quinta-feira, abril 28, 2016

Guerra de cheiro

Ir sem pensar em voltar
Voltar já querendo ir
Querendo com medo de ficar
Ficar com medo de ferir
Ferir se ferir e catucar
parar, respirar e

quinta-feira, abril 07, 2016

O erro

Quando você quer que o outro faça e sinta como você faz e sente e esquece que você é você e o outro é outra conversa. E você ainda fica chateado. E a única coisa que te faria não ficar chateado é o outro fazer o que você faria. E você faz de tudo pra pessoa fazer o que você faria mas ela não faz porque ela é ela e não você. E então você lembra que você é você e o outro é o outro e essa é uma conta que só fecha quando a gente cresce e olha além das próprias vontades.

Eu, definitivamente, ainda to engatinhando.

Essa mania de querer me relacionar sempre comigo.


terça-feira, abril 05, 2016

Abril de 2016


Eu ainda tenho dificuldade em mexer no mac e sempre me pego surpresa, para o bem ou para o mal. 

Quando passo fotos da câmera pra ele, por exemplo, um programa que nem conheço e já não gosto abre rapidamente quase me obrigando a importar pra lá enquanto eu só queria abri-las no lightroom.  

O Itunes que me faz dar um pulão da cadeira toda vez que começa a tocar sozinho. Ou quando eu falo pra finalizar o programa e tempos depois ele volta a tocar sem que eu faça nada.

Há pouco fui gravar um dvd com músicas, coisa que pensava ser como vencer as olimpíadas, e por isso mesmo sempre adiei o momento e foi ridículo de simples. Depois ainda ejetei o disco e ele continuou tocando a música que tava rolando até o fim. Magias da maçã.

Agora exportei uns vídeos que foram parar num buraco negro com outros vídeos que eu não fazia nem ideia que estavam nesse computador e, entre eles, um em especial que eu tinha certeza que havia se perdido no tempo e espaço. Talvez o vídeo mais bonito que eu já tenha gravado na vida, pelo menos pra mim. Vi aquele quadradinho ali e tomei um susto: de alegria e desconforto. E agora, que devo fazer? Ignorar e guardá-lo em uma pasta pra não mais perder? Ver esse vídeo que foi visto por mim apenas uma vez em 2013? (não consegui mais assistir depois que passei o restante do dia inteiro chorando no chão frio da sala fria em Copacabana). 

Sim, foi a minha resposta. Peguei então um copo de água, respirei fundo e dei o play, pronta pra receber a sensação qualquer que o universo e aquele vídeo pudessem me trazer hoje, em abril de 2016. Talvez uma noite inteira chorando no Bairro de Fátima, talvez absolutamente nada ou talvez um texto, como tá acontecendo. Corri o risco, como de costume.

Vi o vídeo e ri junto com ele, de alegria e alívio. Em cada balançar de cabeça, sorriso envergonhado, dancinha de mãos, voz, olhinhos apertados e leveza no ar eu acompanhei junto fazendo a mesma coisa. Sorrindo junto, balançando junto, achando bonitinho.

Quando o vídeo acabou e só me restou clicar no X pra fechar a tela, me dei conta de que te coloquei numa posição inferior depois que voltei de Recife. Que ficou um ranço. Que por mais que eu tenha me esforçado pra não sentir isso, te achei menino e bobo. Posição que não bate com a enormidade que você sempre ocupou desde que peguei o avião de ida pra Barcelona, três anos atrás quase que exatamente.

Teu sorriso livre de toda preocupação me perfurou novamente. E só ai tive a certeza que nossa maior bobagem foi tentar ser o que já fomos, mesmo já sabendo que não havia condições. E forçar o que não se pode é triste, é doloroso e até covarde com a história que escrevemos e que é só nossa, apenas nossa, de mais ninguém. 

Fui injusta contigo. Você não foi menino e bobo, ao menos não como eu guardei. Você foi apenas humano e confuso, como somos. Não tenho dúvidas de que esse ranço foi algo mútuo. Os dois querendo algo que não pode e, assim, agindo de maneira estranha. Um corte com faquinha amolada bem no meio do sossego. O relembrar e comparar, se frustrar e não saber o que fazer com isso. Fugir disso. Correr o mais depressa que se pode pra um lugar seguro. O lugar seguro que não sou eu. Eu sou o campo de perigo, a gota de limão que azeda o doce. Algo que precisa ser bem escondido pra não ser lembrado, mencionado, posto em cima da mesa. Isso é o que provavelmente represento agora pra você. E até então você ficou, pra mim, como o óbvio ponto perfeito do bolo que deu errado. Que bom que esse vídeo retornou e que bom que eu ví esse vídeo. 

Hoje finalmente minha ficha caiu e deixei sem dor aquela história bonita e "jogo duro de comparar" em 2013, de onde nunca precisaria ter saído. Aquilo foi aquilo, não volta e nem continua. Não quero ser a gota de limão, você não é o ponto errado. Somos mesmo muito mais.

E é essa carinha leve do vídeo que quero continuar carregando de você, não importa em que ano ou mundo a gente esteja, cada um.

Com amor sempre,

Carlinha.


quinta-feira, março 31, 2016

Nu peito

Coração que anda na mão
Escapole antes no chão

Então suspendo, coloco na boca: engulo
Engasga no esôfago
Falo o que falo que não falo e empurro

Coração de volta ao peito

Onde enterrar palavras que morrem na ponta da língua?

quarta-feira, março 30, 2016

Por favor, não me chame de flor

Chamei de flor porque você não deixa eu chamar de amor.

POF

Eita mlk

Uma semaninha só. Eu me aviso. É bom que dá saudade! 

Como se precisasse da ausência pra isso. Quando juntos, arianinhos, ela existe no durante. No ato. Encostados pele com pele e já saudade. Abraço, carinho, cheiros: acabei de chegar. Eu tava com saudade... aliás continuo com saudade, menina. Avalie no depois. Oito dias de depois. Um celular morto e triste sem SMS. Lacuna na quarta-feira de toda quarta-feira. 

Colchão fofo todos os dias com ciúme do tatame: tão pertinho, tão distante.

quinta-feira, março 24, 2016

Picuinha:

um veneno tão daninho quanto o ciúme.

quarta-feira, março 16, 2016

Francisco


Francisco vai nascer. Ele já tem um bocado de apelido carinhoso: Chico, Chicote, Chicória, Chicão e até Afonsinho (que a mãe não nos escute pra puxar a orelha). Pra mim ele é Francisco e pronto! Um nome bonito feito esse não carece de outro.

Ainda não conheço seu rosto e não tem como saber se os olhos serão enormes e famintos como os da mãe. A cor verde é o que menos importa nesses olhões de mundo, feixe de luz no escuro. Mira e tiro certeiro. Um dardo lançado bem no centro vermelho. Não dá pra saber e, ainda assim, não tenho dúvidas de que sim, serão. Aquelas coisas que a gente sabe sem ver.

Francisco não é o primeiro filho de amigas próximas mas é como se fosse. Talvez porque agora parece tudo mais real e palpável que na época de faculdade onde alguém tinha menino e parecia irresponsabilidade.  Ora, mas há pouco tempo alguns amigos tiveram filhos, programadinhos, casais casados, tudo conforme a sociedade espera. Ainda assim é como se Francisco fosse o primeiro.  Por que? Talvez por ser filho de Amanda. Amanda que até pouco tempo tinha como preocupação os cabelos vermelhos, o cigarro encaixado entre os dedos de uma mão e um copo de cerveja ou o que quer que fosse de mais alcoólico na outra. Um texto coerente, outro nem tanto, um genial, um emprego bom, a aula de balé, a São Salvador, as confusões.

Francisco não vem de um casal casado. Francisco não veio esperado e agora a gente só faz isso da vida: esperar por ele. Francisco não preparou ninguém, muito menos Amanda e agora nunca a vi tão preparada pra tudo o que vier em todo o tempo que a conheço. Francisco ainda não tem rosto - pra gente - mas já o enxergamos de sunga na praia dos Carneiros em um verão desses correndo pra lá e pra cá pedindo picolé. Ele ainda não completou 1 ano e a gente já dança um frevinho miúdo com ele no Acho é Pouquinho aos 3. Francisco me faz olhar a janela do ônibus e ter um cadinho de esperança no mundo mesmo estando tudo errado.
Ele não é o primeiro filho de amigos próximos mas é o filho de Amanda, uma mulher que vi  amadurecer, que tenho vontade de estar perto, que escuto com os ouvidos bem abertos e admiro de doer. Falo dela e meus olhos brilham, tenho certeza. Falo deles e meu peito infla.

Do susto em uma mesa de bar na Tijuca veio a surpresa: hoje não consigo imaginar uma dupla mais forte e esperada do que essa.