quarta-feira, dezembro 21, 2011

Enquanto isso...

Andando pela cidade: tarde corrida
Olho prum lado, olho proutro: quanta gente
Olho pra dentro e vejo um coração que sente
Vonta'de ficar com você por toda vida
I.S

enfeite natalino da porta de casa!

segunda-feira, dezembro 19, 2011

Vai com as outras, e, se puder, não volte aqui

Maria era toda preenchida de mundo e vazia de lembranças. Dentro do seu corpo fino e de ombros largos, por conta da natação que praticou durante a infância, não havia espaço para um balãozinho que fosse remetendo ao seu passado. Com Maria não tinha disso. 


Maria era toda compacta, hi tech e enfeitada de iphone, ipod, ipad e imac. I tudo. Aliás, não havia frase de Maria que não iniciasse com I alguma coisa. Com I, eu, comigo ou aqui. 


Maria não lanchava misto quente, salada de frutas ou pudim. Só pedia yogoberry, yogofruit ou yogofrozzen. Maria não aparava as pontas dos cabelos, ela arrasava. 
Maria assiste aos filmes em blue ray mesmo sem saber do que se trata.


Maria comprou uma câmera daquelas bem grande que não sai do automático. Seu cabelo era lindo, luminoso e cacheado, mas por conta da novela, mudou o penteado! 
Maria ganhou uma caixa de bis, me deu dois e deixou de lado. 


Deixar de lado, era isso que regia sua vida. Tudo descartável, substituível, efêmero. O namorado deixou de lado, os papéis de carta, as cartas. A primeira amiga, o telefonema de aniversário. 
De lado deixou também o dom de sorrir por coisa besta, apesar de falar besteira o tempo inteiro. 


Maria não vai à padaria sem antes passar um corretivo nos olhos, mesmo não tendo para quem olhar. 
Corretivo nos olhos, para os olhos. Era disso mesmo que Maria precisava.

quinta-feira, dezembro 15, 2011

Engraçadinho

O catchup pode pular
O francês já é bem vindo
Mas isso seria só pra lembrar
De um bom tempo  já ido

Hoje o tempo é outro:

Maduro e mais moderno
É verdade que guardo como ouro
Aquelas frias noites de inverno

Hoje é Rio, é calor

Hoje é tudo uma beleza!
Hoje encontrei meu amor
E quero você de sobremesa


parece que gostou! =)


*poeminha feito por Igor, no metrô, a caminho da minha casa, quando eu descobri que o cachorro quente que ele gosta é só pão francês com catchup e salsicha,sem molho e eu havia preparado o cachorro quente mais encrementado do mundo, com direito a molho de tomate de verdade! 

terça-feira, dezembro 13, 2011

Mão na mão pra te lembrar







Minhas melhores poesias não foram escritas , não houve tempo:
Pensamento desembestado distante das mãos
São aquelas que balbuciei em voz baixa e repentinamente
Como em um texto decorado que nunca havia lido antes
Versos que declamei para o meu sorriso
E para o sol raso às cinco da manhã na rua de casa
Rua envolta por flores de cactus e folhagens com minha voz
Uma satisfação assustadora, medonha e bonita
Não caberia papel e lápis nesse instante
Gafanhotos embriagados escapulindo da minha boca árida
Palavras que formulei, expliquei e até encenei para uma platéia vibrante
Que se resumia nas mil pulsações do meu peito e na vontade ansiosa por chorar
Um choro sem vergonha, um choro bem meu

A parte que eu mais gosto, é de no final do meu showzinho
Poder me olhar
(Eu consigo me olhar sem espelho)
E pensar no quanto a poesia tem espaço em mim
No quanto ela me cabe
Às vezes é tanto e mesmo sem querer
Que preciso crescer mais uns dez centímetros
Pra ficar compatível e não virar represa, senão ela explode
(consigo até sentir , de antemão,o roxo cavando meus olhos)

Uma represa prestes a explodir n'uma maré frouxa de lágrimas...

Mão é carne viva de saudade
Tem um coração pulsando bem no centro
Sem saber se vai

Se fica
Repara uma queda
Amarra a fita
Alisa os cachos

Sustenta

E além do mais
É riscada em M
Por linhas de desejo
Sem tolice ou ensejo
A comadre vai descobrir

Mão é o coração do homem
Quem acaricia e dá adeus


Repare nas mãos, elas nunca sabem onde pousar
Ampare as mãos, um dia você há de precisar
Apare as mãos para não se entregar
Prepare as mãos quando quiser amar



* Essa é para você, porque eu sei (sim, eu sei) que acima de tantos paradoxos ou da tua sede em sempre ver minha beleza externa três vezes mais radiante por dentro, é ai, ai nesse centro de tudo, no chão de terra e chuva que a gente se encontra e bebe do mesmo copo, com a mesma sede, que nem tu e o menino das tintas. E o amor sempre floresce com o adubo do teu sorriso, dos meus olhinhos curiosos, no meu coro cabeludo cada vez mais fértil, no teu abraço que mais parece um muro coberto por eras, no meu pé fora do chão e da semente em nossa mão. Mão na mão. Te amo.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Em casa de ferreiro...

Filha de amazonense, bailarina, apaixonada por culturas populares, e,  em 23 anos de vida, a única vez que vi a dança do boi (garantidos e caprichosos) foi agora, no Estado do Rio de Janeiro, mais especificamente (e mais impossível ainda), em Petrópolis. 


Além do Hip boi, rolaram apresentações de danças folclóricas referenciando a cultura desse lugar. Bonito de ver os petropolitanos espalhando cultura e beleza!

E só faz crescer a vontade de conhecer a terra do meu pai...

índia branca petropolitana




sexta-feira, dezembro 09, 2011

Logique du coeur



Um dia desses, em uma de minhas cantorias, puxei a música da Marisa Monte, Gentileza. Sutilmente fui levando as palavras dela pelas ruas de Laranjeiras: "apagaram tudo, pintaram tudo de cinza, a palavra do muro ficou coberta de tinta..." E então meu namorado me perguntou se eu conhecia a história dessa música. E eu não conhecia! Sempre fico muito, muito, muito feliz mesmo quando descubro o significado de uma música que gosto e dessa vez não foi diferente... Fazia tempo que isso não acontecia! Ele me explicou que aqui no Rio de Janeiro existia o Profeta Gentileza que escrevia mensagens no viaduto do Cajú e que a prefeitura fez o favor de demolir com toda essa arte  e filosofia. Foi então que tudo começou a fazer sentido: a letra da música e as camisetas espalhadas pelo Brasil "gentileza gera gentileza".


Ontem, junto aos mimos de 6 meses de namoro, fui presenteada com o livro UNIVVVERRSSO GENTILEZA, do Leonardo Guelman, que conta toda essa história! 


Só assim pra eu compensar a minha ignorância em não saber até pouco tempo sobre essa história linda! Agora ficarei sabendo em detalhes. Lindo, lindo!


'amor, palavra que liberta, já dizia o profeta!'



quinta-feira, dezembro 08, 2011

Semana das comemorações

Os fotógrafos Gustavo Calil  e Igor Souza


A semana já começou comemorativa! Terça-feira foi a abertura da EXPOFOTO, exposição de fotografia promovida pelo BNDES, onde os funcionários tem a oportunidade de mostrar seus olhares e talentos. O tema desse ano foi o Estado do Rio de Janeiro: DE OLHO NO RIO.

recebendo os mimos da sogra e da namorada

Tinha de tudo, de fotos profissa até as mais amadoras, mas,no ruim de tudo, (quase) todos se salvaram!



Não é querendo me gabar, mas as fotos do Igor com certeza estavam entre as melhores, no que diz respeito a técnica e criatividade. As cores chamavam atenção e a composição também! Ah, e o melhor de tudo: a galeria dele ficava estrategicamente em frente e mesa de comidinhas ;)

explicações regadas a Dona Dominga


Uma noite entre amigos e fotógrafos, no mínimo, agradável.

Ah, não preciso nem dizer que fomos os últimos a sair, depois de tomar muito vinho e comer muito nacho com guacamole. E que venha a Expofoto 2012!!!


amigos prestigiando o fotógrafo da noite!

*A exposição segue até o dia 6 de janeiro no térreo do Edserj

Seis meses (!)

eu
faço
nesse
dia
a
tua
nossa
poesia

Pra  fazer da poesia o nosso AMOR de cada dia




amo que só a gota serena!





quarta-feira, dezembro 07, 2011

Sobre a morte e seus complexos

Existe em mim um pensamento que acredita ser a coisa mais impossível da existência, a própria existência. 
A vida física por tantos e tantos anos. Quando paro pra pensar nisso, fico perplexa em como conseguimos viver até a morte natural do corpo, sem que isso ocorra antes. É claro que isso acontece no mundo, o tempo inteiro, todos os dias, mas, somando as pessoas do mundo todo e não as pessoas que conhecemos. 

Conhecemos mais pessoas vivas do que mortas. Muito mais. Vamos mais a festas de aniversário do que a enterros. E como isso se explica? 

Todos os dias atravesso várias ruas e não consigo contabilizar a quantidade de vezes que já fui quase atropelada, por pura distração. No Brasil, circula uma média de 17 milhões de armas de fogo e nenhuma, nenhuminha delas nunca me acertou, nem de raspão. De doença eu nem falo, pois essa me assusta, e, mais do que bala de fogo, atropelamento e distração, é a que mais me assombra, por ser a mais comum a cada dia, todos os dias. Com pessoas distantes e outras nem tanto. 

Mas o fato é que pra mim é maluco demais pensar que as crianças correm na beira da piscina molhada e dão um mortal (o nome já diz) pra dentro dela e nunca batem a cabeça na quina e morrem. Eu passei dos 5 aos 15 anos fazendo isso, e, sequer levei um corte. Já tomei muito banho de mar de fim de tarde e noturno, em noite de lua cheia (que o mar fica bem violento) e, o máximo que me aconteceu, foi um arranhão forte na sobrancelha, após um sarrabulho sinistro. O mar nunca me levou. 


Já desmaiei em um meio fio, mas me tiraram a tempo do ônibus passar. Já negociei irresponsavelmente várias vezes com trompadinhas que quiseram me assaltar com vidro e canivete. Umas deram certo, outras eu tive que correr e, de sequela, apenas uns xingamentos. Já voltei pra casa, a pé, bêbada, de madrugada e nenhum carro de playboy me acertou. 


Já fui atropelada por um carrinho de cachorro quente, na praia, mas só quem se machucou foram os pães e as salsichas. 


Já passei de carro no instante em que um homem atirou em uma mulher de bicicleta. 


Já escapei de estar no banco do carona, uma vez que o carro (uma ranger) deu PT ao bater no poste, arrancando-o, e, o poste caiu exatamente em cima do banco do carona. Meu irmão (que tava no volante), não sofreu UM ARRANHÃO. O lado do carona esmagou completamente, o gerador caiu na caçamba do carro e, a única parte ilesa foi o local onde ele estava sentado. Eu teria morrido esmagada se meu pai não tivesse me proibido de sair com ele por ser ano de vestibular. (por sinal, o ano que eu saí mais do que qualquer outro de colégio).


Já cobri vários e vários espelhos de casa por conta de raios e trovões e eles nunca cairam no meu quintal, e olhe que era um quintal muito propício e a céu aberto. Mas, em 23 anos, nunca caiu. Já caiu na trave de futebol do campinho perto. 


E, apesar de já ter visto várias árvores gigantes caídas em Aldeia, nunca passei por baixo de uma justamente na hora. Isso sem falar das cobras venenosas que meu pai sempre achava em casa e das jacas que caíam pelo menos 5 por dia. E se fosse na minha cabeça?


Eu já quase morri algumas vezes, como todo mundo já deve ter passado por isso. Mas é justamente esse quase que torna tudo muito maluco e uma probabilidade desequilibrada entre morrer e não morrer. 


E, se em alguma dessas quase situações, tivesse, de fato, acontecido o que chamamos de fatalidade, seria muito triste. Seria uma tragédia. Sim, de fato, seria. Nós humanos fomos educados para não aceitar e não achar comum esse tipo de coisa, apesar de, racionalmente, parecer ser o normal. Mas não é. O Normal não é o com maior probabilidade e sim o mais natural. Esse que esperamos a vida inteira para acontecer, e, mesmo sabendo que um dia chega,e, mesmo que seja da maneira mais natural possível, ainda nos chocamos e sofremos. 


Tivemos uma vida inteira para se preparar para tal, mas, uma vida inteira não parece suficiente pra se acostumar com coisas que envolvem amor e afeto.


É, as vezes me pego pensando nisso!



terça-feira, dezembro 06, 2011

Recife: parada obrigatória

16-10-2011


isso é cagado e cuspido 
paisagem de interior




No primeiro dia de passeio (lááá no Guaiamum Gigante), Blenda e Igo, casal de amigos queridos, propuseram um passeio fotográfico pelo interior do Estado. Topamos na hora! Unimos nossa paixão pela fotografia, com o desejo de conhecer novos lugares,e, de quebra, pegar umas boas dicas com o casal que são dois fotógrafos profissa e renomados em veículos de comunicação de Pernambuco. O passeio não podia ser mais apropriado: Um tour gastronômico pelo interior. A idéia veio de Igo, que assinou as fotos do Guia Sabores Rota 232. O pacote tava completo, não tinha como ser um guia mais "sabido das coisas". 


Depois de muita preguiça pra acordar, e, quase desistir do passeio (havíamos dormido apenas 1h30), uma força maior (ou apenas a vontade de aproveitar tudo o que pudéssemos), nos fez, finalmente, pular da cama e sair de casa "nas carreiras" ao encontro deles. Confesso que foi um mini perrengue até seguir viagem: dois ônibus as 7 da matina e um sono medonho, mas, ao entrar no carro de Igo, tudo se transformou e tava na cara que era o início de um dia gostoso,em todos os sentidos que essa palavra possa ter. E o sol mandou avisar!












cuzcuz recheado
Música boa, conversa agradável e uma saudade antecipada daquele lugar, daquelas pessoas, do clima. Depois de uns 40 minutos no carro, a primeira parada foi para o café da manhã regional na Cabana de Táipa, localizada em Vitória de Santo Antão. As opções eram das mais variadas, pedimos tapioca recheada com côco, queijo de coalho e leite condensado e um cuzcuz recheado com charque, queijo, ovo e manteiga de garrafa. Tava difícil saber o mais gostoso! Com o "bucho" cheio, seguimos para Gravatá! A paisagem da janela é bonita, o verde se misturando com a sequidão, montanhas e vegetações a perder de vista. Entre um teste e outro com as câmeras digitais e analógicas, uma dica e outra, uma risada e outra, nem percebemos e já estávamos em Gravatá, e, melhor ainda, no Campo da Serrana, loja de laticínios sem conservantes, fabricados pela mestre dos queijos,  Vitória Barros, em sua fazenda, no município de Pombos. 


Igor escolhendo o queijo




O local é um charme, além da lojinha com os diversos tipos de queijo, tem também um espaço reservado para degustação. A preta (Blenda) e Igo, fizeram a festa nos queijos. Igor comprou um camembert (delicioso) e eu levei um queijo de manteiga para a minha mãe. Seguimos o caminho afim de chegar no próximo ponto gastronômico do guia. Igo sugeriu que a gente fosse na Fazenda Serrana, pois, ao fazer a reportagem no local, ele foi super bem recebido pelos proprietários, o casal Júlia e Altamir. 


A questão é que se tratava de um domingo, não sabíamos se a fazenda estaria aberta para visitações, mas, como já estávamos por lá, não custava arriscar. A fazenda fica a 5 km do Centro de Gravatá e passa por uma estradinha linda, com um riacho e muito verde. Paramos  para tirar algumas fotos antes de chegar na tal fazenda. 
Seguimos mais adiante, e, finalmente chegamos na Serrana. Um espaço enorme com uma casa no alto. Estacionamos o carro e percebemos que tinha um grupo de pessoas se divertindo no quintal da casa. Crianças e adultos, risos, comidas, barulho de garfo e faca. Parecia ser um almoço em família, já que era domingo. A primeira reação foi a de voltar, mas como jornalista que se preza não faz uma desfeita dessas consigo mesmo, resolvemos encarar a situação e saber o que estava acontecendo. Igo foi até lá e conversou com seu Altamir, que, ao perceber que se tratava do reporter fotográfico que ajudou a divulgar os produtos da fazenda Serrana, fez questão que ficássemos lá. Para o nosso alívio, não era um almoço em família, era uma visita para degustação que já estava chegando ao fim (para que pudesse começar a nossa). 


Fazenda Serrana e seu Altamir




Dona Júlia (esposa de Altamir), produz na própria fazenda, produtos defumados artesanalmente, como pernil de porco, costeleta, joelho, linguiça, lombinho suínos, peito de frango, carré e salmão, e, enquanto isso, seu Altamir fica responsável pela bebida: A cachaça Serrana, confeccionada também no local. Se trata de uma cachaça forte e feita com sete ervas. Enquanto provávamos as delícias feitas por dona Júlia (ela não parava de repor o prato com os defumados), seu Altamir fazia questão que acompanhássemos ele na cachaça e na conversa. Contou que faz dois anos que eles montaram esse negócio afim de se distrair. Depois de muitas e muitas doses, muita conversa fiada e muito defumado,Blenda e Igo levaram uma cachaça e um defumado, e, então, nos despedimos com alegria: Aquele casal sabia como cultivar seus clientes, e, mais que isso, sabiam como manter uma vida saudável e feliz após uma certa idade. 


Casa de Mestre Vitalino




Seguimos estrada para Caruaru (conhecida como a capital do forró), conhecemos a casa do Mestre Vitalino e também o atelier do último discípulo do Mestre: Manoel Eudácio. Fiquei doidinha com as esculturas dele, bem diferentes das que costumamos encontrar nas feiras de artesanatos. Tanto no que diz respeito ao acabamento das obras, quanto na criatividade. Lindas as peças! Os preços que não eram tão lindos assim. 


O passeio estava chegando no final. Saímos de Caruaru rumo a Recife, e, meu coração, apertava cada vez mais. Na estrada paramos no Rei das Coxinhas (pedida clássica para quem visita o local, tradicional por fazer coxinhas de vários sabores). Comi a de sempre: camarão com catupiry, deliciosa! Chegamos em Recife e fomos na minha sorveteria preferida, a Santo Doce, relembrei o sorvete de amarula, vinho do porto, amora e africano (chocolate meio amargo). Aiai, ô lugarzinho gostoso! Era hora de se despedir da minha preta e do Igo. Coração, mais uma vez apertadinho. 

Chegamos em casa, mortos e felizes, e eu, como sempre, despreparada para o momento final: me despedir da minha família e da minha casa. 

Dói, sempre dói. É mentira esse negócio de que com o tempo acostuma. Acostuma não: aceita. Mas a hora do tchau é sempre com pontada no peito e lágrima nos olhos. Sempre tenho a impressão que apertei menos do que poderia a minha irmãzinha, que dei menos atenção do que gostaria para o meu pai, que segurei pouco tutu no colo, que não fofoquei tanto com Jó, que poderia ter rido mais com meu irmão mais velho e que curti pouco todo aquele mundo, o meu mundo, mesmo sabendo que não é verdade. Que fiz de tudo um muito para que fosse o melhor momento do mundo. E sempre é. Por isso o aperto!

E é hora de voltar para casa, até a próxima visita delícia: CARNAVAL


5am decolando do Aeroporto Internacional dos Guararapes


















segunda-feira, dezembro 05, 2011

Recife: parada obrigatória

15-10-2011


Descanso na loucura


Depois de dois dias seguidos na rua, sem dormir em casa e sem pausas para descanso, acordamos merecidamente tarde no sábado. Levantamos, tomamos café da manhã e voltamos pra dormir. Acordamos novamente com meu irmão chegando em casa com asinhas de galeto assado de beira de rua e cervejinhas pra abrir esse dia preguiçoso e nublado. Vimos um filme e cochilamos novamente. O dia tava uma delícia pra isso!


meus modelos na prévia do Coquetel
A noite fomos para o Festival No ar Coquetel Molotov, evento que acontece uma vez por ano e reúne bandas renomadas e outras do circuito alternativo, uma ótima oportundiade para conhecer coisa nova. Esse ano foi Hindi Zahra e sua linda voz. Estávamos bastante dividios entre o Coquetel Molotov e a Virada cultural que aconteceram simultaneamente (cagada da prefeitura da cidade). Mas, como já tínhamos ido para a Virada no dia anterior, escolhemos o Coquetel. Além das  bandas internacionais/alternativas/desconhecidas/legais de conhecer, teria também China e Racionais MC. Na Virada multicultural teria Fagner e Buena Vista Social Club. Pelos nossos cálculos, dava pra ir no Molotov (que começa cedo, 21h) e de lá partir para assistir Buena Vista (que eu não queria abrir mão de maneira nenhuma e seria a última atração, daria tempo). Mas, para ir ao Coquetel, precisava abrir mão de Fagner (com um aperto gigante no peito). E assim fizemos. Chegamos cedo no Coquetel, assistimos as bandas (quase perdemos tudo bebendo vinho e papeando lá fora), e, no final do show de China (que teve direito a casal amostrado subindo no palco e dançando junto), vimos que tava no deadline para ver Buena Vista, tivemos então que abrir mão de assistir Racionais MC para que desse tempo. Ok, não tem como ter tudo! Partimos para o Marco zero, pegamos o show completo de Buena Vista e dançamos cumbia até quase amanhecer! Antes que isso acontecesse, partimos pra casa pra tentar dormir algumas (poucas) horas, pois sabíamos que o outro dia seria longo, como costuma acontecer com todo último dia de viagem!


presentinhos que o namorado comprou no Coquetel!



sexta-feira, dezembro 02, 2011

Recife: parada obrigatória

14-10-2011


Sem lenço e sem documento



Acordamos em Olinda sem um roteiro construido para o  dia, mas, uma coisa era certeira: praia!!! E assim fizemos. Mas antes tomamos um café da manhã feito pela mãe de Nina, com direito a Bolo de rolo da terra. O bicho! Saímos de lá e pegamos um dos ônibus mais famosos da redondeza: Rio Doce/Piedade e descemos em Boa viagem.


 Diferente do Rio, lá em Recife os donos das barracas ficam correndo atrás dos clientes, basta colocar o pé na calçada e começa a danação de pessoas te chamando e oferecendo seus serviços. Eu lembro que isso me irritava quando eu morava lá, mesmo porque eu sempre sentava na mesma barraca, mas, dessa vez, achei até engraçado. Eles ficam frenéticos até você falar que quer ou que não quer (com firmeza). Outra diferença da praia em Recife e no Rio (além dos nossos amigos tubarões), diz respeito as cadeiras e guarda-sol: você não paga pelo uso deles desde que consuma alguma coisa. Sentamos em uma barraca e pedimos algumas latinhas (o tratamento é VIP, eles colocam algumas dentro de um isopor cheio de gelo. Se quiser mais é só pedir, e, se sobrar, devolve). Depois de bem acomodados, demos início ao que o povo chama de rodízio! E é isso mesmo, BV Beach (como é carinhosamente chamada), é a mesma coisa que um rodízio! O tempo inteiro passam carrinhos com gostosuras pra gente cair em tentação, e eu,  obediente que sou, sempre caio: queijo coalho com mel de engenho e orégano, caldinho de feijao (clássico), caldinho de frutos do mar, camarão de praia com limão, caranguejo e ostra são os mais comuns. 


Achei incrível como alguém gostou de ostra de primeira!!!
Então demos abertura no rodízio com uma porção de Ostra (que eu sou alucinada e Igor ainda não conhecia). O tempero é simples: sal, limão, cominho e azeite. O prato tá feito! 


*Ostra lembra a minha infância, quando eu era pequenininha, meu pai que era rato de praia, sempre levava a família para curtir o sol, o frescobol e as ostras. Tínhamos o costume de "descer o balde". Sem exageros. Quando o moço da ostra nos via, já andava em nossa direção com um sorriso de orelha a orelha: tinha a certeza de finalizar seu dia de trabalho alí com a gente. *


Bom, a ostra foi só o início de uma manhã inteira de comilanças: peixinho frito (peixe de praia em Recife é um peixe de verdade, inteiro, frito e acompanhando salada e batata-frita ou macaxeira (aipim)). O camarão também completou o menu praiano. Satisfeitos, estava na hora de se batizar, mergulhando no mar! E eis mais uma surpresa agradável: a água é morninha em comparação com as praias do Sul e Sudeste. Uma delícia!  


Depois da praia, precisávamos decidir nosso destino. Eram 15h e teríamos que 'fazer hora' até a noite, onde iríamos assistir aos shows da Virada Cultural. (Sim, tivemos uma sorte danada, compramos as passagens antes de saber da virada cultural!) Voltar pra casa estava fora de cogitação: longe demais! E, além disso, estávamos alí pra passear. Mas uma coisa era verdade: precisávamos pelo menos de um banho para ir ao show, e, todos os meus amigos estavam em horário de trabalho, os únicos que estavam de folga éramos nós dois.


Lembrei então da minha prima que mora em BV e a secretária dela deveria estar em casa: Tudo certo! Passamos lá, tomamos uma ducha e saimos renovados para dar início a uma noite que ia ser longa. Passeamos pela Orla de Boa Viagem, e, depois, seguimos rumo ao Bairro das Graças, para um restaurante Coreano que é do meu gosto e que seria novidade para Igor. E, como novidade é sempre bem vinda, não titubiamos na escolha! 


Imagem da internet: burgogui
Dá água na boca só de lembrar do Burgogui (prato principal da culinária coreana, que nomeia também o restaurante). De lá, partimos para o Marco Zero e assistimos aos shows da Orquestra contemporânea de Olinda e Nação Zumbi, mas,  só estando lá mesmo para saber o que é assistir um show deles em casa, no marco. Na estaca zero. E a multidão foi ao delírio pra lembrar que o carnaval já tá chegando!








Imagem da internet: Nação zumbi no carnaval do Recife

quinta-feira, dezembro 01, 2011

Recife: parada obrigatória

13-10-2011


Turistando por Recife e Olinda




Ansiosos para passear o máximo que desse, aproveitei o fato de estar com o carro em tempo integral nesse dia para fazer os passeios turísticos indispensáveis, como conhecer o Centro do Recife e o Sítio histórico de  Olinda. Acordamos cedinho,e, para aguentar o calor no quengo e sustentar a barriga até a hora do almoço, tomamos um café da manhã regional reforçado feito por mim! No menu: cuzcuz com ovo frito, queijo de manteiga assado e manteiga de garrafa. Igor comeu dois pratos e só não comeu mais porque não tinha! 


Depois de alimentados,  partimos rumo ao inferninho do centro da cidade, mas, na verdade, o passeio começou no instante em que entramos no carro. Eu, tagarela do jeito que sou, passei o caminho inteiro explicando sobre cada lugar que passava, por minha sorte, Igor é curioso feito a peste e paciente, parecia estar adorando, e, nas vezes que me pegava sem explicar nada, ele mesmo perguntava. Como o caminho até o destino final era um pouco distante, deu para mostrar vários lugares que fizeram e fazem parte da minha vida: as escolas que estudei, universidade, lugares que eu saia, bairros que eu frequentava. Até que, finalmente, chegamos no Mercado São José, um mercado destinado aos turistas, onde se pode encontrar mimos regionais de todos os tipos e com preços gentis. Saimos de lá com uma blusa do chaplin, outra bem linda com uma gravura de Lampião e Maria Bonita, alguns chaveiros, imãs de geladeira com xilogravuras e outras coisinhas.  


Depois do Mercado, tomamos um cafézinho delicioso no Delta Café e saimos de lá com o objetivo de tirar foto na Ponte da Boa Vista, mais conhecida como Ponte de ferro. Essa ponte foi restaurada com os cálculos de Seu Nelson, engenheiro e pai do Igor, na época em que ele ainda era um garoto, como o próprio costuma falar, orgulhoso e saudoso. A questão é que Recife deve ter mais ponte do que Veneza, por isso mesmo é conhecida como a Veneza brasileira, e cada um que dizia uma ponte diferente para ser a tal. No final das contas tiramos foto nessa ponte da foto para simbolizar, e, fica a missão para uma próxima visita à cidade: fotografar a ponte da Boa Vista! 


Depois da saga em busca da ponte, fomos caminhando até o Marco Zero, historicamente conhecido por ter sido o marco e ponto de partida de Recife, mas, para a maioria da população, é conhecido mesmo por comportar os shows e eventos de grande porte e gratuitos da cidade, como o carnaval.  Chegamos lá e fizemos o passeio de barquinho que atravessa até o Parque de esculturas de Brennand, artista pernambucano, famoso no mundo inteiro por suas cerâmicas pintadas à mão, uma por uma. 


pirâmide de cristal no fundo
É no Parque de esculturas que habita sua obra mais famosa: a pirâmide de cristal, mais conhecida pelos recifenses como pica de Brennand, por conta do seu formato fálicoO passeio vale a pena pela vista para a cidade do Recife, e, também, porque o parque é o limite entre o Rio Capibaribe e o mar. Se você olha pra frente, tem o rio, se olha pra trás, tem o mar quebrando nas pedras. Uma lindeza! O passeio custa R$5 reais por pessoa.


Saimos de lá com uma fome dos deuses e fomos almojantar no Mercado da Boa vista, opção perfeita pra quem quer comer bem e gastar pouco,além de conhecer um pouquinho mais da cultura local. Pedimos um prato de arrumadinho (para dois), comemos bastante, tomamos um refrigerante cada um e a conta deu R$15. Bom demais,né? Encerrado o passeio pelo Centro do Recife, deixamos o carro com meu pai (pois a continuidade do programa com certeza seria etílico) e partimos para Olinda.


calçada do Véio, Rua do Amparo
Chegamos lá, sedentos por uma calçada com cervejinha gelada, a pedida foi a Budega de Véio. Um lugarzinho que vende de tudo (quando eu falo de tudo, é de tudo mesmo!) Vende de ratoeira a petiscos. De sabão em pó a cachaças de diversas localidades. Edival, o véio, dono do estabelecimento, sabe mesmo como ganhar dinheiro! Pedimos então uma cerveja bem gelada e uma porção de queijo do reino fatiado na hora (pedido clássico no local, bem como salaminho) e ficamos apreciando o que Olinda tem de melhor: o clima.


Depois fomos dar uma volta pela cidade alta e chegamos, propositalmente, no Alto da Sé. É engraçado como ainda me impressiono com a vista que Olinda tem para a cidade do Recife. Lá do alto é tudo mais bonito e iluminado, chega dá gosto. 


Juntos, descobrimos uma lojinha super bacana e com uma variedade de cachaça que nos deixou em dúvida sobre qual levar. Provamos várias, de todos os tipos e Igor acabou levando a Sanhaçú. A bichinha é boa! Comprou também uma caixinha para guardar bebida, linda de viver, pintada em detalhes com os casarios de lá. E, pra completar, compramos um vinho pra tomar apreciando aquela vista! Mas antes, claro, comemos um acarajé que melhor do que no Alto da Sé, somente na Bahia mesmo e olhe lá! 


Pra encerrar a noite, fomos para a casa de Marina, terminar o vinho e papear na varanda mais deliciosa de toda Olinda!


varandinha delícia de Nina





Recife: parada obrigatória

12-10-2011


Um dia em família


O dia amanheceu com o clima gostoso de Aldeia: sol tranquilo, ventinho das árvores, pé descalço na grama e essas sensações que só lugar serrano pode oferecer. 


parte da cachaçaria Alencar
Aldeia, e, mais precisamente a minha casa, fica aproximadamente a 25km da civilização e da confusão da cidade. O feriado foi o dia ideal pra passar o dia curtindo a granja, a piscina, o jogo de ping pong (onde meu namorado levou uma pisa, ou, uma coça, como preferirem) e um churrasquinho no capricho que meu pai fez pra me receber e para agradar o genro novo. De presente, Igor levou uma cachaça magnífica gold (presente perfeito para um especialista em cachaças como meu pai), mas, no final das contas, o brinde acabou sendo com a ypioca orgânica


O dia se estendeu cheio de conversa fiada, comidinhas gostosas (Igor experimentou linguiça de bode e baião de dois ), cerveja gelada e chameguinho com meus irmãos, os da nova geração: Sofia e Arthur e o de sempre, meu amor antigo, Victor. E ainda teve a presença de Marina, para enfeitar a minha casa com seu vestido longo de linho e seu sorriso feliz, brincando de aviãozinho, incansavelmente, com a minha Sofiazinha.


O final do dia foi selado cheio de amor e com cheiro de mato

brindo a casa, brindo a vida, meus amores, minha familia!

quarta-feira, novembro 30, 2011

Recife: parada obrigatória

Marco zero do Recife



É bem verdade que falar do próprio lugar pode parecer piegas e suspeito, ainda mais se tratando de alguém tão apaixonada pela cultura local como eu. Teria um monte de coisa chata para falar sobre a cidade, sobre o fedor em algumas ruas, sobre o trânsito infernal, sobre a pobreza que ronda nossos olhos e ouvidos,sobre o calor dos infernos, sobre os perigos. Eu poderia falar sobre a cabeça fechada de muitas pessoas e sobre o fato de Recife ser um ovo, onde todo mundo se conhece , e, se cruzar com uma novidadezinha que seja se torna uma novidade gigante, como se fosse cidade de interior sem ser. Mas, quer saber? Em todo lugar do mundo, se a gente reparar com olhos clínicos (ou nem tanto),  nos deparamos com essas mesmas coisas, mesminhas. Então eu vou mesmo é falar das coisas boas, das coisas bonitas, afinal, de coisa feia o mundo já tá transbordando! Eu vou falar é da cultura e das belezuras que Recife tem e que me mata de saudade, sempre.


Vai ser uma série com alguns posts-reportagens, para que não fique cansativo em apenas um, e, também, para que eu possa, deliciosamente, relembrar dias tão azuis.


11.10.2011


Por coincidência (tenho certeza que não), o passeio teve início com comida (das boas!!!) , afinal, quando penso em conhecer um lugar bacana, já vou logo imaginando as comidas que eu posso experimentar (eu sei que esse pensamento é meio de gordinha, mas, e daí? Eu penso nisso mesmo!) Pra mim, para que um passeio seja completo, precisa ter um tour gastronômico também, e, de preferência, com coisas diferentes. E nisso a minha terra é boa. E eu só percebo a quantidade de coisas diferentes que ela oferece para o visitante, quando estou turistando com alguém. 


Mês passado foi a vez do meu namorado conhecer Recife, e, nada mais legal do que fazer isso com uma guia que conhece cada cantinho da cidade como eu. Ainda mais que eu tava morrendo de saudade de tudo, seria tudo novidade mesmo que não fosse. 


Quando ele desembarcou no Aeroporto Internacional dos Guararapes, fomos direto para o Guaiamum gigante, restaurante de frutos do mar queridinho por mim e pelos recifenses. Tudo que se possa imaginar de frutos do mar tem por lá! Como é de prache, ao sentar,além da cerveja de garrafa e roscas da época, pedi um monte de caranguejo pra matar a saudade e pra Igor conhecer. Outras duas novidades pra ele foram a Agulhinha frita - um tipo de peixe pequeno, bem sequinho, lembra sardinha (lembra) - e o arrumadinho (feijão verde, farofa de gerimum (abóbora), carne de charque (carne seca) e vinagrete (molho a campanha). Com certeza o Guaiamum gigante é


Primeira das várias doses de carvalheira
um local que vale muito a pena voltar sempre que possível, pois, além das delícias, o preço (principalmente para quem é acostumado com os valores "sulistas", são bem convidativos.) Comemos um pratão de camarão na manteiga e no alho, por exemplo, por R$18 (e isso porque era véspera de feriado, em dias promocionais esse valor cai para R$14). 


Pra completar a noite, Igor, como bom cachaceiro que é, quis experimentar a cachaça Carvalheira, feita em barris de carvalho, lá na terrinha. Ela é fina e uma delícia, e, como boa companheira de cachaça que sou, achei justíssima a degustação. Bom, a verdade é que no final das contas voltamos pra casa bêbados e felizes, cantando Otto no último volume.


Obs- o copinho é "pitu gold", mas o conteúdo era phyno, carvalheira Gold.  Mas a Pitu tem espaço  em um outro post!

terça-feira, novembro 29, 2011

Here comes the sun

meu lugar ao sol

Na direção dele  eu vou, sempre! Com toda essa paixão,  amor no coração, sorriso no rosto, mãos dadas, cabelos soltos e pele da cor do meio dia. Eu vou cheia de alegria, de vida, de mundo, eu vou. E quando eu encontrar alguma tristeza, alguma coisa feia ou apenas uma incerteza fruto de saudade,  benzinho, eu faço uso de tinta e pincel, de lápis pastel, de laço de fita e dou cor a tudo. Começando aqui por dentro, agora, nesse momento!

E, o que não tiver cor, colorido ficará.

Uma tarde linda rodeando a cidade do Rio de Janeiro e a cidade do peito em que habito. 

É preciso de calma, de alma e de amor. É preciso de dor, vez ou outra, pra lembrar que, além de escrever, pintar é preciso! Pra decorar a casa, a alma, as roupas e o coração.



segunda-feira, novembro 28, 2011

O que não tem cor, remediado está

As unhas estão pintadas de vermelho, mas o dia é cinza. A cor é cinza. O trânsito é cinza. Da janela é cinza. O frio é cinza. Aqui de dentro é cinza. Hoje. Hoje é cinza, em uma tristeza cinza resultado de uma saudade cinza. Uma saudade sem cor. Uma vontade sem vazão. Memória: coração. 





Se saudade tivesse outro nome, se chamaria Sofia

Se deslocar: um teste de paciência

Caminhar deveria ser a coisa mais natural a ser feita no dia-a-dia. Mas não é. Ao menos não no Rio de Janeiro onde as pessoas simplesmente não sabem andar (a pé mesmo) nas calçadas. Um congestionamento, uma lerdeza, pessoas que param para bater papo como se alí fosse uma praça e outras que não olham por onde andam, batendo em tudo. 

Nesse dia nublado de segunda-feira eu já consegui me irritar em três situações com pedestres sem noção:

Primeiro no metrô, onde as pessoas não entendem que é mais educado deixar um lado da escada rolante livre, para as pessoas agoniadas e atrasadas passarem. Não. Sempre tem um mané que fica, sozinho, impedindo uma fila enorme de pessoas. Uns ficam fazendo barulhinhos com a boca de modo a demonstrar que está insatisfeito, eu prefiro pedir licença e passar. Sim, eu catuco mesmo! Catuco o ombrinho, e, com sorte da pessoa,dependendo do meu humor, peço por favor.

Depois foi na calçada, enquanto caminhava em uma reta (uma reta!!!), tinha um casal que decidiu brincar de zig zag só pra foder com a minha paciência. Sim, eu fiquei driblando o casal feliz até o instante em que consegui furar o caminho, e, ziguezagueando, ultrapassei os danados. ô gente, até entendo brincadeirinhas de casal, mesmo porque eu também faço isso com meu namorado, brincamos de se equilibrar no metrô, mas isso não atrapalha ninguém,né? 

Pra encerrar, fui andar de patins para começar o dia "bem" e eis que uma mulher atravessa a ciclovia em cima de mim, sem olhar para o lado e nem nada! Eu, obviamente bati nela e levei um estouro de bunda no chão, o rapaz da bicicleta atrás de mim freou e a roda ainda bateu em mim e a mulher, depois de perceber o furdunço que causou, virou de lado e disse: "eita, isso aqui é uma ciclovia,é?"

OI?

Acho uó,uma vergoinha eu ter carteira de motorista e não saber dirigir, pois tirei a habilitação e, no mesmo mês, me mudei de Estado. Não tive onde/como praticar... Mas,por outro lado, são nessas horas que agradeço, pois se essas pessoas não sabem nem andar a pé, imagino como seja de carro. 

E imagino também a quantas iria andar a minha paciência.

Ai, que abuso!!!

sexta-feira, novembro 25, 2011

Hoje tem!


Há sempre uma maneira alternativa de lembrar do meu chão, meu norte.
E salve essa sexta-feira luminosa!

quinta-feira, novembro 24, 2011

A saudade é um bichinho que rói




Saudade é um bichinho que rói

A unha do pé, o pé
E eu nem ligo

Que rói as pernas, a bacia, o sexo, o ventre
E eu nem ligo

Um bichinho medonho que rói 
O cotovelo, a cabeleira, as unhas
E eu nem ligo

Rói tudo isso, o meu juízo, o prejuízo
E eu nem ligo

Rói o umbigo

Rói os meus lábios, minha voz, o meu silêncio
E eu nem ligo

Rói meus livros, rói.
Rói fotografias, cartas, cheiros, dói
Mas eu nem ligo

E eu nem ligo
Quando rói a palavra, a canção e a mão,
Não

Mas quando rói o coração...








Foto: Victor Jucá
Projeção feita no Janela Internacional de Cinema do Recife 2011
Rua da Aurora, Recife, PE

quarta-feira, novembro 23, 2011

As cores das horas

Que importa se o cinza do céu?
Que importa se o frio no nariz?
Que importa esse dia que só nasce por um triz?

Porque tem obrigação com toda
essa gente

Então ele faz assim:
Vai, a cada segundinho que pede passagem
Arrancando um a um o véu de cor escura e dupla face

Um a um
Em uma paleta de cor
Medida pela temperatura
Cores frias e preguiçosas
Cor de edredon e não de aurora

Mas é bonito e essa espera esquenta
O dia acorda, mas a luz não entra
E a hora amanhece...
... Mesmo sem pedir licença



Foto por Joana Coimbra

*poeminha feito as 5h15 da matina, na fila do hospital para ser atendida. Mas isso já é assunto para um outro texto