Terça-feira, Abril 22, 2008

...


Sentindo
como
se
eu
tivesse
de
favor
na
minha
própria
vida.



Domingo, Abril 20, 2008

,


Ausência me devolve vontade de chão

me devolve prisão em instante vazio

vazio dentro dos braços, pernas e próprias mãos

perdidas em quarto escuro


Se bole, se dorme, se para.

se

partícula de condição

partículas de pequenas angústias

e dúvidas


Parede branca de solidão

telefone sem conexão

travesseiro,

-travessão


Carla Alencar

Ação de Graças

Dia de sol, Rio de Janeiro
Passo na favela e já sinto o cheiro
Do traficante esperando a playboyzada
Que vai buscar no morro de coca a raxa

O bagulho é do bom
O menino é do bem
Só não imagina o que pra ele vem

Chega em casa meio tenso
Com embrulho na mão
A mãe já fica perturbada
Cheia de aflição

Entra no quarto, porta fechada
Pode bater quem for
Não abro nem para o papa

Pesos e medidas
Balança e quilograma
Tudo escondido embaixo da sua cama

Chega nas festinhas
Cheio de moral
Bermuda da cyclone
Uísque Jonny pra geral

Faz logo a cabeça da rapaziada
É doce, maconha, raxixe e bala

Dinheiro no bolso
Cartela na carteira
E a PF já ligada na próxima rasteira

Mas o moleque é esperto
E não deixa vacilar
Comanda bem o game
Pra depois desopilar

É rodízio, grife, uísque do bom
E um carro zero tirando onda pelo Leblon


A vida até parece boa
Mas a paz vai acabando
Telefone na mão
Gurizada ligando

Zé Henrique, Giovana, Mateus, Juliano
-Tem uma cinquentinha meu parceiro?
-Espera que tô chegando

Ruim é na hora da cobrança
Fim do prazo, fim do mês
Do dinheiro, nem lembrança

Os malucos ficam logo envenenados
Ameaçam o garoto
O guri ta pirado

Ele já não sabe o que fazer
Tem que vender, tem que pagar
Tem que parar de dever

(Deitado na cama, com o filho na cabeça
Era o sonho da mulher, da sua princesa
Com o tempo, afastou tudo o que amava
Nem mulher, nem princesa, nem filho
Nem nada)

Sua mãe já não sabe como chorar

já gritou, já pediu e só faz rezar

Telefone toca
-ô, desce ai que é importante
Nove fitas na mão, polícia no volante

-É crime federal
-É crime, marginal!

Entra no carro,
Não vale mais perdão
Pelo menos cinco anos
Trancafiado na prisão

É crime federal
É crime, marginal!
Cadeia animal


Carla Alencar

Domingo, Abril 13, 2008

13 de abril de dois mil e oito

Mas se tua presença é fruto da ausência da minha presença...
É por que te quero bem.

Assim há 2O anos.

Quarta-feira, Abril 09, 2008

Filtro

Filtro do teu pensamento
e o que sai a tua água
Filtro do teu café
teu cigarropigarro, amargo, amado
a mando, desmandoteu filtro eu amo
Não filtro é nada
Teu filtro me rasga a carne podre enfim, adentro
infiltra o outro lado ate faz firmamento
Mãos em clemência
Peito libertino
Corpo árido
Amo no filtro
Do meu filtro baleado

Carla Alencar


*Poesia antiga

Terça-feira, Abril 08, 2008

Bueiro

Um bombom dentro de um quebra-panelas que tá sendo furado nesse exato momento pelo prego e no próximo e no próximo.O bombom não sabe o que vai acontecer, até que...
PUF, bombom no chão é o que não falta!


(agradecimento mais que especial para Amanda Diniz, www.depoisdasdezpm.blogspot.com )

Sábado, Abril 05, 2008

Corpo fora


Pimenta no PI dos outros é SEMPRE refresco.

Pimenta no PI da gente é pimenta e pronto,ponto.


Carla Alencar

Terça-feira, Abril 01, 2008

no lençol

Uma cerveja por vez, uma dose ou três.

Ela precisava disso, precisava ficar mais amarga de bebida do que de amor,
da falta de amor, do pouco amor, do seu amor muito, do amor em falta, do amor outro.

Mas não tinha dose, cerveja... Nem nada.

O que restou da noite foram umas páginas de livro,
Coletânea de lágrimas,
O amor
e suas estórias mal contadas.


Carla Alencar