segunda-feira, maio 23, 2016

Cinzas

O fogo
Queimou a palha
E sobrou um bocado
De nada

terça-feira, maio 03, 2016

Inspiração

Meu mapeando de maio, além de uns sacolejos mais palpáveis que os dos últimos meses, dá também uma alfinetada em uma mente que se acha brilhante tantas vezes, cobrando criatividade. Quede sua criatividade, querido áries? Mais ou menos por ai. Ele, o mapeando, tá redondamente correto. Quede minha criatividade? Onde a enfiei? Virei uma máquina de produzir o que me pedem, sem quase questionar e entregar no prazo solicitado em troca de dinheiro? Sim. É o que me parece. Respondo triste mas não surpresa. Há tempos que venho vivendo assim, quadrada como um cubo nada mágico.

No andar de cima de meu armário tem um papel pardo enorme que comprei há quase 1 ano. A ideia era escrever nele tudo que pretendo fazer, projetos, ideias legais mesmo que soltas, uma palavra de incentivo, possibilidades dentro de minhas competências. Comprei também um pilot preto pra ajudar nesse brainstorm de mim mesma. Em julho completa um ano que ele tá ali, em branco, se eu nada fizer pra mudar isso. Estou quase largando esse texto aqui pra continuar ele lá, já era alguma coisa... mas sinto frio, sinto sede, sinto sono. "Amanhã sem falta eu faço isso". Amanhã sem falta dou continuidade no livro que é base pra o ensaio que quero fazer. Amanhã. Amanhã é sempre a esperança por um ontem muito falido. Amanhã quem sabe.

Volto a questionar: por onde anda minha criatividade, ponto alto da característica de minha pessoa? Nem esse blog estou conseguindo manter. Paixão. É por isso que sou movida, só que da pior maneira. Se estou apaixonada, não costumo escrever grande coisa. Se não estou apaixonada, não consigo nem escrever. É preciso estar apaixonada e com um rombo no peito, fodida, catando os cacos pra brotar e ser belo. Deveria, então, buscar por isso? O fim daquele livro depende do fim de minha alegria? Seria isso uma crise criativa?

quinta-feira, abril 28, 2016

Guerra de cheiro

Ir sem pensar em voltar
Voltar já querendo ir
Querendo com medo de ficar
Ficar com medo de ferir
Ferir se ferir e catucar
parar, respirar e

quinta-feira, abril 07, 2016

O erro

Quando você quer que o outro faça e sinta como você faz e sente e esquece que você é você e o outro é outra conversa. E você ainda fica chateado. E a única coisa que te faria não ficar chateado é o outro fazer o que você faria. E você faz de tudo pra pessoa fazer o que você faria mas ela não faz porque ela é ela e não você. E então você lembra que você é você e o outro é o outro e essa é uma conta que só fecha quando a gente cresce e olha além das próprias vontades.

Eu, definitivamente, ainda to engatinhando.

Essa mania de querer me relacionar sempre comigo.


terça-feira, abril 05, 2016

Abril de 2016


Eu ainda tenho dificuldade em mexer no mac e sempre me pego surpresa, para o bem ou para o mal. 

Quando passo fotos da câmera pra ele, por exemplo, um programa que nem conheço e já não gosto abre rapidamente quase me obrigando a importar pra lá enquanto eu só queria abri-las no lightroom.  

O Itunes que me faz dar um pulão da cadeira toda vez que começa a tocar sozinho. Ou quando eu falo pra finalizar o programa e tempos depois ele volta a tocar sem que eu faça nada.

Há pouco fui gravar um dvd com músicas, coisa que pensava ser como vencer as olimpíadas, e por isso mesmo sempre adiei o momento e foi ridículo de simples. Depois ainda ejetei o disco e ele continuou tocando a música que tava rolando até o fim. Magias da maçã.

Agora exportei uns vídeos que foram parar num buraco negro com outros vídeos que eu não fazia nem ideia que estavam nesse computador e, entre eles, um em especial que eu tinha certeza que havia se perdido no tempo e espaço. Talvez o vídeo mais bonito que eu já tenha gravado na vida, pelo menos pra mim. Vi aquele quadradinho ali e tomei um susto: de alegria e desconforto. E agora, que devo fazer? Ignorar e guardá-lo em uma pasta pra não mais perder? Ver esse vídeo que foi visto por mim apenas uma vez em 2013? (não consegui mais assistir depois que passei o restante do dia inteiro chorando no chão frio da sala fria em Copacabana). 

Sim, foi a minha resposta. Peguei então um copo de água, respirei fundo e dei o play, pronta pra receber a sensação qualquer que o universo e aquele vídeo pudessem me trazer hoje, em abril de 2016. Talvez uma noite inteira chorando no Bairro de Fátima, talvez absolutamente nada ou talvez um texto, como tá acontecendo. Corri o risco, como de costume.

Vi o vídeo e ri junto com ele, de alegria e alívio. Em cada balançar de cabeça, sorriso envergonhado, dancinha de mãos, voz, olhinhos apertados e leveza no ar eu acompanhei junto fazendo a mesma coisa. Sorrindo junto, balançando junto, achando bonitinho.

Quando o vídeo acabou e só me restou clicar no X pra fechar a tela, me dei conta de que te coloquei numa posição inferior depois que voltei de Recife. Que ficou um ranço. Que por mais que eu tenha me esforçado pra não sentir isso, te achei menino e bobo. Posição que não bate com a enormidade que você sempre ocupou desde que peguei o avião de ida pra Barcelona, três anos atrás quase que exatamente.

Teu sorriso livre de toda preocupação me perfurou novamente. E só ai tive a certeza que nossa maior bobagem foi tentar ser o que já fomos, mesmo já sabendo que não havia condições. E forçar o que não se pode é triste, é doloroso e até covarde com a história que escrevemos e que é só nossa, apenas nossa, de mais ninguém. 

Fui injusta contigo. Você não foi menino e bobo, ao menos não como eu guardei. Você foi apenas humano e confuso, como somos. Não tenho dúvidas de que esse ranço foi algo mútuo. Os dois querendo algo que não pode e, assim, agindo de maneira estranha. Um corte com faquinha amolada bem no meio do sossego. O relembrar e comparar, se frustrar e não saber o que fazer com isso. Fugir disso. Correr o mais depressa que se pode pra um lugar seguro. O lugar seguro que não sou eu. Eu sou o campo de perigo, a gota de limão que azeda o doce. Algo que precisa ser bem escondido pra não ser lembrado, mencionado, posto em cima da mesa. Isso é o que provavelmente represento agora pra você. E até então você ficou, pra mim, como o óbvio ponto perfeito do bolo que deu errado. Que bom que esse vídeo retornou e que bom que eu ví esse vídeo. 

Hoje finalmente minha ficha caiu e deixei sem dor aquela história bonita e "jogo duro de comparar" em 2013, de onde nunca precisaria ter saído. Aquilo foi aquilo, não volta e nem continua. Não quero ser a gota de limão, você não é o ponto errado. Somos mesmo muito mais.

E é essa carinha leve do vídeo que quero continuar carregando de você, não importa em que ano ou mundo a gente esteja, cada um.

Com amor sempre,

Carlinha.


quinta-feira, março 31, 2016

Nu peito

Coração que anda na mão
Escapole antes no chão

Então suspendo, coloco na boca: engulo
Engasga no esôfago
Falo o que falo que não falo e empurro

Coração de volta ao peito

Onde enterrar palavras que morrem na ponta da língua?

quarta-feira, março 30, 2016

Por favor, não me chame de flor

Chamei de flor porque você não deixa eu chamar de amor.

POF

Eita mlk

Uma semaninha só. Eu me aviso. É bom que dá saudade! 

Como se precisasse da ausência pra isso. Quando juntos, arianinhos, ela existe no durante. No ato. Encostados pele com pele e já saudade. Abraço, carinho, cheiros: acabei de chegar. Eu tava com saudade... aliás continuo com saudade, menina. Avalie no depois. Oito dias de depois. Um celular morto e triste sem SMS. Lacuna na quarta-feira de toda quarta-feira. 

Colchão fofo todos os dias com ciúme do tatame: tão pertinho, tão distante.