segunda-feira, julho 21, 2014

Nossa casa

Acredito que nossa casa, bem como os nossos amores, onde for, seja nosso retiro espiritual. 

Não importa se enorme, com vários cômodos ou se apenas um quartinho alugado. É o nosso porto seguro. É pra onde voltamos no fim daquele dia cansativo. É onde nos recolhemos pra chorar na água morna do chuveiro quando "deu merda". É onde recebemos as pessoas que mais confiamos e queremos perto. Na nossa casa, como no nosso coração, há espaço pra muito afeto, mas apenas para os de comunhão. Aprendi que, como o coração, não se abre a porta toda hora, pra todo mundo, não é uma fratura exposta que peleje por atenção e quantidade.

Não tem espaço pra energia pesada exterior. Não cabem os olhos gordos. É o nosso canto e tem que ser respeitado como respeitamos a nós mesmos.

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Tem quase um ano que estou de "casa nova" e ela custou a se transformar num lar, no nosso canto, com a nossa cara. Eram paredes e espaços esperando por nós, que nunca chegávamos de corpo e alma. Hoje, quem entra aqui, seja pela sala ou cozinha, consegue sentir o aconchego e a identidade. Quem me conhece um pouco e também conhece mamãe, identifica sem sacrifício que esse é o nosso lar. É a gente em detalhes, em retalhos, em cores e formas. Em cada cômodo tem um pedaço de nós, idealizado e feito por nós. Olha-se uma cadeira e é possível lembrar como ela foi feita, desde a escolha da cor da tinta até a confecção, os reparos. Olho a parede de azulejos e lembro da tarde inteira batendo cabeça na Frei Caneca pra fazer o mosaico mais bonito. Meu quarto, minha mesinha de cabeceira, eu alí. Em tinta, vidro e madeira de rua. O espelho de janela, a mesa de carretel, as subidas e descidas pela rua com materiais garimpados e, depois, repaginafos ao nosso gosto, com nosso toque. A cara de pau pra conseguir esses materiais. "Um eterno ateliê", como dizem os que aqui chegam e acompanham a trajetória da casa que nunca termina, mas que tem sempre espaço entre uma lata de tinta e outra de cerveja pra receber os amigos.

Eu não vejo a hora de terminar. E também não vejo a hora de terminar pra saber o que eu já sei: que ela não termina. Que é ad infinitum, eterna mutação. Igual a gente.


momentos 'finais'

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