quinta-feira, outubro 26, 2017
minha vida é igual o escorredor de louças aqui de casa com uma montanha de panela cumbuca concha garfo ralador copo de liquidificador tapaué peneira abridor tudo ali se equilibrando acabou ufa olho pra trás tem um prato sujo esquecido na mesa pqp lavo encaixo ali apreensiva vai cair a porra toda a porra toda vai desmoronando mas não cai segura fica finca pé resistência pura minha louça minha vida
segunda-feira, agosto 28, 2017
Uma viagem sem volta
Hoje pela manhã, quando peguei o 497 rumo à Laranjeiras, algo me dizia que essa seria a viagem mais longa, complexa e importante que fiz até hoje: uma viagem até mim.
Em pouco mais de 40 minutos falei tudo que me afligia e aquela mulher que sequer me conhece, em um ou outro apontamento, jogou de volta na minha cara tudo o que julguei menos importante e, por isso, preferi não pensar. Não tocar. Só deixar alí achando que assim, alí, se resolveria sozinho. Viria a se dissolver com o tempo já que o tempo dissolve tudo. Tolinha.
Por que temos tanto receio em encarar de frente as questões importantes pra nós e preferimos, no lugar disso, ir remediando superfícies, sem alcançar a carne machucada? Enquanto não se trata a carne, a pele vai seguir frágil, sujeita a cortes rasos e profundos com qualquer coisa. É de dentro pra fora. É preciso coragem pra encarar aquilo que move, que azeda, encarar de frente, trabalhar pra resolver, não se envergonhar - e não somente remediar qualquer coisa que apareça em decorrência daquilo. O que é importante pra gente pode soar bobo para os outros e é aí que mora o perigo - pode ser bobo para os outros - nós não somos os outros - não é bobo pra gente e isso precisa ser o suficiente.
Levantei daquela poltrona cheia de almofadas um tanto tonta, aliviada, rindo e chorando de nervosa, cheia de questionamentos e também envergonhada por só ter iniciado esse processo agora. Silenciosamente me pedi desculpas e me desculpei pelo atraso comigo mesma enquanto lia no rosto de uma mulher que nunca vi antes questões que sozinha não fui capaz de avaliar sem vista turva. Foi quando tive certeza do início importante dessa relação: minha e de minha analista.
quarta-feira, março 22, 2017
Eu fuxico, tu fuxicas, eles e elas fuxicam
Bora parar de fingir que todo mundo aqui é viciado em internet mas só entra pra ler notícias, pedir jobs e compartilhar memes.
sexta-feira, março 17, 2017
Ontem eu aprendi que não existe relacionamento aberto ao pé da letra tal qual eu achava que vivia. Dei uma golada dupla na cerveja, parei de respirar por alguns segundos e arregalei bem os olhos pra não perder nada daquele momento.
O relacionamento é fechado. Com liberdade, sim. Sem reprimir desejos externos, sim. Não tem relação com razões contrárias à isso. É fechado por ter fechamento entre os envolvidos, parceria, amor, tesão e aquelas tantas coisas que só quem vive dia a dia sabe e não importa a mais ninguém. Aberto? Ele não é aberto a opiniões e olhares julgadores de fora. Pra você e ele meterem o bedelho e dizerem como é o jeito certo, como é o jeito errado. Jeitinho é coisa muito particular.
Ficar com outras pessoas não é o que define o relacionamento dito como aberto que foi escolhido por dois - ou por mais. Monogamia não é apenas o que pauta um relacionamento dito como fechado. Ou seria triste demais, tão raso. Aberto: pode ficar. Fechado: não pode. Preto no branco.
Esses dias se surpreenderam e acharam que, por terem me visto beijando outro rapaz no meio do carnaval, eu tava em outra, ih, já era! Avaliem: meu relacionamento estaria fadado ao fracasso por conta de uns beijos. E ironicamente foi justo no momento de reencontro em que ele nunca esteve tão conectado e vivo em toda sua existência em pouco mais de um ano. Talvez tenham pensado isso porque sou mulher. Talvez se tivessem visto ele com alguém teriam apenas concluído: é só pegação sem importância, como tantas outras. O machismo nosso de cada dia.
Somos todos mais fundos que essas pequenas convenções sociais e entender isso é seguir adiante avaliando que as escolhas são feitas, os combinados são conversados, a confiança é regada e enquanto o coração tiver gordinho e a cabeça sã, tá tudo bem. É só isso que consigo sentir: tá tudo bem.
Eu gosto quando eu escuto mais do que falo.
O relacionamento é fechado. Com liberdade, sim. Sem reprimir desejos externos, sim. Não tem relação com razões contrárias à isso. É fechado por ter fechamento entre os envolvidos, parceria, amor, tesão e aquelas tantas coisas que só quem vive dia a dia sabe e não importa a mais ninguém. Aberto? Ele não é aberto a opiniões e olhares julgadores de fora. Pra você e ele meterem o bedelho e dizerem como é o jeito certo, como é o jeito errado. Jeitinho é coisa muito particular.
Ficar com outras pessoas não é o que define o relacionamento dito como aberto que foi escolhido por dois - ou por mais. Monogamia não é apenas o que pauta um relacionamento dito como fechado. Ou seria triste demais, tão raso. Aberto: pode ficar. Fechado: não pode. Preto no branco.
Esses dias se surpreenderam e acharam que, por terem me visto beijando outro rapaz no meio do carnaval, eu tava em outra, ih, já era! Avaliem: meu relacionamento estaria fadado ao fracasso por conta de uns beijos. E ironicamente foi justo no momento de reencontro em que ele nunca esteve tão conectado e vivo em toda sua existência em pouco mais de um ano. Talvez tenham pensado isso porque sou mulher. Talvez se tivessem visto ele com alguém teriam apenas concluído: é só pegação sem importância, como tantas outras. O machismo nosso de cada dia.
Somos todos mais fundos que essas pequenas convenções sociais e entender isso é seguir adiante avaliando que as escolhas são feitas, os combinados são conversados, a confiança é regada e enquanto o coração tiver gordinho e a cabeça sã, tá tudo bem. É só isso que consigo sentir: tá tudo bem.
Eu gosto quando eu escuto mais do que falo.
terça-feira, fevereiro 14, 2017
segunda-feira, fevereiro 13, 2017
Bagunça
Ano passado meu quarto tava uma bagunça pré-carnaval. Pra te encontrar na Urca, eu precisava antes arrumar tudo, pois viajaria no outro dia pra Recife. Você me ensinou como fazer isso de maneira ideal: pegue apenas um item e leve ele ao seu local correto. Não pegue vários e vá distribuindo. Precisa ser um por um, até que tudo esteja no lugar.
-Mas e se tiverem cinco livros espalhados, posso pegar todos de uma vez já que é a mesma prateleira?
- Não, um por um. A gente precisa dar atenção a cada coisa pra não se perder.
Segui tua dica. Deu mais trabalho, talvez tenha levado mais tempo que o habitual mas no fim as coisas estavam mais organizadas do que nunca e minha cabeça não ficou confusa durante o processo.
Hoje é pré-carnaval novamente e a bagunça do meu quarto nesse período de fantasias mantém a tradição. Lembrei da tua dica. Peguei um top e fui guardar no armário. Travei na frente da porta e só consegui pensar que essa teoria talvez caiba muito bem pra arrumar as bagunças do lado de dentro. Dando atenção a cada item. Item por item. Um item por vez. Talvez dê mais trabalho, talvez leve mais tempo que o habitual mas no fim as coisas, quem sabe, se organizem e minha cabeça fique menos confusa durante o processo.
A gente aprende com o outro muito mais coisa do que nossa humilde lembrança permite coletar e concluir no imediatismo dos pesos e medidas que temos necessidade de fazer tão logo as coisas acabam de acontecer.
Hoje foi um top que abriu um pouquinho mais a mente. Amanhã pode ser maior.
-Mas e se tiverem cinco livros espalhados, posso pegar todos de uma vez já que é a mesma prateleira?
- Não, um por um. A gente precisa dar atenção a cada coisa pra não se perder.
Segui tua dica. Deu mais trabalho, talvez tenha levado mais tempo que o habitual mas no fim as coisas estavam mais organizadas do que nunca e minha cabeça não ficou confusa durante o processo.
Hoje é pré-carnaval novamente e a bagunça do meu quarto nesse período de fantasias mantém a tradição. Lembrei da tua dica. Peguei um top e fui guardar no armário. Travei na frente da porta e só consegui pensar que essa teoria talvez caiba muito bem pra arrumar as bagunças do lado de dentro. Dando atenção a cada item. Item por item. Um item por vez. Talvez dê mais trabalho, talvez leve mais tempo que o habitual mas no fim as coisas, quem sabe, se organizem e minha cabeça fique menos confusa durante o processo.
A gente aprende com o outro muito mais coisa do que nossa humilde lembrança permite coletar e concluir no imediatismo dos pesos e medidas que temos necessidade de fazer tão logo as coisas acabam de acontecer.
Hoje foi um top que abriu um pouquinho mais a mente. Amanhã pode ser maior.
quarta-feira, novembro 30, 2016
Buraco da Lacraia, uma Tatuagem no peito
* esse é um texto/carta que tá aqui não com o objetivo de todo mundo ler, já que só envolve duas pessoas - mas pra que daqui muitos anos ele continue existindo. *
Há pouco mais de três anos eu entrava naquele buraco que mesmo com trocadilho uó, não esperava que um dia fosse ser tão embaixo, tão fundo. Tão intenso.
Entrei em uma festa, era festa do povo de cinema. Já fui achando que seria blasé, que seria chata, que o povo ia ficar fazendo pose, que eu ia trabalhar bastante pra que aquilo apenas fosse. E eu tava certa. Mas cheia de ficha de cerveja de graça, ainda que Itaipólvora, podia ir todo mundo embora. Meus amigos foram, um a um, eu não. Seus amigos também, um a um, você não. Eu ali cantando Fagner no Karaokê, blusa de zebra laranja e preta. Cabelos bem longos presos para o alto. Uma franjinha tímida. Você ali embaixo, no balcão, provavelmente de blusa preta. O livro com a lista infinita de músicas nas minhas mãos. Brota você.
Há pouco tempo esse dia se tornou muitíssimo importante pra mim e mesmo que ele nunca tenha sido importante até então, acho que lembraria por muito tempo de você me dando mole naquele balcão e eu em um ato de susto com seu quase beijo, me esquivando e perguntando se você tava doido.
Seguimos colegas coniventes daquela noite, afinal, precisava de alguém pra dar cabo de tanta cerveja. E você precisava de uma foto saltando. Um costume, uma tradição, blá blá. Na hora achei bem Q? mas já tinha sacado a câmera, quem sou eu pra julgar?
Dia feito, já era bem de manhã. Um pulo em frente a um caminhão. Foto tirada de primeira. Você mentindo que foi a foto mais foda que já fizeram de você saltando. Eu fingindo que acreditei porque discordar e engatar em mais papo a essa altura seria motivo pra permanecer ainda mais ali naquele buraco que parecia não ter fim. Você na porta com um bico pedindo pelo menos um selinho pra ir embora - isso eu tinha deletado e rolou mesmo! E fico toda toda que você com sua bosta de memória lembre disso.
Tu perguntando meu whatsapp pra eu enviar a foto. Eu dizendo que não tinha whatsapp mesmo sabendo que você ia achar que é mentira mesmo sendo verdade. Eu perguntando se tu tinha facebook que mandaria por lá. Você dando seu facebook enfatizando que era com dois G`s. Eu dizendo que ok, mandaria por lá. Você dizendo que eu não mandaria em tom de desafio. Eu desafiando que mandaria em alguns minutos. Eu te mandando em alguns minutos. Você respondendo horas depois que só agora (já era noite) havia chegado em casa de um after que nunca terminou.
Umas boas semanas seguintes puxando uns assuntos aleatórios. Perguntando qual a boa. Se não ia mais me encontrar por aí. Onde me encontrar por aí. Eu não queria encontrar o playboy pedante que criei baseado em uma vida de buatxis nas redes sociais. E no quase beijo roubado sem meu OK. E naquele corte de cabelo meio sei lá.
Tempos depois o playboy pedante re-reaparece em um janeiro quente e molhado e dá uns sete tapas na imagem rasa e leviana que criei. E também no meu sossego. Ainda bem!
Hoje voltei pela primeira vez no Buraco da Lacraia, depois de todo esse tempo, olhei aquele balcão e veio um turbilhão seguido da pergunta:
Não era playboy, não era pedante, por que caralha não te beijei antes?
<3
Há pouco mais de três anos eu entrava naquele buraco que mesmo com trocadilho uó, não esperava que um dia fosse ser tão embaixo, tão fundo. Tão intenso.
Entrei em uma festa, era festa do povo de cinema. Já fui achando que seria blasé, que seria chata, que o povo ia ficar fazendo pose, que eu ia trabalhar bastante pra que aquilo apenas fosse. E eu tava certa. Mas cheia de ficha de cerveja de graça, ainda que Itaipólvora, podia ir todo mundo embora. Meus amigos foram, um a um, eu não. Seus amigos também, um a um, você não. Eu ali cantando Fagner no Karaokê, blusa de zebra laranja e preta. Cabelos bem longos presos para o alto. Uma franjinha tímida. Você ali embaixo, no balcão, provavelmente de blusa preta. O livro com a lista infinita de músicas nas minhas mãos. Brota você.
Há pouco tempo esse dia se tornou muitíssimo importante pra mim e mesmo que ele nunca tenha sido importante até então, acho que lembraria por muito tempo de você me dando mole naquele balcão e eu em um ato de susto com seu quase beijo, me esquivando e perguntando se você tava doido.
Seguimos colegas coniventes daquela noite, afinal, precisava de alguém pra dar cabo de tanta cerveja. E você precisava de uma foto saltando. Um costume, uma tradição, blá blá. Na hora achei bem Q? mas já tinha sacado a câmera, quem sou eu pra julgar?
Dia feito, já era bem de manhã. Um pulo em frente a um caminhão. Foto tirada de primeira. Você mentindo que foi a foto mais foda que já fizeram de você saltando. Eu fingindo que acreditei porque discordar e engatar em mais papo a essa altura seria motivo pra permanecer ainda mais ali naquele buraco que parecia não ter fim. Você na porta com um bico pedindo pelo menos um selinho pra ir embora - isso eu tinha deletado e rolou mesmo! E fico toda toda que você com sua bosta de memória lembre disso.
Tu perguntando meu whatsapp pra eu enviar a foto. Eu dizendo que não tinha whatsapp mesmo sabendo que você ia achar que é mentira mesmo sendo verdade. Eu perguntando se tu tinha facebook que mandaria por lá. Você dando seu facebook enfatizando que era com dois G`s. Eu dizendo que ok, mandaria por lá. Você dizendo que eu não mandaria em tom de desafio. Eu desafiando que mandaria em alguns minutos. Eu te mandando em alguns minutos. Você respondendo horas depois que só agora (já era noite) havia chegado em casa de um after que nunca terminou.
Umas boas semanas seguintes puxando uns assuntos aleatórios. Perguntando qual a boa. Se não ia mais me encontrar por aí. Onde me encontrar por aí. Eu não queria encontrar o playboy pedante que criei baseado em uma vida de buatxis nas redes sociais. E no quase beijo roubado sem meu OK. E naquele corte de cabelo meio sei lá.
Tempos depois o playboy pedante re-reaparece em um janeiro quente e molhado e dá uns sete tapas na imagem rasa e leviana que criei. E também no meu sossego. Ainda bem!
Hoje voltei pela primeira vez no Buraco da Lacraia, depois de todo esse tempo, olhei aquele balcão e veio um turbilhão seguido da pergunta:
Não era playboy, não era pedante, por que caralha não te beijei antes?
<3
quarta-feira, novembro 23, 2016
Engatinhando
Meus olhos famintos engolem cenas casos cores.
A voz ansiosa se destrambelha e vomita o verbo coisar as coisas, coisificados, coisados, coisando tudo.
A palavra escrita ainda é minha maior aliada. Voltei a escrever.
quarta-feira, outubro 26, 2016
Doce cinza
O amor vai circulando junto com as cuecas que passam entre minhas pilhas de roupas limpas. Vem uma preta, vai uma preta, vem com uma preta, volta com uma preta, larga uma preta na escrivaninha, pega uma preta da gaveta, chega com uma cinza e é quando percebo que esse ciclo existe há meses e eu só saquei agora porque você só usa preto e demorou 8 meses pra deixar uma cinza.
Peguei-a nas duas mãos e naquele ato de fechar os olhos pra sentir melhor, cheirei tão cheirosinho de amaciante: cheiro de amor novinho que carrega por ali pedaço de história.
segunda-feira, setembro 12, 2016
Nem tudo tem que ser conversado
Eu sou a pessoa do tim tim por tim tim. Preto no braco. Águas claras. Sempre fui. Esses dias vi que talvez não seja assim pra sempre. Esclarecer demais pode ser porta pra confundir. Diálogo é importante mas palavra a mais azeda. Tem coisa que acontece e que não tem que virar conversa. Aguarda. Dissolve. Entende. Ou entende e dissolve. Resolve. Resolve-se.
quinta-feira, agosto 25, 2016
A língua e a pipa
hahahaha ria o menino embaixo da mesa enquanto dividíamos uma quentinha de maneira injusta: eu comendo e ele brincando com meus pés. Vem timbora, senta aqui, vamos comer. hahahaha não, não! Vem, antes que eu acabe com a comida toda! ahahaha tia, você fala errado. Jeferson, Davi, Fernando, olha, olha, ela fala errado! Timbora, Tttttimbora, ela fala assim bem doido! bem doido, bem doido! Oito dedos me apontando enquanto os ombrinhos magros saculejavam dentro de uma gargalhada infantil que já terminou mas ninguém assume o fim primeiro sem conivência. Engata em outra. Em outra. Agora mais leve. Um olhando para o outro na espera pelo sinal do cair no chão de tão cansados que ficaram de rir da cara da tia que fala errado.
Eu não falo errado, eu falo diferente. Vocês não falam errado ou mais certo que eu, vocês também falam diferente. Vai parecer uma loucura o que vou falar mas no mundo inteiro tem muita mas muita gente mesmo que fala diferente. Diferente de mim e de vocês, cada um de um jeito. Um monte de gente diferente.
Que mentira, tia. Eu entendo o Davi, o Jeferson e eles são o mundo inteiro porque eu só conheço eles. Não Lucas, é verdade, tem aquele pessoal que fala de outro planeta, que vem aqui visitar e a gente entende menos que a tia mas eles compram pipa.
Pois é, o Brasil é um país muito grande e tem um monte de gente espalhada por ai que fala diferente, isso se chama sotaque, e a gente entende. Vocês sabiam que fora do Brasil ainda tem vários outros países que falam de um jeito mais diferente ainda e que se a gente não estudar pra aprender é impossível de entender? Não são planetas, são países, igual o Brasil. Se a gente for lá onde eles moram ninguém entende se não tiver estudado também.
Que mentira, tia!!! A tia tá doida!!! A tia tá doida!!! Tia, o Santa Marta fica dentro do Brasil?
Fica.
E por que então esse pessoal de outro planeta que compra pipa só tira foto da gente e fica rindo vermelho quando a gente fala? Eles não estudaram?
domingo, agosto 21, 2016
Sobre o amor e seu trabalho silencioso II
O riso nervoso sobre a tua fala -
Eu te amo
Ama nada
Susto e alívio: você me amando, em voz. Não adorando naquele te adoro que não levo muito a sério porque parece quarta série, não gostando muito que é a frase que sei falar, não doido por mim nas madrugadas em Botafogo: amando. Te amo saindo de sua boca de coração tampada quase que por completa por um bigode não aparado.
Essas duas palavras mais vastas que um alfabeto inteiro, que inconstitucionalissimamente, que engasgam bem no centro da garganta e causam rebuliço e tremedeira em um ouvido fora de forma.
Foi pororoca. Rebento. Planctons.
Acordei. Isso aconteceu. Foi o álcool, foi o momento, foram os astros, errou a palavra, errou a pessoa, falhou no cálculo, era uma música. Quantas desculpas. Criei uma por uma pra te justificar. Te contei. Você já sabia. Era verdade: eu te amo.
Logo você, quem diria. Segurou na minha mão e foi. Fomos. 2x0 a gente.
Eu te amo
Ama nada
Susto e alívio: você me amando, em voz. Não adorando naquele te adoro que não levo muito a sério porque parece quarta série, não gostando muito que é a frase que sei falar, não doido por mim nas madrugadas em Botafogo: amando. Te amo saindo de sua boca de coração tampada quase que por completa por um bigode não aparado.
Essas duas palavras mais vastas que um alfabeto inteiro, que inconstitucionalissimamente, que engasgam bem no centro da garganta e causam rebuliço e tremedeira em um ouvido fora de forma.
Foi pororoca. Rebento. Planctons.
Acordei. Isso aconteceu. Foi o álcool, foi o momento, foram os astros, errou a palavra, errou a pessoa, falhou no cálculo, era uma música. Quantas desculpas. Criei uma por uma pra te justificar. Te contei. Você já sabia. Era verdade: eu te amo.
Logo você, quem diria. Segurou na minha mão e foi. Fomos. 2x0 a gente.
quarta-feira, agosto 10, 2016
Sobre o amor e seu trabalho silencioso
terça-feira, agosto 02, 2016
Dona Rita
Como pode alguém com tanto sofrimento marcado na pele e no peito carregar nos olhinhos apertados, na voz e no toque tamanha doçura?
domingo, julho 24, 2016
Drone
- Fiz uma declaração e você nem ligou
- Qual?
- Eu não consigo ficar sem você
- aaah consegue sim
- Consigo? Pera ai que eu vou fazer uma foto aérea pra te mostrar
- Qual?
- Eu não consigo ficar sem você
- aaah consegue sim
- Consigo? Pera ai que eu vou fazer uma foto aérea pra te mostrar
quinta-feira, julho 07, 2016
Um sonho, uma aposta
Sonhei com bonsai e apesar disso só significar que sonhei com bonsai, acordei confabulando. Quando sonho com algo que confabulo, tenho vontade de jogar no bicho. Mas bonsai não é bicho. Imaginei as raízes presas naquele vasinho inibindo o crescimento de uma árvore que tinha tudo pra ser forte, enorme e com uma copa de falar caramba! Imaginei novamente as raízes dentro daquele pequeno vaso de cerâmica dando voltas e mais voltas querendo ser algo que não se pode ser. Voltas e mais voltas que nem uma cobra. Cobra! Joguei no bicho, ganhei. Minha sorte tá virando.
Apanhador só
Na hora de dobrar as roupas pra guardar de um lote que demorou uma vida pra ser lavado, me deparei com essa camisa. Na hora pensei que não era possível estar pegando nela justo agora quando a última vez que usei foi te mostrando contente que você não tava presente na aula mas de alguma forma estaria. Antes de cair na cilada da tristeza, vi que havia uma frase no fundo da camisa que dizia: "antes que tu conte outra" e soltei um riso.
É sempre bom lembrar que sou privilegiada em ser espirituosa no lugar de amargar.
quarta-feira, julho 06, 2016
O meu sofrer
Um desespero, um desalento, um descontrole. Não guardo sofrimento pra próxima temporada, para o próximo acontecimento. Largo tudo agora. É tanta da lágrima que quase me afogo. Bebo o copo inteiro em uma só golada. Não deixo pra amanhã o que posso chorar agora. Choro hoje e choro amanhã. Libero. Liberto. Choro, choro mais um pouco, me questiono, questiono o outro. Pretendo dormir um dia inteiro, olho minha cara e minha falta de próprio zelo. Choro mais um pouco, vou até o fim do poço e durmo.
Acordo, transformo lamento em resignação, força e luto: morreu o boi, Inês é morta e é ali a porta.
Acordo, transformo lamento em resignação, força e luto: morreu o boi, Inês é morta e é ali a porta.
segunda-feira, junho 27, 2016
É impulsivo ser feliz sozinho
Essa noite sonhei que guardava meus trocados em um aquário de vidro redondo fechado, apenas com uma pequena abertura, e finalmente havia chegado a hora de quebrá-lo com um martelo. Eu mantinha esse aquário com o mesmo entusiasmo que uma criança nutre seu porquinho de barro. Não achei martelo e taquei ele no chão. Acordei com um espasmo de susto e procurando os cacos de vidro pela cama. Olhei para o lado e tava você, deitado com as pernas dobradas, de costas, fazendo seus barulhinhos.
Te abracei por trás enganchando daquele jeito que eu gosto e, ainda sem saber o que fazer com minha chateação, se verbalizar ou se dissolver, cheirei tua camisa com cheiro de dormida e adormeci mais um pouco. Acordei algumas vezes procurando os cacos de vidro pela cama, com medo que você se machucasse, com medo que sua mão sangrasse. "Foi só um sonho, não tem caco e nem dinheiro e nem sangue." Tem você e tem eu. Nos reconheci ali naquele ambiente novo-antigo tão nosso mesmo sendo teu.
Bom dia. Bom dia!
Mochila, casacos, mãos dadas, mãos soltas, silêncios, palavras, sorrisos, dúvidas. Um abraço. Um pensamento verde pretendendo ser maduro. Um sentir maduro achando mais simples voltar a ser verde. Foda-se verde e maduro: o que se é e o que se quer e pronto. Mais um abraço e entro no ônibus meio perdida, me sento na cadeira alta, que é a que mais gosto, pego o celular pra ver as horas e vejo sua mensagem: é obra em cima de mim! Finalmente desvendasse o mistério do andar de cima. Estão em obra. E de algum modo desvendei o meu mistério também: estou em obra para melhor me atender/entender. Esse barulho na cabeça, a rigidez no caminhar, poeira por todos os lados deixando a visão meio zonza algumas vezes e te confundindo tantas outras. Eu não sou assim, estou assim. Estar, uma das maiores virtudes que qualquer pessoa pode ter na vida, pois junto dela vem também a possibilidade de mudança. Estou em obra. Um monte de coisa tá achando seu lugar. Daqui vejo uma parede subindo aqui e ali. Ainda tem poeira mas consigo te ver, estou te vendo, só virar o pescoço que você me enxerga também. Eu posso mas não quero caminhar sozinha. Eu quero caminhar com você. Sobe essa escada e vem?
segunda-feira, junho 20, 2016
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