Domingo, Maio 10, 2009

Ela



No mercado de Casa Amarela
cuzcuz, galinha cabidela
Cerveja gelada
um samba do nada
a mais linda é ela

Escondidinho de charque
bóbó e baião
tempero prendado
é só coração

Um trago, dois tragos
no cabelo, mil cachos
a voar por ai

Tato e olho
canga e óleo
manteiga e alho refogando na panela

é de mim, é dela
é com dor, é sem dó

Minha mãe é uma belíssima mulher vestida de sol

Carla Alencar

Quarta-feira, Março 25, 2009

Fundo

Meu centro de tudo
ponto fundo no mundo
giro fora do chão
um abraço em plutão

O que de tão perto
pintou distante
sem foto na estante
na parede
no instante

presente em casa passo
cada laço
(na mão)
feito uma reza
uma crença
um crime
uma sentença

pé na grama
grão na lama
chuva seca no quintal
chuva escorrendo
tempo escorrendo
eu escorrendo
em mim

enfim
o drama
a dama
a noite
a cama

Acordou
No sonho eu sou, madrugada
de dia recordo

Carla Alencar

Sexta-feira, Março 20, 2009

Desperta


carrega
condiciona
liquidifica
repara
ventila

dor

Carla Alencar

Quarta-feira, Janeiro 21, 2009

Eu feto

A vida ficou tão pegável que nem sei se vou ou fico
sem foto, só fato. Um fato atrás do outro
fato aqui, afeto querendo, feto em mim
eu feto
eu feto depois, fato. Por fim afeto
sempre fui do 'por fim'
feto e fato não passaram por mim
e agora o feto ficou grande demais
pra me caber

é fato, enfim, afetou

queria assinar que nem Vinícius, algo do tipo
Oxford, 1946
Tem um que é meu predileto, ele quase humilha,
é o soneto de separação que foi feito nessas condições de assinatura:

Oceano Atlântico, a bordo do Highland Patriot, a caminho da Inglaterra, setembro de 1938.

Não sei se vou comseguir
não sei se vou
não sei
não

sei.

Carla Alencar, verão de 2009.



Segunda-feira, Janeiro 12, 2009


  1. Xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho!!!!!!!!!!!!!!!
tequiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha
tereziiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha

mamis
pitiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiito
danieeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel
cara de pasteeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeel

dona mariiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiia

fabioooooooooooooooooooooooooooozzy

joao viiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiccccccccccccccctor

siiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiilver rrrrrrrrr rrrrrrrrrr rrrrrrrrr

eeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeee!

uuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuu!

xiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhaaaaaaaaaaaaaaaaaaa
moreniiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhaaaaaa
minhoquiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha
catotiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha
carliiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha
grudadiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinha
bichiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho coloriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiido
cheiriiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinho
olhiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiinhos

fabio rabin
carla alencar

*um surto às vezes é bom! =)

Sábado, Dezembro 20, 2008

lá do alto


Pipa, voa, pipa
voa, pipa
pipa voa
cerol, cordão, cerol, cordão
sorriso menino
sorriso na mão
pipa correndo céu
correndo céu
caindo céu
pintando céu

menino correndo chão

Carla Alencar

Quarta-feira, Dezembro 17, 2008

Poesia no jardim da filosofia



'Pessoas desmancham quando muito.
Quando não se quebram ao meio ou em pedaços.
Pessoas dissolvem aos pouquinhos
Quando dá tudo certo.
Ou então se arrebentam por dentro ou por fora.
Pessoas às vezes explodem em tumores.
Quando não murcham devagarinho.
Pessoas dissolvem no chão'

Viviane Mosé





* Ai vai uma homenagem mais que merecida para a palavra cuspida dos olhos de viviane ,que, hoje, me proporcionou momentos de puro êxtase, fascínio e nostalgia de mim mesma.