sexta-feira, junho 14, 2013

Através




à Maria

Ontem eu te vi me vendo por dentro e acompanhando com ar de surpresa cada palavra que eu falava. Palavras molhadas de cerveja. Ao menos já não são mais de lágrimas. E o que mais me impressionou foi a constatação de que você, minha amiga próxima há longos dez anos, desacreditava até ontem em minha capacidade de ser humana a ponto de sofrer. Era como se isso não fosse possível comigo, 'com calinha não', ou ao menos não desse jeito, com essa maturidade no ato de sentir, dor. Confusa (admitindo a confusão) e em carne viva. Viva! 

'Nunca te vi falando assim', foi o que você me disse com palavras e esses seus olhos enormes. E, ao mesmo tempo que te ví surpresa, te ví também contente. Parece que pela primeira vez nos encontramos nesse ponto máximo da vida e finalmente pra mim sofrer podia ser uma coisa natural. Como é pra você, como é para as pessoas que a gente conhece e também para as desconhecidas. 

Na verdade me espanta o teu espanto. Passei o dia pensando sobre isso. Eu tenho 25 anos e já passei por tanto nessa vida, tristezas profundas, traumas, perdas irremediáveis e você, que sabe minha história de cor e que dela poderia sair um filme cheio de lágrimas, duvidasse de minha capacidade de sentir vazios. Por que? Já me visse triste várias vezes. Já choramos juntas outras tantas. Mas parece que ontem foi mais real, né? Eu sai da condição de suporte, daquela que sempre tem os conselhos mais sábios, desapegados e leves para ser o outro lado, o lado por igual. Eu não sou de aço e apesar de levar a vida da maneira mais leve que se é possível, com esse otimismo que você admira tanto, eu ainda sou feita de carne, osso, coração e um bocado de músculos involuntários que eu sequer sei os nomes. Alguém que também sente necessidade de tanta coisa, inclusive desse vácuo. Por mais absurdo que pareça, também sei arredar, parar, acalmar e, quem diria, aceitar. Aceitar esse negócio estupendo, solúvel e volúvel que é a vida. Assim, da maneira como ela é e se mostra a cada nuance. 

Não reclamo mais, miro e sou alvo dela. A cada tiro, a cada queda. Levanto. E cá estou, contente da vida por ter te mostrado isso no alto dos nossos 10 anos de amizade. Quem sabe agora não podemos caminhar (ainda) mais próximas? Eu também sei sofrer, tas vendo? Você que nunca viu. Ou eu que nunca mostrei. Um a zero pra gente.

Toma o teu, otário!

Voltando da praia, canga transformada em vestido que amarra no pescoço só pra lembrar que a década de 90 existiu. Moço passa com uma bicicleta enorme de carga perguntando se quero namorar com ele. Você é linda. Morena delícia. Pedalando lentamente e olhando pra trás. E, enquanto eu desejava sua morte - lenta - ele, ainda virado em minha direção, bate no muro lateral do Copacabana Palace. Bicicleta de um lado, homem do outro. E você é feio, muito feio. Foi o que eu disse de boca cheia enquanto ele levantava amoado e envergonhado. Toma o teu, otário! Gritou o rapaz que carregava uma quantidade gigante de rosas pra dentro daquele hotel de luxo.

quinta-feira, junho 13, 2013

Dia dos namorados

                                                                                                                                   A Jorge

ou `DnR: Discussão de não-Relacionamento` titulo sugerido por Bruno Abdon.

Quando percebi a emboscada que topei me meter, já era um pouco tarde pra desistir.

- olha, não é um pouco irônico esclarecer detalhes do fim de um ex futuro namoro justo no dia dos namorados?

-Ih, cara... Eu nem tinha me atentado pra isso. Mas é que amanhã eu tenho um evento e sexta eu viajo.

uma hora de conversa sobre qualquer coisa, como sempre acontece quando pessoas têm um assunto a tratar e a prévia se torna mais longa que o ponto em sí. Silêncio. Olhares que esperam uma palavra. A palavra que não é dita. Pergunta você, é o que penso, já que ele quem sugeriu a conversa. Estou esperando você me falar alguma coisa, é o que ele pensa, já que eu decidi tudo tão depressa e sem uma consistência esperada. Não estar mais gostando tanto assim não é motivo suficiente. É sim. Não é. Mais silêncio. Uma palavra que leva a outra. Uma espera. Uma pergunta, uma resposta. Um princípio de raiva. Uma lágrima, várias. Você devia isso. Você que não devia. Pausa. Não vamos brigar. Não vamos. Você é especial. Você também. Eu te amo. Silêncio. Um abraço forte. Outro. Valeu a pena. Sim. Estou com sede. Eu também. Um chopp da Devassa? Por que não? Dois chopps, por favor. Mesa com vela, casais se declarando, você na minha frente, garçom com dois chopps: ruiva pra você, sarará pra mim. 

-Garçom, ex futuros namorados têm desconto? 
- Não, minha filha. Deveria pagar até mais por ocupar uma mesa. 
- Ok. 

Risos. Outros risos. Olhar. Desvio. Silêncio. Um assunto qualquer. Vou embora. Te deixo no ponto de ônibus. Fui pra casa. Você também. Cada um pra sua casa. A vida é uma loucura.

quarta-feira, junho 12, 2013

Mind the gap

Mais perdida que qualquer objeto caído no vão entre o trem e a plataforma.

terça-feira, junho 11, 2013

Em aberto

Pensei que os objetos poderiam, de repente, ter vida própria. Imagina você acordar atrasado por que seu celular/despertador foi dar uma volta nas ramblas ao invés de tocar aquela sinfonia calma próximo às sete da manhã? Na hora H com a gatinha a sua camisinha estar no quarto do compañero? Os tomates e temperos na varanda. O guarda-chuva na farmácia da rua de baixo. A sunga no armário de Marina ou Sandra. As chaves da corrente da bike na biblioteca da faculdade, entre psicanalistas e economistas. Mas, claro, haveria de ter uma ordem. Os objetos poderiam ficar sumidos por até uma hora e só teriam serventia para o próprio dono, de modo que não adianta um engraçadinho cruzar com sua calça listrada de estimação pela Plaza del Sol e querer dar o ganho - não. E também que essa nova onda de vida própria aos objetos não estaria valendo para artigos públicos, como semáforos e lixeiras. Nos questionamos se esse novo mundo teria algum beneficio pra nós, seres humanos, e chegamos a conclusão de que seria o verdadeiro caos e que as pessoas teriam que trabalhar em cima da tolerância e da paciência. O que não decidimos, pois já estavámos chegando em casa - famintos e  molhados de uma chuva de dia inteiro - foi se seria possível uma relação de brodagem e negociação com os objetos. 'Bro, não sai de casa entre tal e tal hora não que vou precisar de tu, visse?' É, isso ficou em aberto.

sábado, junho 08, 2013

Paissandu

É a primeira vez em muito tempo que volto nessa rua, rua essa que sempre me levou até você. 'tô descendo do ônibus, já chego!' 'tá, eu te encontro no meio do caminho!' era o que você, ansioso que só, sempre fazia mesmo sabendo que passaríamos a noite inteira juntos. E fazia não por algum motivo decretado como perigo ou frescura, mas pelo prazer de estar quinze ou dezesseis minutos a mais comigo. E passávamos no mercado, cervejinha diferente, ingredientes para o jantar, parmesão, vinho, tomate italiano, chocolate do frade.

Dessa vez eu não ia ao seu encontro. Eu não estava voltando do trabalho. Não ia ter mercado, beijos e vinhos. 

A Paissandu é ainda tão bonita, mas com um sentido meio perdido. Me senti estranha a cada passo, como se não fosse de direito meu caminhar por ela agora, um guarda com caderneta em mãos pra me multar. 

Não consigo redesenhá-la com outro cheiro, outro gosto, outra vivência. E nem quero. Essa rua, depois de tantos meses, continua sendo a que me leva até você, mesmo que você não esteja lá. Mesmo que eu não queira ir. Mesmo que. Essa rua não carece de outro significado se ela já é carregada de tanta lembrança que eu, à época, nem prestava atenção.

MARIA MÃE DE DEUS e toda sua falta de nexo continua escrita em tinta branca naquela árvore. Mais desconexo do que isso, somente não te ver no meio ou fim desse caminho. Mas te encontrar no final da rua, isso sim seria coisa maluca. E foi.

Temperado

Não tem jeito. A hoje quando leio ou escuto "vidro temperado", de pronto eu vejo a noz moscada, pimenta do reino, orégano, sal, azeite e tomilho transformando aquele material cortante em um verdadeiro banquete.

quinta-feira, junho 06, 2013

Não confundir mobilidade com modinha

Faz algum tempo que o grande barato dos recifenses aos domingos é passear de bike pela ciclofaixa e, no fim do dia, postarem em suas redes sociais como isso é bacana, fotinhos da magrela, capacete, lancheira e uma caralhada de coisas típicas de quem passeia de bicicleta e não de quem anda. Não estou reclamando da iniciativa na cidade e muito menos da empolgação das pessoas, mas o que deveria ser levado como um movimento sério de mobilidade, acaba virando mais um entretenimento para as famílias cansadas do tédio dominical e para casais que querem ser saudáveis, nem que seja aos domingos. 

Não quero entrar no fato de que grande parte de meus amigos que estão nessa onda nem sabem que é necessário pedalar na mesma mão dos carros (algo tão elementar) e quando eu falo isso ainda acham que é frescura. 

Não quero falar sobre iluminação e segurança nas vias, no caso, na não segurança.

Não quero entrar nas questões que considero importantes a serem inseridas no contexto bike-recife antes de meterem uma ciclofaixa pra muitas pessoas que (ainda) não foram educadas pra lidar com ela - principalmente os motoristas de carro.

Não entro nesse debate simplesmente por saber que se é iniciativa, precisa começar de algum ponto. E quem sou eu pra dizer que ponto certo seria este. Apesar de achar que já começaram na metade de um processo.

Mas uma coisa não tem como não colocar em xeque: Enquanto os numerosos carros dos meus amigos continuarem transitando pela cidade durante  toda a semana e ficando na garagem apenas aos domingos enquanto eles (agora atletas) pegam a bicicleta emprestada do vizinho (ou aquela que acabaram de comprar ou ainda a que estava encostada no quartinho dos fundos) pra dar um rolé pelo Recife Antigo nesse dia ensolarado, a mobilidade vai continuar sendo modinha.

Mau

Pensava que meu blog nunca pudesse receber esse texto. E ainda estou um pouco sem jeito de como escrevê-lo, com medo de cair, mesmo sabendo que não, no nosso antigo vício de 8 e 8.000. É que foi tão leve que nem parecia você. Nem parecia eu. E o problema - sabemos - nunca foi cada um de nós, mas sim essa mistura ariana demais. Ao menos não culpo mais os astros, apenas menciono. 

Nem sei quantas vezes tentamos, em vão, qualquer coisa parecida com isso, esse negócio que ainda não sei nomear. Sei que vem depois de entendimento e antes de cumplicidade. É parecido com quase vontade mas não é, vontade tem. Acho que esse troço não tem nome por ainda estar se formando. Criando corpo, roupagens e pernas pra andar com os próprios pés, sem os nossos pra atropelar tudo, todos, a gente.


O que sei é que quando eu ía você corria tão depressa... Quando você finalmente vinha eu estava no outro quarteirão impondo entre nós uma muralha maior que a da China. Foi preciso um problema teu e meses de distância geográfica pra esse abraço? Não sei, o motivo não me parece fazer diferença alguma. A diferença tá no abraço. Não falo do abraço ato de quatro braços em comunhão se enroscando, pois sempre fomos bons nisso, mas falo de todo o entorno que esse abraço bem apertado pode envolver. O antes e o depois. O abraço no chão gelado de Santa Teresa com cheiro de Raica gordinha e silenciosa entre nós, recebendo e dando todo o carinho do mundo com sua linguinha de presunto.


'Queria tanto ficar te abraçando e te dando carinho', foi o que você me disse.


Quem sabe agora, depois de tudo, depois de todos, depois da gente, a gente não possa ser amigos. 
Quem sabe a gente não possa apenas ser.

terça-feira, junho 04, 2013

The one




Enquanto não vens
sigo o caminho torto
de tanta gente
e ninguéns

segunda-feira, junho 03, 2013

Quando um botão decide a vida. Ou a morte.

                                                                                                                                     A vôvô

A velhice é a voz da experiência, um óculos redondo com olhinhos apertados por detrás e uma carinha fofa, apertável. 

Mentira. Tudo mentira. 


Quem pensa isso decerto nunca viu a velhice de perto, sem vestimentas, literalmente. A velhice não é bonita. Ela é degradante, deprimente e fedorente. Ela fede a mijo e pede pra não existir a cada reação. A velhice treme, teme, escorrega e se caga, toda. A velhice te faz velho demais pra querer ajuda e muito criança pra não aceitá-la. A velhice é uma droga forte e pesada. Palavras vazias, soltas. Velhice é uma cabeça que eu não tenho a mínima ideia de como funciona. São horas que demoram dias pra passar. Um quarto com quatro paredes. Um lençol sempre por trocar. São ferros por todo o banheiro. Velhice é não querer comer com a mão dos outros. Não querer mais falar um assunto desconexo. É ter uma eterna preguiça. Velhice, aquela já bem velha, é um olhar vago, vesgo. Um olhar que não vê. Um engasgo, um fiapo, um fardo enfadado. Velhice é aquele dia que tá sempre bem longe pra nós, jovens, e que mora no agora do meu avô. Velhice é tirarem o seu bigode e pulseira de uma vida inteira sem pedirem sua permissão. Na velhice, a decisão sobre sí mesmo já não vale mais de nada.   

domingo, junho 02, 2013

Sobre a morte II

Poucas coisas são tão certas quanto a morte e, apesar disso, uma vida inteira é sempre muito curta pra tornar essa ideia - quase que hipotética - real, natural e palpável.

quinta-feira, maio 30, 2013

Título

Possivelmente este é um dos textos mais fáceis que escrevo por aqui. Não tem como dar certeza, pois seria muita adivinhação em menos de uma frase concluir tal feito. Mas arrisco que sim, já que é a primeira vez em que o título é escrito antes de desenvolver a ideia, sem o risco de mudanças no pós texto. Um título escrito sem preocupações e tão rápido. 

É que eu tenho uma dificuldade enorme com títulos e é comum que eu gaste mais tempo pensando nele do que escrevendo o próprio texto, inteiro. E essa deficiência existe desde que comecei a escrever, ainda menina. Meu primeiro poeminha, por exemplo,  não tem nome. Já zerei uma prova da cadeira de redação jornalística por simplesmente ter esquecido de colocar o danado, já que deixei para o final. O texto, segundo meus amigos, tava foda. Muito foda. digno de 10 parabéns. Mas o professor alegou que nem chegou a ler a redação. 'me recuso a ler um texto que não tem título. Você é uma jornalista, se oriente" foi o que ele me disse naquela tarde, enquanto eu tentava, sem sucesso, salvar nem que fosse alguns pontinhos de nada pra que minha situação não fosse tão grave na prova final. 


A questão é que no decorrer dos anos depositei uma responsabilidade gigante nos títulos. Do mesmo modo que posso comprar um livro ou chocolate pela embalagem, eu leio um texto pelo título. Natural. E com esse pensamento, sempre travo na hora do dito cujo. Nunca tá bom. Ou não consegue captar a essência geral do texto, ou é óbvio demais ou é brega. Ou pior: não tem relação com o texto. A verdade é que meus títulos são sempre muito ruins e meu trauma com eles só começou a passar do desespero para o cômico quando comecei a escrever pra uma TV. Eu era da editoria de economia e tinha que respeitar uma quantidade x de caracteres, uma quantidade ridiculamente curta e desesperadora pra minha prolixidade toda. O desafio era transmitir cada notícia em 4 cartelas de mais ou menos uma linha e meia cada uma. E os títulos obviamente precisavam acompanhar a estética - curta. O padrão da TV pedia que fossem duas palavras, o título que eu mais gostava de usar era Eike Prejuízo. Se o coroa perdesse grana em suas ações e empresas eu já lançava a piadinha. Mas algumas vezes eu exagerava - na não criatividade e no ridículo. A clássica, que ficou pra história da TV, foi quando escrevi sobre o lucro do cultivo de milho no sertão de não sei onde e intitulei a matéria de "Milho". Depois desse dia, qualquer pergunta idiota que faziam na redação as pessoas respondiam Milho. Milho também servia pra quando alguém tava em dúvida "fica melhor assim ou assim?" "coloca Milho!". Ainda bem que não virou apelido. Ainda bem!


O mais estranho é saber que, a partir de agora, quem lê este blog vai ficar atento aos meus títulos - que antes podiam até passar despercebidos - e concordar com minha fraqueza. Ou quem sabe esse texto não serve apenas de step pra mostrar de maneira sagaz e se pá inteligente que, a partir de agora, meus títulos podem continuar sendo desse jeito meio sem jeito sem culpa - ao menos tenho a desculpa de dizer que assumi essa falha em público. 

terça-feira, maio 28, 2013

Um trem para o futuro

Cruzei o Nordeste do Brasil de trem. Apesar de ter levado alguns dias pra atravessá-lo, a viagem me pareceu bem rápida. Era como se em minutos eu me deslocasse de um estado para o outro. Comecei no Maranhão, desci para o Piauí e quando cheguei na Bahia tomei um banho morno de mar, comi umas coisas gostosas e não me saía do pensamento "que viagem do caralho, que viagem do caralho!!!" Eu queria muito que meus amigos tivessem junto, mas viajei sozinha. Depois da Bahia, segui subindo por Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraiba, Rio Grande do Norte e finalizei no Ceará, com um caranguejo bem graúdo na Praia do Futuro e uma cervejinha gelada sendo acompanhados por um repente muito louco daqueles moços que sempre ficam por alí tocando para os turistas. 

O dilema era saber pra onde eu iria depois dalí. Pernambuco já havia passado fazia era tempo e eu só o ví pela janela, cheinha de saudade. Não teve parada pra uma tapioca na Sé e um reencontro com os amigos do peito. E o Rio de Janeiro? Me fiz de burra e disse ao motorista que a gente tinha que passar por lá, pra eu chegar em casa. Ele disse que Rio de Janeiro era em outro pacote, que eu tinha que fazer baldeação (odeio essa palavra) não sei onde e lá adquirir os tickets pra cruzar o Sul e Sudeste. Mas o ticket custava três vezes mais. Fiquei por alí, sem pressa pra chegar na patola, na esperança que alguém decidisse por mim. 

Uma voz em outra língua que não nordestina sopra em meu ouvido e um catucão discreto me acorda "endireita a poltrona e coloca o cinto que a aeronave já vai pousar."

Olho pela janelinha e vejo o meu Rio de Janeiro todo iluminado. Fim do dilema.

domingo, maio 26, 2013

Dublin dando um tapa na minha cara

É muito fácil simplesmente dizer que "agora eu gosto de Dublin" justamente um dia antes de ir-me embora. E, apesar de não bater com nada do que sempre falei daqui, se hoje fosse meu primeiro dia na cidade, certamente iria pintá-la de outro modo, toda empolgada.Mas hoje foi mesmo um dia atípico, e não apenas pra mim que estou de partida em poucas horas. A alegria solar invadiu todo mundo. Era como se hoje fosse o primeiro dia do verão e a cidade, finalmente,  começasse a existir. (mesmo sabendo que aqui  não tem isso de bikini, batida de frutas, piscina azul. Apenas uns dias raros de sol, como hoje). 
 Foi a primeira vez em meses que vi pessoas - várias - na rua e que não fossem apenas brasileiros indo pra aula ou pra um pub qualquer encontrar outros brasileiros. A primeira vez que tinha gente de tudo quanto é tipo da porta pra fora. Felizes, sorridentes e com uma bebida na mão. Chega me esqueci que não se pode beber na rua. Eu e todo mundo. Primeiro dia em que o sol - forte - não significou mais frio ainda. Casaquinho leve só  pra não ousar demais e Talha de havaianas, shortinho sem meia por baixo e um sorvete amarelo. A alegria era tamanha que arriscamos novos sabores de sorvete, como quem arriscca uma aventura amorosa. 
A melhor parte foi chegar na Merrion Square e, no lugar de deserto, se deparar com um festival de soul bombante. Gente feliz, clima de paquera, gramado lotado, sol queimando a cara, competição de pernas brancas, estupidamente brancas de fora. Coisa linda. Coração chega se aqueceu. Fiquei contente, mesmo que no meu último dia, em ver que a cidade - sempre tão baixo astral - pode ter vida no lado de fora das portas e não apenas dentro dos pubs.



Foi bom ter visto isso de perto! Se alguém me contasse, mesmo que fosse um alguém de confiança , eu ia pensar que tava de sacanagem.


dá-lhe verão pra meu povo!

sábado, maio 25, 2013

Amsterdam, 23 de abril

Aventura mesmo é estar em cima da linha do trem, em uma bike sem freio e sem lanterna, com o trem buzinando atrás (podia sentir o ventinho) , carros de um lado da pista e gente gritando do outro, na   calçada. Um corte na canela, uns arranhões nas mãos e um abraço sincero de alguém que não conheço. A vida é o instante entre minha bike e o trem. Ou simplesmente um gramado frio, acolhedor e essa cerveja que bebo agora. 

* papelzinho amassado e encontrado dentro do bolso da calça jeans.


sexta-feira, maio 24, 2013

25 de maio

* Carta escrita em 05 de agosto de 2012, no rascunho do gmail. Nunca te enviei e nem sei exatamente se teve motivo ou se o tempo apenas passou e passou. Hoje, teu aniversário e mais de 20 anos que nos conhecemos, lembrei da existência dela e decidi postar, mesmo sabendo que você não vai ler.

Minha querida,

Enquanto assisto ao nado sincronizado na TV, me recordo da época em que tudo tinha gosto de leite ninho em pó com nescau e cheiro de grama com terra. No tempo em que achávamos que podia-se colocar as mãos no chão nas coreografias na piscina e nos arriscávamos em uns passinhos tortos e cheios de felicidade no km 2 da Estrada de Aldeia. Nesse tempo você insistia, com tamanha ousadia, que eu deveria ser campeã olímpica, primeira bailarina de algum teatro importante e todas essas coisas que eu nunca seria, nunca fui. E era com um imenso orgulho que você falava de mim para suas amigas bailarinas, que eu dançava como nenhuma delas daquela tua escola importante no Recife. E eu morria de medo de te decepcionar um dia. O tempo passou e os gibis foram substituidos por livros de garota 'coisas que toda garota deve saber', textos de agendas, depois por romances e posteriormente por livros que eu não fiquei sabendo mais quais seriam.

E foi quando as brincadeiras de escoteiro, de bicicleta pela granja, de passeios escondidos pela mata, ensaios de quadrilha, diários escritos e secretos, aniversários, um deles com direito a cesta de guloseimas e declaração em uma faixa bem grande no meio da rua, com toda a breguice que o amor tem, carta de rolo, receitas dos livros da tuma da Mônica, bolos de cenoura, arroz, frango à milanesa e arroz (sempre), karaokê, espingarda de chumbinho, cobra de dois metros na frente da minha casa e todo o blá blá blá da infância  foi guardado em uma daquelas duzentas caixas do porão da tua casa. E é quando me dá uma raiva danada de tu, raiva igual aquelas que a gente sentia quando era pequena e brigava por conta de alguma brincadeira de v ôlei ou de nome/objeto. Porque vejo que grande parte dessas coisas que vivemos, ao passo que fez com que eu me tornasse a pessoa que sou: cheia de boas lembranças da vida, se tornaram empoeiradas e lacradas. Sempre fomos tão craques em planos infaliveis e acabamos falhando no nosso próprio plano de amizade. E é quando, só pra juntar um tiquinho mais de raiva, me lembro de cenas ímpares, como fugir de missa de sétimo dia de algum amigo da tua mãe e de tio Yony pra uma festa de aniversário que tava rolando ali perto e dava pra ouvir a música,  na Jaqueira,  onde enrolamos o porteiro e entramos sem conhecer ninguém e so saimos depois de bater papo com os pais do garoto, comer cachorro quente e dançar sob os olhos de várias meninas com raiva da gente por estar chamando mais atenção do que elas. E foda-se quem eram elas. Ou eles. A gente queria era aventura no ápice dos 13 anos de idade.


Me lembro também de quando nadávamos no mar violento de Tamandaré até o mais distante que podíamos, até pra salvar um velhinho já mergulhamos, destemidas. Do beliscão na bunda de Virginia Cavendish e também do nosso primeiro beijo no trenzinho do parquinho em uma discoteca. DiscotEIA.

E falo tudo isso só de ruim, pois tenho certeza que você não vai lembrar da metade dessas histórias que contei e das muitas outras que eu poderia contar, mas isso nao me deixa chateada, pois sei que você sempre teve uma memória ruim, além de toda sua fuleiragem e o gene egoistinha de merda que corre em tuas veias. Tudo sempre na hora que você quer e como você quer. Eu sei que sempre foi assim, mas não sei se continua sendo e se sempre será. Eu sempre fiz das tripas coração pra equilibrar meu jeito com o teu pra poder resultar no que éramos, -Sonicas. Quem não entendeu nada, pelo visto, foi você. Não entendeu que eu te amo mesmo assim, mesmo com todo esse desleixo de uma vida inteira. Te amo em cada palavra de voz fina que ainda recordo e dentro de cada espaço, o que passou e os que ficaram.

Me pergunto se hoje em dia você ainda tem nojo de dividir o mesmo copo e me pego curiosa se aprendeu a ouvir mais do que a chegar na eterna defensiva ou ainda se sua voz continua maravilhosa... E percebo que pessoas que te conhecem de oi devem saber mais dessas respostas do que eu que dividi contigo não só o meu diário, mas a minha vida. Vejo nas fotos a mulher linda que você se tornou, uma princesa, como sempre almejou: cabelos impecáveis, pele alva mais do que a de Carolina Casting e magra. E é quando te digo com todas as letras que, só de ruim, faço questão de recordar de todas as boas coisas, quem sabe assim você, competitiva que só (tenho certeza que nisso não mudou em nada), não toma juízo e vem aqui, pertinho de mim, admitir (imagino que essa palavra ainda te doa) que apenas eu cumpri a promessa de menina que você sugeriu: morarmos no Rio de Janeiro. Não entramos pra Malhação, é verdade (ainda bem!), não virei campeão Olímpica e você não se tornou uma cantora famosa de Ópera, e, claro, não viramos levantadoras profissionais de vôlei (como já era de se esperar com nossa altura de gnomo que com certeza não deve ter mudado tanto assim). Kate winslet já não deve ser sua atriz preferida (apesar de Rodrigo Santoro AINDA ser o que acho mais bonito de todos, ever and ever), aquele chaveirinho com a casa de Santos Dumont que me desse, como se fosse uma coisa bem distante da minha realidade, hoje faz parte da minha vida e de vários finais de semana, pois meu namorado é de Petrópolis.  A coleção de areia, apesar de ainda existir, está toda maltratada e sempre que a vejo tenho pena de jogar fora, principalmente quando olho aqueles grãos escuros de terras tão distantes e a coleção que ficaria "uma semana na casa de cada uma", acabou não saindo da minha. 

Muita coisa mudou, mudamos, mas uma coisa é certa, não vai mais doer, descobri que tenho lembranças bonitas guardadas por mim e por você.

Beijos, sua vaca!

quinta-feira, maio 23, 2013

Hora de voltar




Nem voltei para o Brasil e quero estar de volta. Não sei com que objetivo e nem quando, mas sei que quero e isso me faz levantar da cama como se eu tivesse deixando de fazer algo para isso, nem  que seja comer chicken filet a semana inteira pra economizar,  mas logo em seguida dou uma risada bem óbvia  que tenho planos de gastar uns trocados com retiro artístico espiritual em Maricá  no proximo mês , passagem para o carnaval de Recife e um macbook. So ai meu dinheiro acabou faz  é tempo, aliás , nem deu! Também não sei como vou voltar se antes quero fazer uma viagem pela America Latina, virar ano no Vale do Capão , comprar um skate, me matricular em um curso de inglês e ballet. Ah, isso tudo sem emprego. Mas, ainda assim, eu vou voltar. Vou voltar e vou conhecer a Bósnia, Croácia e a Sérvia . Não  sei se antes ou depois do macbook. Se antes ou depois do Chile. Mas eu vou voltar, eu sinto, sabe?

Em poucos dias meu horário biológico passará a ser outro. Cinco horas de  diferença e uma enxurrada de quilômetros  me afastando daqui. De primeira isso me parece assustador. Como assim, ? Não tem a chance de comprar uma passagem Ryanair e estar ali do lado. Vai ter um mother fuck oceano do caralho separando 3 meses de história sem piedade alguma, como se isso fosse justo. E do nada o frio passa a ser calor. A cerveja volta a ser a mais modesta. O feijão mais gostoso. A carne, aaaah, a carne, vem que eu te quero, sua gostosa. Leo e Rafa ouvindo minhas aventuras. A cerveja gelada e mau humorada do Ze. A praia, os mergulhos, a bike. O chocolate - que volta a ser importado e caro - O cuzcuz que vira rotina mais uma vez. A feira do lado de casa dia de quinta-feira. A azeitona que nunca mais terá o mesmo gosto. O gosto das frutas e dos sucos. Um samba na Pedra do Sal com os bons. Mudar da confusão de língua para a confusão de sotaques.

 E um relógio de celular por acertar -  eu acordo, você dorme. você acorda e eu vou dormir.

dói e alivia. que bom poder viver tudo isso.

quarta-feira, maio 22, 2013

Deicys

O pior lugar pra sair em Dublin e, ainda assim, toda terça-feira, com ou sem chuva, a galera ta preenchendo todos os espaços. Todos os  espaços dessa balada (a palavra balada combina com o lugar) ruim. Mas, ainda assim, no fim das contas a gente acaba indo  que não é todo dia que se bebe meio litro de guinness por 2,5 nessa terra cara de meu deus. na terça-feira e na Deicys. 

Com a primeira guinness na mãocomeço a me perguntar o que diabos estou fazendo ali enquanto no último volume Gustavo Lima e você canta o tche tche rere tche tche e, antes que eu responda minha própria pergunta mental, sigo desesperada pra outro ambiente da boate e me deparo com todas as garotas com uma argamassa cor de laranja na cara, um sapato alto deste tamanho, uma sainha mostracú e dançando fazendo biquinho. E o pior? eu faço um bico maior ainda pra compensar o tênis, a meia de cada par diferente, o short jeans surrado e a blusinha caqué, me sobra o bico, que não dura nem dois minutos pois os amigos não se aguentam na risada, nem eu. 

No fim da pint, rola aquela vontadezinha de liberar o xixi e eis que naquela fila mais demorada que a espera pelo carnaval, você  é obrigada a ouvir a colega de fila chamar a amiga de a-mi-ga. Ah, pelo amor de deus, né?  amiga chamar amiga de amiga é demais pra mim. Depois de ouvir meia hora de assunto alheio entre - ele se agarrou com outra e eu preciso vomitar - você faz seu xixi bacana e volta pra comprar outra cerveja, afinal de contas, esse é o motivo pelo qual você e os seus estão ali. Acontece que no caminho entre o banheiro e o bar existem 587  cidadãos que chegam se pendurando em você. em você e na amiga. em você na amiga e em qualquer outra. todos querem todos o tempo todos, sem esse último s. mas é que é muito plural aquilo ali, muita informação

Mas, calmae,  além de toda  terça-feira ao menos 5 pessoas serem furtadas por , o lugar ta sempre abarrotado de gente que derruba cerveja em você o tempo todo e se desculpa falando `desculpa` porque são quase todos brasileiros, meio litro de guinness custa 2,5. Ai a gente vai,

Mas não consigo respeitar um lugar onde um  cidadão catuca minha cintura e diz - I know you! I know you de cú  é rola, amigo, respondo sem me importar com sua nacionalidade e capacidade de entendimento.  E, quando a gente acha que não pode piorar, o amigo do amigo de um amigo que é carioca e fica sabendo que moro por , me pergunta o que faço no Rio, pra onde gosto de sair e eu respondo que não sou de boate, que levo uma vida mais diurna. E então ele me diz - ah, diurna... diurna é um tipo de festa, ne? maneiro! (Meu deus do céu, pelo amor de deus me tire daqui.) Isso, é uma festa, sim... deu minha hora, vou mimbora, adeus.

Ontem foi minha última terça-feira na Deicys e foi ruim, muito ruim. Mas, sei ... foi bom! a galera, a guinness, meio litro, 2,5...

terça-feira, maio 21, 2013

Confusão astral

sair à noite de shortinho jeans, tênis, blusinha fina e, na volta, tremendo de frio, quando vou desamarrar a meia calça da cintura no caminho do M pra Joanic, não me dou conta de que estou na Irlanda, como percebo que a meia calça ficou em Barcelona. Eu também.

morning song

minha pele conheceu todos os espaços vazios da cama
a cama, vazia, se apoderou de toda a minha pele
essa pele, minha

(ainda)

cheia de você

segunda-feira, maio 20, 2013

segunda-feira, maio 13, 2013

Dipois

                                                                                                                               A Brecht

Ordinários daqueles que te têm todos os dias pelas ruas, no banco, elevador, farmácia e não te sabem. Aqueles que tem têm hoje na frente da universidade, amanhã na fila do banheiro, agorinha mesmo cruzando de bike e daqui a uma semana entre uma prateleira e outra do supermercado. Entre laranjas e lulas dorê congeladas. Ordinários daqueles que te esbarram, pedem desculpas, por favor, dá lincença e não te sabem. Te perguntam as horas, se queres com açúcar, te dão o troco, encostam dedo com dedo e não te sabem. Daqueles que te pedem uma informação, te dizem não com um aperto de mão, te pedem um trocado - negado -  e não te sabem. Ordinários que te tomam uma caneta emprestada, te veem tropeçar na calçada, sentam ao teu lado - veja bem - ao teu lado no metrô e não te sabem. 

E à mim, que te sei, te digo e te repito, só me resta este texto. Este texto quase bonito.

sábado, maio 11, 2013

Risoflora




Uma vez que se escolhe como estilo de vida sair de sí pra ir aos outros - pisos, pessoas, gostos, sensações -  despedidas passam a ser companheiras de trajetória, caminham juntas à essa decisão. Conhecer o outro, o novo, é sempre gratificante, eleva a alma, colore o peito, dá sentido a isso que a gente chama de vida e que é tão mais grandiosa do que quatro letras de um alfabeto de 26. 

Na teoria é bem simples, pensamento fechado, mas apesar de ter escolhido ser assim desde o instante em que saí de minha terra natal, as despedidas foram constantes e a elas eu não consigo me acostumar, não tem jeito. Não consigo contar quantas vezes já me despedi da minha mãe, do meu pai, dos meus irmãos e amigos, e aquela dorzinha no peito, invariavelmente, sempre chega. 

É tão difícil só dizer byebye, see you, sorrisos e mão em movimento rápido da esquerda para a direita querendo mostrar que jájá a gente se encontra novamente. E, mesmo que esse até logo tenha um costume medonho de demorar tanto, sempre acaba passando rápido, pois quando se tem certeza "de", o quanto não importa. Tempo não importa. quilômetros não contam. Coração não tem a mínima ideia quanto a existência de números cardinais e ordinais, ele palpita de acordo com os estímulos que recebe e, em se tratando de amor, ele vai bem demais.

Minha irmã, minha galega, meu amor, se pra cada vez que eu te encontrar eu tiver que passar pela dorzinha do tchau, eu o faço trezentos e oitenta  vezes. E a essa dorzinha -  característica de quem se joga e não teme o balançado da vida - eu não quero me acostumar é nunca.

Te amo. Desde o dia, 9 anos atrás, em que estávamos sentadas no chão, uma de frente pra outra, conversando apenas com a linguagem do olhar e do tato, como duas crianças descobrindo a existência do outro, do novo.


Londres, maio de 2013




Rio de Janeiro, maio de 2011




Vancouver, julho de 2006



Recife, 2004


quarta-feira, maio 08, 2013

Timing

Quando ele disse finalmente estar apaichonado, minha paixão finalmente foi-se embora.

pra mamãe e suas aventuras antigramaticamorosas.

sexta-feira, abril 26, 2013

Sobre pontes, cadeados e bicicletas

 

Paris

pra você, mulher que não conheço, e que deu um pití estrondoso no recém marido por ele não ter feito o check in na Torre Eiffel.


Nada contra os casais apaixonados (ou não) que selam seu amor 'eterno' em uma ponte de Paris. Apesar de me perguntar quantos deles ainda permanecem juntos 'além cadeado', que é ad infinitum, não quero parecer descrente com o amor, muito pelo contrário, algumas vezes até penso que roubei o posto de último romântico do Lulu Santos. 


Romântico  mesmo é colocar sua garota no bagageiro enquanto ela te agarra a cintura e cheira teu cangote, selando ali o sentimento bom, o amor (ou o que quer que o valha), apenas  com os movimentos das mãos, sem chave e cadeado. Sem palavras, sem nada. 


Torre Eiffel em sí não é romântica, receber um postal de lá, sim.


O romantismo não é rico e nem carece de luvas (mesmo que não esteja frio)  pra sair bem no registro do instagram para os colegas verem e darem um like na sua pseudo felicidade deprimente. 


Paris, seus postes, o rio Sena e até aquela estrutura giga de ferro podem ser românticas. 


Paudalho também. 



Amsterdam



quarta-feira, abril 24, 2013

Em todo lugar

Pudera eu em um só trago te fumar
E depois ir te soltando aos poucos
Te vendo em estado gasoso
Partir com o vento da cidade
Pra onde quiseres ir
Malemolente e sem amarras

Pudera eu

quinta-feira, abril 18, 2013

Barça - 16.04.13




Se eu pudesse comer lugares, antes eu lamberia Barcelona inteira. Percorreria a língua por todas as esquinas, postes, ladrilhos, chafarizes, pessoas, plantas, monumentos, pitocos de rua. Como não posso, lambo os segundos, engulo e fico grávida de instantes. Quero parir não. Nem partir, Paris.
 
--

Barcelona é lugar pra perder o costume, o juízo, a rota, o mapa, a hora, o vôo.  Lugar pra se perder e, principalmente, pra se achar.

quarta-feira, abril 03, 2013

Instante

Fiz um poema 
No meio da rua
Que não me esperou
Escre

domingo, março 24, 2013

Da maior importância

Tantas vezes, em algumas situações, por entendê-las bem, eu tenho algo a acrescentar, uma boa resposta ou uma piada que seja e elas simplesmente passam batido por não saber falar aquilo em inglês ou porque aquela expressão não existe em inglês. Ou ainda porque a maneira que consigo explicar é tão tosca que vai demorar pra pessoa entender, e ai o instante passa de piada para uma baita chatice carregada de responsabilidade de entendimento: tanto do interlocutor quanto do ouvinte. E também, nada mais deprimente que traduzir piada da própria língua para a língua alheia, principalmente quando não se tem o domínio da mesma. 
É engraçado isso: aquelas pessoas bebem cerveja comigo, me acham bacana, simpática e bonita. Uma ou outra pesca fragmentos de minha essência, mas pouco provável que saibam quem de fato eu sou.

É difícil mostrar quem se é sem palavras.

sábado, março 23, 2013

Love is uncountable?


                                                                                                                                   A Jorge

Hoje a minha saudade escorreu todinha e molhou meu corpo em estado de lágrimas, frias. Meu feijão salgou, o chocolate acabou e as lições se mostram difíceis pra mim. Minha poesia anda sem rima, sem nexo. E hoje eu te amo da maneira mais dura que se é possível para um sábado a tarde: através de projeções mentais chamadas lembranças. Mastigo e engulo tua foto pra ver se preenche esse vazio de você. Jogo minhas mãos no balãozinho da memória pra te pegar, você escapa e volta e fica, finca flor no meu peito, que brota. Vira árvore saindo pela minha boca, cheia de arestas pra me abraçar. É quando me sinto grande, me sinto plena, mesmo sendo tão pequenina assim.
E então me enfio a contragosto dentro da blusa retrô-bufenta do flamengo e do samba canção que tá logo alí em cima, enquanto você, deitado e sorrindo, me chama. Mesmo sem usar uma só palavra.
Love is uncountable?

segunda-feira, março 11, 2013

domingo, março 10, 2013

Behind brown eyes

- Seus olhos são muito, muito bonitos.
- Você acha isso por não serem azuis, como os de vocês.
- Não, não é por isso. Os delas não são azuis e não são tão bonitos.


Os seus são bonitos porque você tá logo atrás deles.


sábado, março 09, 2013

amizade

é sentir-se realizada com a realização dos sonhos dos nossos.


Gina e Anjinho abençoados na igreja mais bonita da cidade

sexta-feira, março 08, 2013

amor é tiro e queda

É estilingue e pedra na brisa do sossego


terça-feira, março 05, 2013

sour(weet) home


when your home is a hot shower on the hostel and two photographs on the wallet

Desafio pra mim: escrever em inglês mesmo que errado

Desafio pra quem lê: escrever certo a frase que escrevi errado

segunda-feira, março 04, 2013

before the dream


Não sou maluca ou finjo que estou dormindo:
Apenas fecho os olhos pra te enxergar melhor e mais pertinho

domingo, março 03, 2013

Pra lembrar

Sim, eu sei: Tenho sorriso pra fazer verão o ano inteiro. em mim.

quarta-feira, fevereiro 27, 2013

First Day

Lá fora faz um frio danado. Aqui por dentro tem nevoeiro na maioria das horas, mas então te sinto e faz sol. Quentinho como um amor tranquilo e recém chegado. Com cara de cama desfeita e lençol por dobrar.

segunda-feira, fevereiro 25, 2013

Prévia

Me ocorreu que o adiar pra fechar a mala foi um código que meu coração criou pra mostrar que ainda falta tempo pra não mais te ver, pra esse hiato, pra morrer de saudade. E quanto mais próximo fica, mais jogo alguma coisa alí por cima enquanto penso simultaneamente que é preciso organizar de uma vez os próximos meses em uma mala grande e outra média. Minha mãe pergunta com ar de repreensão se não está faltando fazer mais nada quando eu, ao invés de pegar a mochila, guardar a câmera, organizar os fios, os cards, o netbook, fico praticando a procrastinação nas horas e cinicamente respondo que 'não falta mais nada.' E completo com um 'ao menos nada que eu possa fazer em um domingo à noite, amanhã vou comprar uns dólares'. O bom desse blog é saber que ela lê tudo, tudinho e cheia de amor que é, sempre perdoa minha sinceridade e deve até dar umas boas risadas por saber que me conhece tanto. 

Mas eu também a pego na mentira vez por outra. É uma espécie de mentira autorizada, que não faz mal se for descoberta, pelo contrário, foi feita para ser desmascarada com todo o carinho. Ainda ontem ela disse pra Júlia que tudo que ela tem pra me escrever, ela escreve direto no meu coração. Menos de duas horas depois estava me fazendo a declaração de amor mais linda, cheinha de palavras, lágrimas e amor. Ela fala sim e tem uma voz linda. A gente se parece sempre e como nunca. Mas na verdade esse texto não é para ela, é para você.

Pra você que chegou varrendo tudo, passando pano e desinfetante no meu chão. Que chegou junto. Nem de baixo e nem de cima, de lado: como tem que ser. Não deu espaço e tempo pra mais ninguém. Segurou forte na minha mão e foi simbora ver a vida. Sem temer. Eu lembro que no início acreditei piamente e até te disse que tudo aquilo era a maneira que você havia arrumado para tapar qualquer projeto de buraco já existente 'Tá tudo errado, tudo errado', eu insistia. Só depois me ocorreu que buraco mesmo seria se eu não ficasse. Buraco e burrice. Fiquei, fico. 

Com amor, Carlinha.

O texto tem jeito de inacabado e foi de caso pensado. Esse negócio de fim não tá com nada. Ainda tenho muito pra te falar, e, mais que isso: pra te olhar - na vida.

quinta-feira, fevereiro 21, 2013

Um solavanco na vida

Pode parecer maluquice isso que vou dizer agora e de fato deve mesmo ser: ando com alergia à noite. Escurece e logo começo a me coçar toda. Eu sei que o nome disso ultrapassa calor ou mesmo alergia. Ultrapassa remédios pra curar, o nome disso é ansiedade. Aquele negócio que eu tenho de sobra naturalmente, imagine quando tenho motivo para tal. Em um mês organizei uma viagem  de meses para outro país, pra um país que não conheço: nem ele e nem sua redondeza. Minha primeira vez de Europa e também o meu primeiro intercâmbio. O normal seria procurar uma agência e fechar um pacote, mas e quem disse que existe normalidade dentro do meu pequeno ser? Acabei fazendo e organizando tudo por conta própria e quando digo por conta própria eu quero falar tudo: de cada centavinho gasto à passagem, hospedagem, seguro viagem, visto, mala, etc e tal.

Faltando menos de uma semana para o grande dia, finalmente paro e respiro um ar aliviado de "finalmente está tudo pronto, do grande aos detalhes mais bobos como remédios e alicate para unha". Mas e quem disse que isso faz diminuir a ansiedade? Acho que só aumenta, pois agora tenho tempo de sobra (já que até a viagem eu possuo 24 horas de almoço por dia) pra pensar as asneiras que for. Bem sei que a ansiedade, no fundo, é de tudo ao mesmo tempo e não só da viagem. Um acúmulo de sentimentos. Do 360 que minha vida deu nos últimos meses e que eu não me dei o tempo devido de digerir e viver intensamente cada situação, mesmo as de dor. Ou como diz minha mãe: meu sofrimento segue até a página 3. "lerdo" engano. Uma hora tudo isso explode, nem que seja em coceiras.

Simplesmente me deixei levar pela vida e cá estou, pronta pra mais um looping. Apesar de ter decidido tudo muito rápido, na verdade essa é uma viagem que eu já me devia fazia muito tempo. É necessário dar um solavanco nesse meu inglês fuleiro e viajar é sempre bom, pra todo mundo: meses fora de tudo e de todos, em uma cultura diferente, sabores e cheiros estranhos, novos perrengues, nova língua. Tudo vale pra se encontrar, se conhecer mais, se respeitar, e, claro, aprender. Aprender muito. Curiosa como sou não duvido voltar ensinando as dancinhas típicas e/ou com várias receitas de lamber a pia. Como disse um sábio amigo: 'Você vai aprender muitas coisas nessa viagem e inglês é só uma delas'.

Bom, enquanto isso terei de conviver com esse vácuo entre o que foi e o que será. Com essas dúvidas todas: como será a cidade, como serão as pessoas, como será a escola, como será a comida, como será passar tanto frio, quando será que arrumo emprego, será que vou conhecer Berlim ou Barcelona antes de Londres e etc. É tanta questão que tenho medo de me privar do presente pra antecipar situações no fundo falso de minha cabecinha. Mesmo que o presente até lá seja de apenas 4 dias.

Parafraseando a expressão que andam falando pelas redes sociais:

Eu sempre fui ansiosa, mas esse mês eu tô de parabéns.

'doce, que seja doce, que seja doce, que seja doce.'




terça-feira, fevereiro 05, 2013

Quando você demorou a voltar e endoideceu todo mundo

E todas as pessoas que eu corria as vistas e enxergava trajando blusa listrada de verde, eu morria de raiva e só depois vinha o alívio e a alegria do encontro . Logo depois, quando me ocorria que não era você, a raiva que eu sentia se transformava em uma maior ainda (só que dessa vez de mim), por perceber que senti primeiro a raiva pra depois sentir o alívio e a alegria. 

Algumas vezes o ser humano é ser humano até demais, o tempo todo, até (ou principalmente) nessas horas.

Mas quando você entrou por essa porta, o alívio e a alegria foram tão enormes que eu só fiquei com raiva uma fração de segundo depois. E por pura necessidade de mostrar o meu alívio e a minha alegria. 

Nós: seres que somos tão humanos.

Não me faça mais isso!


quarta-feira, janeiro 30, 2013

uncountable



o amor é feito de uma fibra bem firme que é feita de zilhões de outras fibrinhas que a gente não pode ver e muito menos contar. Por isso que a gente diz, quando ama muito, que ama demais da conta. 

minúsculo

hoje tá tudo tão vazio. tão silêncio. tão frio - mesmo com o sol tímido da janela da sala - hoje eu tô outra, mesmo sendo aquela velha carlinha de sempre. hoje ficou tudo muito mais duro, maduro e seco. hoje você não quer falar comigo nunca mais, como se eu merecesse isso. e como se eu merecesse isso eu choro, tentando discernir o que fui do que sou, pra buscar o pior de mim, o motivo pra essas frases tão curtas, diretas e sem cheiro, gosto ou cor. menos do que cinza. mas me vejo igual, tão igual que chega me assusto. e tento então separar a culpa da desculpa. tento entender a mais tanta coisa de menos. todas essas coisas a menos que você faz questão de mostrar que é o que restou pra mim. e eu vejo assim: restos imensos.