqueles que a gente deu
Os que a gente não deu
Os que a gente ainda pode dar

Confesso que os que a gente não vai dar é o que agora, agorinha mesmo,
com dor no meio do peito, me nomeia
Todos os entres, entre um e outro.


Esse olhar noturno que clareia tudo em mim, clareia tudo aqui
Me vi translúcida
Voltando pra casa com um sorriso de presente no rosto
E no ouvido, essa voz tão doce
Tão certeira
Tão,

menino...

Fez vida
Como há muito não via


Tua calma é o que agora me nomeia
Teus agradecimentos divinos
E o floquinho quente da pele na pele
Ou do abraço que encosta o coração

Me esconder entre teu pescoço
Ser tola dentro do meu pacote de pão amarelo
Amarelo foram esses dias,

Amarelo sol


O teu cheiro, que é um descanso no acaso
É o que agora me nomeia
Uma poesia indecifrada
Disritmia no décimo volume

Ah, o teu cheiro...

O teu beijo é o que agora me nomeia
me nomeia aquele que a gente deu defronte a casa
Tava tão bonito, vento na cara
Alegria do encontro
Paz na alma

Teu sorriso é o que agora me nomeia
Tem cor de cor de cor de cor
De cór
Queria deitar nele e ser levada junto com as palavras



.

Não teve tchau e nem abraço apertado,
Não teve calma e nem cheiro,
Não teve beijo, não teve porta, não teve floquinho
Não teve nada

O destino as vezes nos é gentil
As vezes nos testa
As vezes

O destino é as vezes

Comigo,

Teu gosto de gosto
Tua cor de cor
Teu cheiro de cheiro
Teus olhos fundos
meus olhos marinhos
Agora
marejando nesse Rio de imprevistos

Mas eu gosto de rio

E eu gosto de você



As sinestesias nunca foram tão palpitantes,

menino...

.

sábado, agosto 07, 2010

Pentearam sem a permissão dos meus olhos


Aquelas flores amarelas caidas estratégicamente na cabeça do fusquinha branco em folha.
Era o que aliviava a paisagem cinza de estacionamento de prédio e onde eu fazia de conta que moro em casa. O senhor de bermuda vermelha penteou, assim, sem a permissão dos meus olhos, como quem faz favor.
Deixando limpo, limpinho. Sem flor, sem amarelo, sem casa, sem nada. Uma branquidão reluzente.

Ele mal sabe que o estacionamento agora, tem cara de estacionamento e só.

terça-feira, agosto 03, 2010

Um texto para te dizer, Marina





Faz uns dias que tento psicografar um pedaço de mim, que é você. Não tou conseguindo apenas juntar fonemas aos teus olhos tremidinhos de tensão e carinho, logo eu,que você tanto admira justamente por (pelo menos) saber usar as palavras com pouco pecado e firmeza, já que vacilo na fala, na lata. Acredito que justamente por isso, a precaução. Não queria decepcionar a quem já usou das minhas orações pouco analisadas na formação da palavra, mas palavras de sensações brotando na ponta dos dedos. Psicografar seria uma maravilha, para que fosse bem preciso os dias, as horas e até os anos. Os olhares e as conversas rotineiras. Os risos, os choros,as brigas e as tréguas, as piadinhas, as caretinhas, o Rio de janeiro e os teus denguinhos... Ah, os teus denguinhos... denguinhos de Mámá.





Queria todas essas coisas vistas por nós em um quadro bonito, a gente sentadinhas no chão com sensações de frango grelhado e o filminho passando com tons pastéis. Um quadro daqueles que cada um entende de uma maneira e a gente provavelmente entenderia igual. cada pedacinho.





Aquilo que é só nosso.





Em nossa homenagem, DISRITMIA tocando no último volume e as duas cantando loucamente.


segunda-feira, agosto 02, 2010

distração

foi indo, foi indo, florindo, fluindo, foi lindo, fingindo,

fugindo,

quarta-feira, julho 28, 2010

"Oh, desculpe!"

* texto de junho/10


Hoje deixei a rima de lado para escrever um pouco sobre o ato de constranger (ou achar que está constrangendo) e o de se sentir constrangido por uma coisa tão besta. É que eu tava andando pelas lojas americanas procurando 'meia invisível', foi quando uma senhora me perguntou se tinha massa de modelar. Eu, já sabendo que ela ia ficar constrangida em achar que eu ficaria constrangida ou ofendida por dizer "eu não trabalho aqui" , resolvi dar uma forcinha, fui no setor de material escolar e vimos juntas que não tinha.

Ela insistiu "querida, será que não tem no estoque?" e eu, de forma descontraida, falei que não trabalhava lá. Acho que piorei foi tudo, ela ficou envergonhada duas vezes, primeiro por eu ter ajudado sem ser funcionária e depois por ter sido insistente, até grossa e só depois ficar sabendo que eu não trabalhava lá e soltou um "oh, desculpe" com rosto vermelho. O tratamento mudou na hora. Era natural que ela pensasse que eu trabalhava lá, afinal, estava usando a mesma farda que todo o shopping, por sinal, uma blusa do Brasil horrível de mal feita.

Depois disso fiquei pensando porque isso sempre acontece. Todo mundo na vida já passou pelos dois lados e ainda assim a sociedade não superou esse ato besta do constrangimento. Fiquei pensando se era por conta de ser uma loja popular... e me perguntei se o mesmo aconteceria se por acaso você fosse confundido por alguém de um cargo mais elevado do que o seu. Se você ficaria 'ofendido' e se a pessoa falaria com tom constrangido "oh, desculpe".

quinta-feira, julho 08, 2010

jogadopeito

acontece que agora me deu vontade de te falar. ouvir tua voz. Telefonar talvez fosse moderno demais para mim, seria desafio e desatino. Não sei se conseguiria. Mas quis, aliás, quero no meu ouvido, todas aquelas palavras, bobas ou não.

As duas horas sentados em um colchão, com trechos de pernas se tocando fingidamente por acaso, como trechos de livro preferido. Que se decora. Eu te decorei. Delicia, deliciosamente.

-Sim, eu quero isso. Não sei ter isso, mas eu quero.

Querer não é suficiente, ter também não.

Não se tem. Não quero. Eu quero. Querer tanto assim. A guerra dos nãos. A guerra das mãos.
Mãos segurando o que escapa...

Me escapa e preenche.

No rosto, o vento frio e azul

me tem.

terça-feira, julho 06, 2010

24 de julho

Talvez ainda seja cedo para achar que faço parte da máxima "me divirto sem beber" mas já consigo tirar proveito disso tudo, o primeiro de todos é a saúde, na verdade, não me sinto mais saudável, mas o tempo vai me mostrar isso, afinal, acabei de sair de uma maratona de viagens e formaturas regadas a tudo menos a água.

Fazia tempo que não passava o mês de julho com cara de férias. Com relação a ressaca, nada melhor que acordar com a cabeça 100% e sem aquele cheiro deprimente de festa que já passou, ainda mais eu que tanto faz beber um gole ou um litro, o cheiro impreguina mais que rimel a prova d'água.

Bom mesmo é acordar pedindo praia e maçã gelada (daquelas que faz creck, prazer em estourar a maçã com a primeira mordida. E não as com textura de areia em bloco). O saldo também melhora ou pelo menos se transforma de ENGOV e BEBIDA para as boas comidas e o dinheiro reservado para as boas comidas, transfere para idas a praia e o dinheiro da praia a gente guarda para alguma viagem que não cabe nesse orçamento ou para alguma surpresa. Adoro surpresas!

Uma boa tatica para quem não é muito de refrigerante que nem eu, é se manter na base da água e do "mais gelo, por favor". O gelo derrete e se transforma em mais água. Um ciclo infinito e vicioso que pode durar a noite inteira e apenas o garçon notar. Essa tatica é bem válida para rodízios que de danadinhos que são, superfaturam no preço de simples refrigerantes que são iguais no Zen ou em Abelardo. Mentira, os R$3 extra de cada lata, são referentes ao gelo e limão, claro!

Por enquanto é isso, quem sabe depois eu não escreva sobre a experiência de estar sóbria entre amigos alto falantes que tenham passado meia hora rindo por conta de algum comentário que só teve graça no mesmo minuto e que, aliás, ainda nem sei se teve mesmo graça. Ou posso fazer uma análise dos detalhes que passam desapercebidos por um corpo e mente em plena ebulição do devaneio e desvairio alcoolico.

Tin tin!

sábado, julho 03, 2010

Rio 21 graus

10:52h

Queria casar com esse clima: friozinho gostoso com sol de praia!

sábado, junho 19, 2010

Sobre você

Moço bonito, eu poderia passar dias a fio escrevendo sobre a malandragem infantil que te cerca. O emaranhado dos teus cabelos e teus olhos de rio, mar-amar. É que também sou boa de memória, sabe? Me arriscaria a discrever o teu beijo que é doce e quente, que é fogo e lento. Fogo lento, queimando por fora e por dentro. Tua cor de sol, teu sol no coração e nas mãos... mãos firmes. Poderia ainda falar sobre a tua voz que pouco lembro do timbre mas sei do tom, um tom cheio de manha e vontades. Vontade de vida, de mundo, de risco.

Eu poderia tranquilamente, sem te conhecer, falar sobre você.

segunda-feira, junho 14, 2010

Último apelo

O não te ver tantos dias causa uma doermência tão burra e acostumada quanto te ver esporádicamente, tentando, em vão, retomar alguma coisa que parou e que para sempre no mesmo ponto. No mesmo ponto, sempre deixamos engatilhado para o depois, mas o depois vira tempo perdido e se esquece do antes. Ficamos feito dois semi conhecidos em dia de natal, dando alguns votos de felicidade e olhares perdidos durante o jantar... Preciso te dizer que a solução é drástica, amigo querido: não mais te ver ou te ver mais (inclusive deixo você escolher), mas te ver médio, te ver festa-de-fim-de-ano, te ver olhando de lado, assim, tão assim... Não dá, você é mais que isso, somos mais que isso, e se não consegue de uma vez por todas entender essas coisas, me dê tchau, assim, um tchau sem pena. De colegas de fim-de-ano você está cheio. E eu estou cheia desse teu chovenãomolha. Com todo o meu amor, ainda que antigo, novinho em folha.

sexta-feira, junho 11, 2010

em todo lugar



Por eles, é um amor que toma de assalto um pedaço imenso do meu cerebelo. Hoje me lembraram que essas coisas que a gente acha que sente no coração, é o cerebelo que a gente não controla. E com esses ai eu não controlo coisa alguma, quanto mais essa palavra feia. Cerebelo dá a impressão de criança que não sabe falar cérebro... né?


*Foto antiga, sofia ainda não tinha cabelo na lateral... mas já era linda, linda!

quarta-feira, junho 02, 2010

anoiteça, amanheça

Foi através dos olhos brilhantes que se enxergaram naquele mundaréu místico e as vezes calculista que se chama mundo. Com cuidado, tateavam o minuto seguinte, o próximo palmo, o segundo passo, como gato jogado em quarto escuro. Tinha cheiro bom, tinha cheiro. Eram quatro olhos, duas direções. E como quatro rios, desaguou no coração de Tarsila. -Já estava na hora, mentalizou. se mentaliza em itálico ou apenas na fala? que importa. Era ela, Joana, quem quebrara o tabú em silêncio e aos bocados liberava pequenas porções de verde escorrendo nas duas. O choque dos verdes. Era demasiado gentil que Tarsila correspondesse com um sorriso, guardanapo escrito ou olhos marejados, marinhos... marinhos e esticados - cheios de uma profundeza curiosa, de um mergulho ao danúbio, viagem pelo caminho-labirinto, falta de ar, se achando, por vezes se perdendo... sendo resgatado pelos grandes olhos de Joana. Os olhos mais gordos, mais verdes, mais amedrontados e cheios de amor. Cheios de um amor que diz vem. Que diz vai. Cheios.

Olhos que se completam, enfim,o amor.

* Eu tenho uma vontade vadia e quase que infantil de colocar as duas no mesmo lado do peito e fazer uma viagem de três dias pelo infinito...

quinta-feira, maio 27, 2010

lua

Noite vazia e silenciosa, musicando os poros. Lua percorrendo rosto,percorrendo pernas,percorrendo música. Som de música e respiração. sem eco. Qualquer pensamento dando um aú na cachola. Tanta coisa. Coisa nenhuma. Gotas de chuva entre sins e nãos. Não chove, não para. Uma paz tão íntima que por um isso é quase triste,

não fosse tão necessária a solidão.

quarta-feira, maio 26, 2010

O meu nome

É verdade, às vezes me sinto atrevida quando perguntam meu nome e eu, na cara limpa digo: Anete. E digo sem medo de parecer nova demais para isso. Quando criança tinha um pouco de vergonha mas não tinha como esconder, na hora da chamada os professores não aliviavam: "Anete Carla?". A carteira de estudante, tabuadas, ditados, homenagens ou qualquer outra coisa pública, sempre me entregavam e meu rosto ficava tímido-quente. De fato, eu era menina demais pra carregar o fardo de ser Anete, assim, tão de repente. É que nem uma bêbê, sem aviso prévio, se chamar Vera ou Carmem, não dá. E bem sei: Anetes, Ivones, Lourdes, Veras, Carmens, Amélias, todas elas, já deveriam nascer com pelo menos 58 anos. Eu ainda não tenho idade e nem vivência pra merecer esse nome. É parecido com moço broto usando barba, não é para todos. O mais engraçado é que sempre me fazem perguntas como uma forma de me testar, pra ver se é esse mesmo o meu nome. Certo dia, chegou um colega perguntando: "Teu nome é de origem judaica? pois a única Anete que conheci na vida tinha sobrenome de judeu e tinha uns 100 anos". Isso aconteceu no mesmo dia em que uma menina me perguntou se eu tinha descendência indiana, pelos traços. Era informação demais pra uma Carla qualquer. Com relação ao indiano, eu saberia responder: minha família era um misto de índios com sírio libaneses e ela possivelmente achou que eu fosse meio indiana por conta de algumas roupas e os olhos "gordos no centro, porém, esticados". Ouvi isso a vida inteira. Pior era um namorado que tive, vez por outra dizia que eu tinha uma beleza excêntrica. Até hoje eu não sei se isso era bom ou ruim. Mas sobre Anete, meu nome, não saberia dizer. Lembrei de uma amiga falando que era o nome de uma flor, mas preferi não arriscar, depois ele perguntava sobre a flor... E respondi um "não sei", dissimulado e verdadeiro. Percebi de imediato o ar de decepção no rosto do garoto. Logo tratei de descobrir um pouco mais sobre meu nome. Anete é de origem francesa, simples assim. Anetes são teimosas, criativas, carinhosas e sinceras. Foi o que disse o texto. Bom, tenho até meus 58 anos pra descobrir mais coisas e poder, finalmente, merecer e envelhecer com Anete, Carla e quem mais aparecer.

segunda-feira, maio 24, 2010

E agora, Budapeste? ou A hora do tchau

O rádio-relógio apontava três horas da manhã. As três horas mais remoidas e rápidas e doídas e esperadas e esquisitas e aquela coisa toda de todo aquele ano que passou. Uma confusão só. 'A gente se preparou para isso, lembra?' Tentei me segurar nessa frase dita tantas vezes como forma de convencimento ou consolo, apesar de sempre ter minhas dúvidas sobre esse preparo todo, tenho a impressão que a gente se preparou para gostar e não pra dar tchau, enfim.

A única vontade naquele momento era de olhar o outro o máximo que pudesse, todos os minutos que ainda faltavam, pra decorar o lugar de cada pintinha, cada fio de cabelo voando pelo rosto. Foi a maneira que escolhemos para matar a saudade, se por ventura viéssemos a sentir. Deitamos de lado, um de frente para o outro. Nossa respiração estava mais baixa, respirávamos o ar do outro, o ar dele entrava pelos meus olhos secando as gotas recém formadas de forma conveniente, afinal, nunca haviamos chorado.

Ele começou a lembrar de histórias e aventuras e conversas -Lembra de quando a gente tava doente e você falou que tamo junto na saúde e na doença? -Lembro, até que Budapeste nos separe. Engraçado, a gente achava graça em tudo. -A gente vivia correndo ou na chuva ou pra pegar o carro. -Você achava estranho meu jeito calmo irritado -E você é muito impulsiva, ainda hoje -E você que parou de tomar coca-cola? Quem diria -E você ainda fala o que não deve quando bebe -Quando bebo coca-cola? -Não,né. -A gente contava tanta mentira. -É, a gente mentia demais. -Ah, então era mentira quando você disse que? -Não, nem tudo. -Era sim. -Não era.

Três e meia da manhã, o relógio disparou. Era estranho pensar que já estava na hora. Mesmo sabendo que ela ia chegar, não tinha como fugir daquele bolo instalado no meio da garganta. Ele ligou para o taxi enquanto eu mentalizava que demorasse a atender ou que não atendesse, mas foi de primeira "teletaxi, Rosana, bom dia", é sempre assim, se fosse na noite de ano novo, no carnaval ou no dia em que eu estava na rua, doente e embaixo de chuva, Rosana não ia atender com toda essa presteza e rapidez. -Puta! Pensei em voz alta. -Rosana filha da Puta, ele respondeu.

Enquanto o taxi não chegava, a gente discutia sobre ir me levar no aeroporto. Eu não queria que ele fosse e ele disse que ia e eu disse que não e ele que sim e que não. E quando vimos, o taxi já estava buzinando, sem o mínimo de piedade ou de consciência a respeito daquele instante mais carregado que arma. O coração ficou pequeno, os dois. Nos olhamos, respirei fundo. -Acho que perdemos esses últimos cinco minutos inventando desculpas ao invés do abraço forte. -Então me abraça. O taxi voltou a buzinar, dessa vez com mais impaciência. Entrei no carro, ele se virou e seguiu pra casa - talvez para o bar, vá saber- em passos lentos. Nos poupamos do adeus por olhar que dói tanto.  Percorri o caminho para o aeroporto pensando que tivemos vários cinco minutos durante todo esse tempo, todo esse ano. Eu sei que ele também pensou isso.

Provavelmente choramos o nosso primeiro choro juntos, separados.

segunda-feira, maio 17, 2010

bem na mão ou o bem na mão


A cada dia me convenço mais que o coração do homem mora nas mãos.


Mãos que acariciam, amparam e dão adeus. Sim, é lá que ele habita e é bem no centro de cada uma.

As vezes transborda para os dedos e um pouco para os pulsos. Quando eu toco uma na outra - em cada detalhe - tenho certeza.



Repare nas mãos... elas nunca sabem onde pousar
Ampare as mãos, um dia você há de precisar
Apare as mãos para não se entregar
Prepare bem as mãos quando quiser amar

terça-feira, maio 11, 2010

Nosso lar


1. Pessoas dividindo o mesmo teto, as mesmas angustias e vibrações. Não apenas por obrigação, tenho a leve impressão que se cada um deles pudesse escolher os 4 membros pra compartilhar de toda essa loucura que é viver, ou melhor, que é viver nesse nosso mundo, teriam eles, se escolhido. Aquela casa, aquelas cores, aquele cachorro que mais parece gente. As molduras e blocos esculpidos com uma perfeição esquisita. Feitos pra se olhar quantas vezes o tempo permitir. Aquilo tudo me remete passado, um passado antigo e não velho. Pessoas sérias que por baixo da voz tensa, guardam um enorme coração. Guardar não é esconder. Eles não escondem, apenas guardam. Não existe o medo de ferir ou sair ferido, costumam ir até o fim. Por sorte sabem que o fim tem direito a perdão e amor. Por que aprenderam desde sempre que se precisam, que se amam, e,mais que isso, que gostam de sentir essas coisas. Ao contrário do que parece, naquela casa quase não havia espaço para festas e grandes comemorações. Conhecendo paralelamente cada um dos membros, que juntos formam uma família, fica quase impossível acreditar nisso. Mas era assim. Dizem que por terem uma luz tão forte cada um. Uma vibração tão potente, que juntos, não sabiam como administrar isso. Tudo intenso demais, tudo pra sempre ou nunca mais. Ora amor, ora dor. Mas a luz de cada um permanecia intacta. De toda forma, eles se escolheriam. Sim, se escolheriam. Por que o apesar das coisas fazia parte daquilo tudo. Sem os apesares e os pesares, não seriam eles quem são. Não seria ele o patriarca respeitado e admirado e nem ela um beija flor que dança por entre todos, em busca do entendimento. Não seria ele o doce garoto, responsável, protetor. Não seria ela a causadora de amor involuntário, de pulso. Enquanto um pesa o outro flutua, tem espaço pra tudo.

- Eles se completam, disse ela baixinho.

2. Tenho tanta propriedade pra falar dessa família que fico sem jeito. É tudo tão profundo, é tudo tão expansivo e detalhado. Cheio de retalhos, de emendas. Os corações foram costurados com fios de ouro várias vezes. É tudo tão tão, que fico sem saber como falar. Na verdade, eu sei que toda família é assim. Mas como tenho intimidade demais com essa, fica tudo maior. Principalmente quando visto de dentro, sem uma grandeangular pra me ajudar. Mas o que importa é onde tudo isso, toda essa loucura nos levou e nos transformou no que somos hoje. Cada um. Família precisa morar junto pra ser família?? Acho que o pai dos burros não entende que esse significado é obsoleto. Talvez eu precise inventar uma nova palavra para o meu estilo de família. Mas no final de tudo isso, tudo o que me restou foi uma imensa soma de afetos, maior do que quando eramos a familia do dicionário. Eu precisei da distância pra medir o tamanho do amor pela minha mãe. Foi quando conheci na pele e na vera o real sentido da frase "amor de mãe não se mede". E precisei da decepção pra saber que o que eu sinto pelo meu pai é mesmo amor. amor simplesmente por amar. O amor mais puro. Com meu irmão as coisas não mudaram muito. A saudade aumentou e ficou mais gostosa. Ele sempre vai ser meu exemplo. Eu continuo querendo ser ele quando crescer, o problema é que eu já cresci, os 4 anos de diferença já não contam como desculpa. O outro vai ser sempre o meu desafio. Ele tem medo de amar só por amar. Acho que ele precisa de porques, de explicações e motivos concretos. Eu achei que nossa história, por sí, já era um motivo. Tenho o resto da nossa vida pra conquistar isso ou tentar entender. E no meio disso tudo, ainda paguei a lingua. Sempre acreditei que não se ama a primeira vista. Pois eu amei alguém com uma rapidez recorde. Nunca amei alguém tão rápido em toda vida que nem minha sofia. Quando eu coloquei ela no braço pela primeira vez, ainda no hospital, senti uma coisa estranha. Uma vontade de chorar e de agradecer, assim o fiz.
Não é convencional, mas é essa a minha família.

3. No início, parecia estranho pensar que eu sou adulta. Pensar e agir como adulta. Ainda sei pouco sobre, mas tou aprendendo dentro de cada descontrole, de cada conversa, de cada dia. Pela primeira vez estou construindo uma família e não apenas fazendo parte como sempre foi. Não existe o pai, a mãe, os filhos, o marido e a mulher. Mas existe a gente e somos todos. O nosso casamento. O casamento dos três. Na verdade, o meu com vocês que cheguei de intrusa querendo fazer parte de pedaço do coração. Não quero fatiar um pedaço pra mim, não sou gananciosa, mas o pedaço que for, eu quero sincero. Acho que a gente conquista isso um pouco mais a cada dia. Nós três estamos nos preparando para o mundo. Parece besteira, mas algum dia, mais que hoje, a gente vai pensar no quanto isso foi importante. No quanto esse início de vida adulta e compartilhada foi decisiva para muitas outras coisas que venham a aparecer. Tem uma morena bonita que me disse que outra morena bonita tinha a fórmula da felicidade. Amar o defeito do outro. Ter a sabedoria de tentar mudar o que pode ser mudado e a de aceitar o que não pode ser mudado. Sempre achei que amar as virtudes é papel fácil demais. Mas nunca tinha pensado que amando os defeitos eu poderia ser feliz. Clarice que dizia que é na soma das incompreensões que se ama verdadeiramente. Vocês me fazem ter mais certeza a cada dia que essa fórmula é possível e é saudável.
Minha família. Minha primeira família, nosso lar.

quinta-feira, maio 06, 2010

Nove de maio antecipado. Ansiedade,sabe?


Eu não sei se vim falar de samba, de mãe ou de Ana. É que apesar de três coisas, vivem se misturando e me jogando em uma mandinga diferente. Coisa de gente. Aquele samba de partido alto, no Alto de qualquer lugar. Sempre eleva, é leve e faz prece, me aproxima de você. Mãe de mim, mãe do fundo. Fundo de um peito maior que barriga de mulher grávida. E ela vive grávida. Carrega o mundo dentro dela e vai soltando vez por outra, cheia de charme e amor. Mãe de mão, mãe dos olhos. Ela me enche de qualquer coisa a mais. Qualquer coisa que transborde e faça sonhar, qualquer tanto que faça crer em um mundo menos ordinário.


Um feliz dia, o teu dia. E, apesar de tantos quilômetros e um marzão separando nossos corpinhos, seremos sempre os três filhos: quatro amores em uma só canção.


Com todo aquele sentir e as caretinhas bregas de amor,


Maloca.

segunda-feira, maio 03, 2010

'E do meio do mundo prostituto, só amores guardei ao meu charuto'

'último conselho: Quanto mais devassidão no quarto, mais respeito e cerimônia na sala e na cozinha. Mas é preciso, repito, haver amor, sem amor o orgasmo causa sempre um imenso enfado misturado com tristeza"
- Se eu fumasse, decerto acenderia dois cigarros de filtro amarelo. Um atrás do outro, e, em seguida, arrumaria uma desculpa qualquer pra te mandar embora.
Só aturaria teu rosto pedindo bis quando de tão carente, te chamasse novamente.
(e o pior, você vinha) -

sexta-feira, abril 30, 2010

sobre endereços e cartas

Pessoas escrevem o que nem sabem, e, sem saber, continuam escrevendo. Juntando fonemas. Espremendo,colhendo,catando,por vezes inventando amor, afeto ou qualquer outro sentir materializado dentro de um papel. Um, dois, cinco. Folhas inteiras preenchidas de letras.A madrugada e a bebedeira passam. Muitas vezes nem tem bebedeira, só a loucura ou a perfeita sanidade. No outro dia o papel é rasgado. Isso acontece com a tal da Clara, da Joana,da Maria e até com o tal. Comigo não. Eu remeto, remeto sempre. Mas é preciso admitir, a pessoa que recebe corre o risco de ler excessos, de ler momentos. As vezes crio caso e histórias se elas por ventura ou aventura não existirem. Nem sei quantas vezes as palavras me conduziram e não eu a elas. Tenho necessidade disso, essa é a água que mata minha sede. E eu nem me importo com a repercussão que pode causar. Eu gosto que achem a mais ou a menos. Pra mim, a dúvida e o mistério moram na carta remetida, no bilhete enviado e não o contrário. E também, como é bom depois de anos poder pegar naquele papelzinho novamente e sentir um calor por dentro, um incomodo que elevará o pensamento por instantes que podem até durar um dia inteiro. Certa vez, depois de ter mandado uma dessas coisas que a gente escreve com medo de entregar, deixei claro logo depois do retorno:
"Queria ser a dona do acervo do mundo das coisas não remetidas. Imagine só a danação: cartas de amor,de ódio, desculpas e declarações, em várias linguas diferentes, com várias assinaturas distintas,letras opostas, cores de tinta e a força da mão no papel: uma leve, outra cruel."


Eu queria ser dona desse acervo o qual não faço parte.

quinta-feira, abril 29, 2010

fragmento de um todo

(...) e começa com o ingênuo apoio de uma perna na outra. Para dar continuidade, os braços fazem laço apertado, folgando de vez enquando, trazendo a noção de movimento e presença - eu tou aqui - A luz azul da Tv, sem que ninguém diga, vira programação secundária, mas é nela que a gente se assegura em ter uma razão para estar ali. As vezes usamos de mais coisas: Pipoca, chocolates, líquidos, filmes. Quanto mais coisa, mais o tempo é usado com desculpas. A aflição começa a aparecer junto com o rosto fugindo, fingido por tanta coisa e coisa alguma. Ou pelo rosto fingido, fugindo por tanta... A gente não percebe, mas de fora, pode-se notar a respiração forte percorrendo o pescoço com cheiro bom, dedos descobrindo costas por baixo do pano e o drible dos olhos. Os cabelos longos e emaranhados dificultam o recuo com o ombro e logo o desespero interno: Um correr não concreto.

sexta-feira, abril 23, 2010

sem título


É que tudo é sempre por um triz. Parece estranho, mas por vezes, eu bem que gosto dos nadas...

carla alencar

quinta-feira, abril 22, 2010

Vacina H1N1

O capeta entubado deslizando venenosamente pelo meu braço.

só pra descontrair (Fila do posto de saúde)

Mulher- 'ô moça, onde fica o final da fila?
carlinha (depois de uma breve olhada para o final) - "Err.. no final da fila"
mulher - "É, né? (riso sem graça)

sábado, abril 17, 2010

Impulso e reação

Essa semana, um amigo tava me dando aula sobre impulso e reação. É que eu tenho um pouco de problema em ser pega de surpresa (feliz ou triste) e fico sem saber como reagir. Bom, ele disse que o impulso é inevitável, mas que a reação pós susto pode ser controlada ou feita da forma certa. Eu fiquei sem entender pois se levei um susto, foi por justamennte não ser acostumada com aquilo, então, como fazer? Ele disse que precisa de uma auto-análise, usar os pensamentos de antes de dormir para isso, criando situações e saber como sair delas. Mais produtivo que ficar pensando em paixonites. Eu achei válido... Mas ai ele me pegou sem reação de novo, afinal, não sei qual a forma certa de reagir, aliás, existe fórmula certa? Ele me explicou que segundo alguém que ele estuda (que me escapou da memória agora), com o tempo, até o impulso pode ser controlado.

Pois é, pensando nesses pensamentos, percebi que sou o contrário disso. Consigo controlar o impulso e a reação fica toda doida.

é assim: impulso, de tão louco, fica no zero. E depois reação, reação, reação, reação. Quase sempre com mil falhas.

Acho que ainda preciso de muitas auto análises antes do sono pra aprender essas coisas,né?

sexta-feira, abril 16, 2010

alegria é isso!

Open bar da skol beats e todos estavam trajando branco.

Carlinha- Eita, tá atrás de tu!
T- onde?
carlinha - De branco,po!
T- E tá com uma skol beats na mão,né?
carlinha - ISSO!

hahahahahahahaha

quarta-feira, abril 14, 2010

Quanto mais merchan, menos merchan!

Eu tava aqui pensando: não é novidade que os programas de televisão e os apresentadores tiram a maior parte da renda com os merchandising. Ok, mas tem alguns que exageram! Cardinot, por exemplo, faz em média 15 merchans por programa. Tudo bem que o público dele vai continuar fiel e comprando no super mercado arco-íris de todo jeito, mas há limites. Nem todos tem o prestígio que ele. (nunca pensei que fosse colocar prestígio e cardinot no mesmo texto, mas é isso mesmo! o cidadão tem um prestígio que poucos tem. Já soube de vezes que os bandidos chegaram, chorando, se entregando pra ele (e não pra polícia)). Enfim, isso é pra quem pode,né? Antes que eu mude o titulo do post para Cardinot,voltemos ao foco: O fato é que se o programa tem anunciantes demais, o público começa a mudar de canal e a audiência cai. Dessa forma, com a pouca audiência, os produtos começam a sair do programa.

Então, qual a fórmula?

terça-feira, abril 13, 2010

[...]

(...) na verdade, foi feliz. A gente ficou horas em silêncio, só aproveitando alguma coisa que eu nem sei o nome. Vocês me entendem? Com o perdão de vocês, toda culpa se torna um fardo tão leve, tão leve, de forma que eu possa dizer que foi o melhor aniversário dos últimos anos. Por tudo. Por cada coisa.




'Num deserto de almas também desertas, uma alma especial reconhece de imediato outra — talvez por isso, quem sabe? Mas nenhum se perguntou. Não chegaram a usar palavras como "especial", "diferente" ou qualquer coisa assim. Apesar de, sem efusões, terem se reconhecido no primeiro segundo do primeiro minuto. Acontece porém que não tinham preparo algum para dar nome às emoções, nem mesmo para tentar entendê-las'. Caio f. Abreu

quinta-feira, abril 08, 2010

Volver

Ontem eu tive a certeza do que realmente significa isso. No último segundo do último minuto, abri um e-mail que nem uso, e lá estava! Palavras juntas, várias delas, querendo me fazer voltar ao banquinho e ao cheiro daquilo tudo, daquela paz e calmaria. Daquela coisa que lembra amor sem ser. Encanto, garganta. Uma semente bem cuidada.

O título do e-mail era "volver".

Pessoas retornam em épocas distintas, outras nem chegam a voltar. Então quando isso acontece, quando é possível se encontrar ao mesmo tempo, fazendo daquele banquinho o nosso telefone: a viagem acontece. Tão natural, tão leve. Que consigo ouvir o barulho da chuva, fininha, lá dentro
(já que fora não chovia).

E isso me fez lembrar saudade. A minha saudade anda diferente. Sempre tive saudade de coisas que não vivi, pior, de coisas que ainda vou viver, dos filhos que ainda nem tenho. Saudade do momento presente.

É assim: Tou vivendo alguma coisa nesse segundo que é tão boa, mas tão boa que já fico com saudade durante. Sempre foi assim, meio melancolia.

Agora mudou um pouco de sentido, virou coisa absurdamente boa. Virou dia a dia, eu sinto necessidade de sentir saudade. E é tanta gente e coisa e hora e tempo que vira um misto. Um misto quente, quentinho e gostoso. Eu não banalizei, apenas transferi de nome. Tou pra inventar uma nova palavra que signifique essa saudade convencional de tudo que fica daquilo que não ficou. Foi a maneira que achei de fazer de uma coisa que nem sempre é boa, feliz. Apenas feliz.

Minha vontade também é de inventar outra palavra para amor, mas ai já é conversa pra outro post!

Bom, por vez, saudade virou sentido, turbina e esperança.


segunda-feira, abril 05, 2010

Pra não perder o tom do afeto em palavra

Então fica combinado assim: Entre tantos combinados, eu sou o responsável por escrever sobre o não falável.

Sobre os entres, entrelinhas.

Os segredos e afins de uma estória que não aconteceu e nem vai.
Não vai para o mundo e nem pra você e nem pra mim.
Em mim, por mim. Talvez.

Tal
vez eu possa vir aqui, quem sabe, falar sobre o peso do teu braço e do teu sorriso.



A força de tua perna
E os olhos bem encaixados sustentando o firme arqueado

Os olhos que.

- É que tem rio fundo nele. Caminhos, ensejo quase vadio de mergulhar olho adentro, afora dos meus. Quase susto em um quase assalto. - que passa.

Eu também vim lembrar sobre os cinco minutos de abraço, o cheiro, a lua, carinho, a pele, respiração e a hora do tchau.

Hora que oscila entre bendita e maledita hora.

Vim falar sob, sub, sobre.

Sobre você.

segunda-feira, março 22, 2010

Urca


De noitinha
paredão
poema
pés balançando
no saculejo da cerveja
da praia
o barquinho
luz,
da vela
mulher morena
que passa
e fica
na Urca
nas casas
as ruas

o amor


Carla Alencar

domingo, março 14, 2010

dream a little dream of me


Essa cidade saudade me causa uma coisa estranha no dia de ir embora. Poema. Parece luto. Choro guardado no peito. Meus olhos ficam diferentes, eu sei que ficam. Abraço todo o Rio de Janeiro em um segundo, para sentir o tudo. Eu não consigo fechar os olhos. Eu não durmo só pra ter a certeza que tou respirando aqui mais uma vez. E o coração faz tum tum. Faz lembrança...

terça-feira, março 09, 2010

Um barril de chopp!



Esse lugar podia ser poeticamente chamado de barril de chopp ou de cerveja ou de brahma. Caramba, você não consegue passar um dia que seja livre dessa bendita!


Temperatura: 26 graus, mas chegou a 39 durante o dia! E eu fiz parte dessa tostação.


Ensolação? Alegria, é esse o nome.


sábado, março 06, 2010

O Rio é isso!


Hoje foi dada a largada! O sol decidiu abrir daquele jeito que é mais mormaço que sol de fato, mas já valeu. A água tava mais fria que o normal , também pudera, depois de dias no frio não podia ser diferente. A tarde fui no Centro, dei aquela velha volta e terminamos no teatro (no esquema do projeto que expliquei no post anterior a esse). Vi uma peça bonita, "O amante do girassol". Na verdade fiz tanta expectativa sobre ela que esperava mais, porém, não impediu que ganhasse o posto de bonita.

O fim da noite já estava chegando quando meu irmão ligou chamando para tomar uns chopps na lagoa. Como boa irmã obidiente, fui!

Definitivamente, o chopp da brahma é o melhor.

Isso é Rio de Janeiro!

Temperatura: 24 graus.

Ps- Como estou sem o cabo da máquina, assim que pegar com meu irmão (acredito que amanhã), eu posto foto para dar mais brilho aqui, mesmo que atrasado!

quinta-feira, março 04, 2010

Star Palco



Aqui no Rio existe uma associação de teatro, a Star Palco. Pagando uma mensalidade de $30, o associado recebe uma revista mensal com as melhores peças em cartaz, tendo direito a entrar de graça e com um acompanhante. Algumas peças tem 50% de desconto mas a grande maioria fica 100%. No final das contas você ganha uma média de R$ 240 reais em ingressos por mês. Bem que Recife podia fazer alguma coisa assim,né?


Hoje eu estreei, junto com mamãe, a revista de março, é tão boa a sensação de chegar na bilheteria e pegar meu ingresso assim, de graça! Assistimos "Sorria, você está sendo roubado", muito bom... me acabei de rir , um elenco de 60 atores e cheio de sacadas interessantes (e olhe que sou chata para comédia).


Bom, enquanto a chuva não passa, vou ao teatro todos os dias, amanhã tem mais! :)


Temperatura: 23 graus, tá melhorando!

quarta-feira, março 03, 2010

Rio 20 graus

Preparei minha mala cheia de shorts e camisetas por conta do calor que minha mãe e os noticiários não paravam de falar. Ela passou o mês de fevereiro contando que a maior diversão eram as filas de banco ou chegar duas horas antes nas consultas médicas para poder curtir o ar-condicionado (ela falou sério).
Quando bem chego, o tempo tá frio e 'com leves pancadas de chuva', parece que é até amanhã e a sorte é que viajei de calça jeans para "qualquer coisa", ainda bem,né?

Mas nada vai impedir o meu bronze do verão, afinal, tenho duas semanas para trazer o sol de volta. Agora é torcer!

quarta-feira, fevereiro 03, 2010

... e pronto!




'Só serei flor quando tu flores no verão'

terça-feira, janeiro 26, 2010

Sobre danças e palmas







Há dois anos anda acontecendo algo triste com meu entusiasmo para assistir apresentações de dança. Na verdade não é com os instantes que antecede, pré-entusiasmo eu sempre tenho. O problema mora na emoção do momento e nas palmas de verdade, daquelas que a gente faz questão de bater de pé, cheia de felicidade e com um sorriso grudado na bochecha ,e, claro, as lágrimas (embutidas ou desvairadas, não importa).



Houve um marco decisivo para isso. Como se fosse o antes e o depois da queda do muro de Berlim, e,para mim,esse marco foi MOMIX. Um verdadeiro espetáculo que veio para Recife em 2007, e que, graças a Deus, a pirangagem não me deixou desistir. Era coisa de sessenta, setenta reais o ingresso. O investimento mais bem pago. Os personagens eram cenário, iluminação e bailarinos ao mesmo tempo, se transformavam em coisas e cenas inimagináveis. Foi lindo,encantador mesmo.



Antes de momix, qualquer pirueta com uma boa música de fundo arrancava minha atenção de um modo estrondoso. Depois de momix, isso nunca mais aconteceu! E olhe que eu passei por algumas provas de fogo que poderiam me destraumatizar para sempre. Eu estive presente,por exemplo, na estréia do último espetáculo de Deborah Colcker no Theatro municipal do Rio, na condição de aluna do seu grupo ,e, mesmo com tal envolvimento, QUEN. Nada. Nadinha. O maior salto que meu coração deu foi logo na entrada quando notei que, semi-atrasada e sem chances de voltar em casa, eu era a única que estava de jeans e tshirt enquanto todos estavam de longo e empaletados.

É, talvez seja esse o meu medo de entrar em um grupo de danças e me envolver com uma coreografia mediocre e sempre tão igual. Dá a impressão que só pode haver superação em algum espetáculo que seja contemporâneo, onde pode misturar, endoidear e desendoidar para ver se arranca expressões de surpresa do telespectador, mas acontece que essas repaginadas sempre acabam nas mesmas batidas ultrapassadas, esse é o maior inimigo.

Por vez, o que me faz sentir viva são as danças da terra, de pé forte no chão. Que apesar de não passar (ou quase nada) por processos de mutação, sempre causam arrepios, talvez pela tradição.



Anete Alencar